segunda-feira, 27 de junho de 2011

Olga – Fernando de Moraes

Detalhe da Capa
Olga é uma obra diferente daquelas que estou acostumada a ler. Não é uma biografia, é algo como um romance jornalistico, não é a vida da personagem romanceada, são os acontecimentos reais, os dados e informações reais, mas narrados de uma forma menos direta que a maneira utilizada nas biografias.

Olga, uma judia alemã que desde muito jovem passou a integrar o movimento social é treinada na Rússia como uma agente do comunismo. Junto com Luiz Carlos Prestes, Olga é mandada ao Brasil para apoiar a resistência ao governo de Vargas e o núcleo do Partido Comunista. Olga e Prestes acabam se apaixonando e vivem juntos como um casal, mas sem regularizar a situação. Após uma malfadada tentativa de revolta comunista em 1935, o casal e seus amigos passam a ser perseguidos pela polícia política e um a um são capturados, inclusive Olga, que estava grávida, e Prestes.

O livro narra a perseguição e a fuga desses personagens, a captura, os acontecimentos na prisão, e as terríveis sessões de tortura até que o destino de Olga é decidido pelo presidente Getúlio Vargas que, apesar dela ser mulher de um brasileiro e estar grávida dele, é deportada para a Alemanha e entregue à Gestapo. Olga alega em todas as instâncias que não pode ser deportada por ser mulher de um brasileiro, portanto, ter a nacionalidade brasileira, o que impediria a deportação, mas sob a desculpa de que eles não eram oficialmente casados, seu pedido é negado. Olga então é mandada para um campo de concentração na Alemanha Nazista onde dá a luz sua filha Anita Leocádia, que com poucos dias de vida lhe é tirada e mandada aos cuidados de sua avó. Olga morreu na câmara de gás pouco tempo depois.

Tem uma passagem que eu achei especialmente interessante. Quando Olga e Prestes estão escondidos em um bairro afastado no Rio de Janeiro, é carnaval e Olga está olhando pela janela as pessoas dançando e se divertindo e ela diz “Eu não entendo esse povo, parece que eles não querem ser libertados”. Ela nem era brasileira e estava aqui lutando por um povo que não era seu povo, independentemente de se concordar ou não com sua ideologia política, tem-se que reconhecer que ela estava lutando pelas pessoas, por uma vida melhor, e perdeu sua vida enquanto o resto do país estava se divertindo.

Tantos anos já se passaram desde estes acontecimentos e hoje eu vi na televisão uma apresentadora dizendo que “a maior vocação do brasileiro é fazer festa”, não que eu não goste de festas, adoro... mas acho que já está mais do que na hora de superar o clichê samba-futebol-mulher. Há tanta coisa boa aqui para ser mostrada. Há tanta gente séria. Acho que falta apenas um pouco mais de atitude para superarmos o estereótipo!!

Voltando ao livro, gostei muito de conhecer mais sobre a vida dessa personagem de destaque na história nacional, vale a pena conhecê-la e conhecer um pouco mais da história política do país principalmente para que absurdos como os que a gente viu e ouviu durante a última campanha eleitoral se tornem motivo de chacota e não informação passada de e-mail em e-mail como se fosse  expressão da verdade.  Recomendado!!


Ah e o livro virou filme, um ótimo filme por sinal!!!

Beijos e boa leitura!!!
Fefa Rodrigues

2 comentários:

Tais Oliveira disse...

Oi Fe..você já esta fazendo falta aqui no trabalho :(...rs

Então eu já li esse livro e gostei muito e vi o filme também...e concordo plenamente com você que os brasileiros tem muito mais a oferecer ...bjus e saudades Fefa!

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Fefa!

Nào li o livro, 'só vi o filme, que é mesmo muito bom. A CAmila Morgado dá show. Concordo com o que você escreveu sobre as festas...é s;o assistir o jornal pra ver como eles dão notícia: falam de uma tragédia e logo em seguida, sorriem falando de carnaval...

Beijos!