quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Tô querendo

Tô querendo

querendo um pouco mais de beleza nessa vida,
Menos papel e mais poesia,
Menos exigências e mais sorrisos;
Menos prazos a cumprir
E mais tempo com os amigos.

querendo um pouco mais de vida na vida;
Mais razão pra existir,
Mais motivos pra tudo. 

querente sentir cheiro de flor,
Vento no rosto e areia nos pés. 
Sem limites, sem amarras.

querendo uma vida que tenha sentido,
Que não seja apenas vivida,
Mas que seja sentida,
Em todo momento,
Pra valer a pena.


Texto de uma amiga minha que adora escrever e que é exatamente como me sinto hoje.
Bom feriado prolongado!!
Fefa Rodrigues

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Os Cavaleiros de Preto-e-Branco

Demorou um pouco mas terminei Os Cavaleiros de Preto-e-Branco, meu primeiro contato com o escritor britânico Jack Whyte. O livro, que é um romance histórico, conta sobre as origens da Ordem dos Cavaleiros Templários, o que, por si só, já faz despertar o interesse dos apaixonados por cavalaria e histórias medievais.


A história se inicia na França, durante a juventudo de Hugh de Payens e sua iniciação em uma sociedade secreta, a Ordem do Renscimento de Sião, cuja finalidade é preservar uma antiga doutrina. Essa sociedade é formada unicamente por descendentes das chamads Famílias Amigas, e apenas um filho a cada geração é esoclhido, de acordo com seu caráter e capacidades itnelectuais e físicas, para integrar a ordem.

Algum tempo após sua iniciação, Hugh e seus dois grandes amigos, St. Omer e Godfried, também membros da ordem, partem para a primeira Cruzada, e, durnte as campanhas militares no oriente, principalmente a tomada de Jerusalém, se escandalizam com a violência a e abarbarie do exército cristão.

Depois de muita embramação e de muitos anos, Hugh está vivendo em Jerusalém e recebe uma missão da parte do Senescal da Ordem, ele deve, de alguma forma, iniciar uma escavação no que um dia foi o Monte do Templo, a fim de buscar os tesouros que a doutrina de sua ordem afirmam existir ali. Sem ter como fazer isso sem chamar a atenção, e aproveitando o fato de que as estradas de Jerusalém sempre são palco para a violência de bandoleiros contra os peregrinos, ele decide fundar uma Ordem de Monge Guerreiros e pede ao rei e ao Patriarca que cedam os estábulos, que ficam no monte do templo, para que sua ordem viva lá. Claro que até ele ter essa idéias, demorar, e a organização disso tudo é complicada, mas as autoridades de Jerusalém aceitam sua proposta, já que a questão da violência nas estradas era um problema que precisava ser resolvido, mas que, até então, ninguém tinha idéia de como fazê-lo.

Até aqui, tenho que dizer, o livro é bem chatinho, muito parado, muito sem vida. Não tem uma trama, digamos assim, o autor fica falando muito sobre a doutrina da ordem, a história se desenvolve apenas em torno de Hugh, sem outros personagens, e sendo ele uma pessoa tão austera, nada de muito interessante acontece na vida dele.

Além disso, senti falta de mais detalhes do cotidiano daquela época, isso é algo de que eu gosto muito no Cornwell, poque ele vai intruduzindo esses detalhes, sem que a gente perceba, o que cria o clima e faz a gente se sentir em outro tempo, mas que faltou nesse autor.

Bem, mas a coisa melhora com a chegada de St. Clair, um jovem cavaleiro que, sendo também membro da ordem, vai a Jerusalém para tomar os votos e se tornar um dos Pobres Cavaleiros de Cristo. Nessa época, as escavações já vão avançadas, e secretas, e St. Clair é um cavaleiro erudito, que vai ser essencial na busca pelo tal tesouro. 

Acontece que ele conhece a princesa Alice, filha de Balduíno II, Rei de Jerusalém... e dai a coisa começa a ficar muito interessante... no final do livro, a gente não consegue parar de ler, e, ao terminar a história, o escritor consegue despertar nossa curiosidade para a continuação. 

Eu tinha falado pra Fê, do Na Trilha, que o livro era muito chato, e ela me disse que, por isso, tinha desanimado de ler um livro do mesmo autor que ela tem... a verdade é que, de início, o livro é chato e cansativo mesmo, mas vale a pena ser presistente... ele fica legal bem depois da metade, mas me parece que esse clima vai continuar nos próximos, e eu vou continuar a leitura sim.

Então Fê, não desista da leitura do seu!!!

Agora, comecei  a ler A Menina que não sabia ler, empréstimo da minha amiga Kelly, a leitura pareceu-me bem gostosa e fácil, acho que vai ser coisa de uma semna para finalizar!!!

É isso aí, 
Beijos e boa leitura!!
Fefa Rodrigues



sábado, 20 de outubro de 2012

Novas aquisições

Doce som o moço do sedex gritando "correio", e eis que mais quatro preciosidades integram minhas prateleiras que um dia serão uma biblioteca!! Meus novos livros chegaram, e como nós sabemos, não há melhor aroma do que cheiro de livro novo, não é?? Olha eles aí:


Eu esperei ansiosamente pela continuação de trilogia O Século, do Ken Follett, pois como disse quando fiz a resenha de Queda de Gigantes, este se tornou um dos meus livros preferidos, sem dúvidas faz parte do rol dos melhores livros que eu já li e, sabendo que Inverno do Mundo se passaria durante a II Guerra eu fiquei ainda mais entusiasmada para ler. Tenho certeza de que será um ótimo livro. Sei que a Fê do Na Trilha, está lendo ele, e acho que vai dar tempo de eu ler a resenha dela antes de começar minha leitura!!! Tô aguardando sua opinião, Fê!!


Falando em II Guerra, quem acompanha o meu blog sabe que esse é um assunto que me fascina, e que nos últimos temos eu tenho investido na compra de livros sobre o assunto. Já faz um tempo que eu estava procurando um livro que falasse um pouco dos antecedentes da guerra, se possível, desde a Revolução Francesa, mas estava difícil de encontrar material assim, principalmente material sobre a I Guerra. Até que eu encontrei na Saraiva, esse livro O Trepidante Caminhar da Humanidade, que engloba toda a história desde a Revolução até a II Guerra, mas enfocando a forma como estes eventos estão associados. Não conheço o autor, o livro é bem grosso, e pelas primeiras observações, a linguagem parece boa. Logo comento (mesmo porque, hoje em dia eu faço leitura conjunta de um romance e um livro histórico sobre a II Guerra).


Seguindo em frente, desde que eu vi o filme O Corvo, fiquei com muita vontade de ler algo do Poe, e essa vontade ficou ainda maior depois que eu vi a animação Vincent, do Tim Burton, é bem curtinha, mas fez meu interesse no escritor disparar, então comprei essa coleção de contos que vai ser meu primeiro contato com Edgar Allan Poe. Quem quiser ver a tal animação, clica aqui.



E, por fim, uma autora que eu estava bem interessada em conhecer também, pelo tema que ela aborda nas suas obras, todas romances históricos envolvendo a monarquia inglesa. Esse livro, pelo que eu entendi, também faz parte de uma série que se chama A Guerra dos Primos, e que se ambienta durante a Guerra das Duas Rosas. A Rainha Branca é o primeiro livro da série, e também será meu primeiro contato com a escrita da Philippa Gregori.


É isso ai, estas foram minhas compras de setembro/outubro, e na minha mesa já tem o boleto para a compra de Agosto, Rubem Fonseca, e Morte Súbita da J.K. Rowling (na pré-venda)!!

Beijos, bom fim de semana repleto de leituras!!
Fefa Rodrigues

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Autores Preferidos - Zafón

Hoje li a resenha da Fê, do Na Trilha dos Livros sobre o livro O Prisioneiro do Céu, do Zafón, então pensei em falar um pouco sobre meus escritores favoristos, e um deles é esse espanhol que eu descobri sem querer, quando vi A Sombra do Vento na vitrine de uma livraria e, só pela capa, comprei o livro. 

Carlos Ruiz Zafón é um escritor espanhol, e seu primeiro romance foi O Príncipe da Névoa dirigido para o público infanto-juvenil, e já de cara teve um enorme sucesso. Na mesma linha, vieram El Palacio de la Medinoche e Las Luces de Semptiembre que, até onde eu sei, não foram traduzidos para português.

Marina foi o primeiro livro dirigido para o público mais adulto, porém, como eu disse acima, meu primeiro livro do Zafón foi A Sombra do Vento, e, na sequencia, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu. Todos estes se passam em Barcelona, e apenas Marina não tem ligação com os demais (até onde eu pude perceber).

 
O que me cativou em Zafón foi, em primeiro lugar, a melâncolia de sua escrita e de suas histórias, a forma como o destino parece brincar com nossas vidas, algo que me lembrava uma pitada de Gabo. Além disso, as narrativas sempre têm um toque sombrio, se passando entre casarões cheios de "fantasmas" (não fantasmas no sentido exato da palavra, mas como lembranças impregnadas em suas paredes) e pelas ruas de uma cidade que ainda sangra.


 A O Jogo do Anjo, A Sombra do Vento (este eu já li três vezes) e O Prisioneiro do Céu têm suas histórias "amarradas", já que envolvem os mesmos personagens, todos ligados pelo destino, mas, apesar de ser esta a sequência cronológica, é possível ler estes livros em qualquer ordem, e eu indico a leitura de todos eles, porque são ótimos!! E, ao final de O Prisioneiro do Céu, percebemos que a história da Família Sempere e de seus amigos ainda está longe de terminar.


Depois de ler estas obras, com certeza, a gente passa a sonhar em conhecer Barcelona!!!


Fica ai a dica de uma leitura muito boa!!
Beijos,
Fefa Rodrigues



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Hotel Transilvânia

Oi gente, estou meio sumida, mas é só porque minha vida que eu imaginava se acalmar após as eleições, só ficou mais agitada... bem, mas a vida tem que continuar, certo? E a gente vai se adaptando às mudanças e ao inesperado.

Então, vamos ao que interessa. No domingo a tarde, após levar meu pequeno sobrinho para ver como "se vota", fui ao cinema para vermos Hotel Transilvância, que eu estava doida para assistir desde que tinha visto o trailer. E gente, é muito legal!! Muito fofinho e também engraçado.


Vamos a história. Drácula, após perder sua querida esposa para humanos raivosos que atearam fogo em seu castelo, controi um refugio para ele e sua pequena filha, e também para todos os monstros que estão cansados de fugir da ira dos humanos. Lá eles estão protegidos e afastados de todo contato com os humanos, especialmente sua filha Mavis, a quem ele super-protege, bem ao estilo pai-super-protetor. 

Todo ano, Drácula prepara uma grande festa de aniversário para Mavis e desta vez a festa terá que ser especial, afinal, ela irá completar 118 anos. Todos os monstros são convidados, e tudo vai bem, até mesmo a tentativa de Mavis de conhecer o mundo acaba frustrada pelo medo que Dracula consegue fazer ela sentir dos humanos.

Mas, uma visita inesperada, de um jovem mochileiro, vai mudar as coisas e a visão que os monstros têm dos humanos.


Gente, o filme é bom mesmo e me lembrou bastante a essencia do musical A Família Addams. Vale a pena assistir, de verdade.

Fica ai uma dica pro feriadão que se aproxima!!

Beijos,
Fefa Rodrigues

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Corvo

       
      Ontem eu vi uma animação dirigida pelo Tim Burton que contava a história de um garotinho chamado Vincent que parecia viver em dois mundos, o mundo real onde era um garoto educado e obediente e o mundo de sua imaginação, influenciado pelas histórias de Edgar Allan Poe. Inspirada pelo video decidi comprar um livro de contos do autor de quem eu ainda não li nada. Acho que chega daqui uns cinco dias, até lá, fico com a sua poesia mais famosa. Digamos que o cara é meio sombrio, não??
       
                                                                     
                                                                          O CORVO 
                                                                                  - Edgar Allan Poe -
       
    Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
    Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
    E já quase adormecia, ouvi o que parecia
    O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
    "Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
    É só isto, e nada mais." 
    Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
    E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
    Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
    P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
    Mas sem nome aqui jamais! 
    Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
    Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
    Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
    "É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
    Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
    É só isto, e nada mais". 
    E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
    "Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
    Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
    Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
    Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
    Noite, noite e nada mais. 
    A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
    Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
    Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
    E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
    Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
    Isso só e nada mais. 
    Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
    Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
    "Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
    Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
    Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
    "É o vento, e nada mais." 
    Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
    Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
    Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
    Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
    Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
    Foi, pousou, e nada mais.
      E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
    Com o solene decoro de seus ares rituais.
    "Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
    Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
    Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
    Disse o corvo, "Nunca mais".
      Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
    Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
    Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
    Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
    Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
    Com o nome "Nunca mais". 
    Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
    Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
    Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
    Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
    Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
    Disse o corvo, "Nunca mais". 
    A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
    "Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
    Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
    Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
    E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
    Era este "Nunca mais". 
    Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
    Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
    E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
    Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
    Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
    Com aquele "Nunca mais". 
    Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
    À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
    Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
    No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
    Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
    Reclinar-se-á nunca mais! 
    Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
    Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
    "Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
    O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
    O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
    Disse o corvo, "Nunca mais". 
    "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
    A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
    A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
    Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
    Disse o corvo, "Nunca mais". 
    "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
    Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
    Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
    Disse o corvo, "Nunca mais". 
    "Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
    Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
    Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
    Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
    Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
    Disse o corvo, "Nunca mais". 
    E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
    No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
    Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
    E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
    Libertar-se-á... nunca mais!**

    Beijos, boa leitura...
    Fefa Rodrigues
         
         
        **Tradução e ilustração deste endereço aqui.