quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Germinal – Émile Zola

Entre os livros de fantasia e os romances históricos que eu amo, sempre leio um livro de algum escritor clássico. Vitor Hugo, Tolstoi, Gabriel Garcia Márquez, Alexandre Dumas, Charles Dickens... sempre foi assim, e aproveitei bastante a enorme biblioteca da Uniso enquanto o Davi estudou lá, já que ela tem muita coisa boa e dá para encontrar muitos clássicos da literatura.

Então, sempre que eu acabava um livro, o Davi já trazia outro, eu dava o nome de um autor que estava a fim de ler e ele mesmo escolhia a obra, e um dia ele me trouxe Germinal, acredito que o livro mais famoso do escritor francês Émile Zola. É um livro forte, impactante, e para mim, junto com Os Miseráveis e Guerra e Paz é uma leitura essencial.

Ano passado eu fiz colaborei na produção de uma monografia sobre a evolução das condições de trabalho e, mais do que livros técnicos, usei trechos dessa obra para mostrar um pouco das condições de trabalho no século XIX. Me disseram que o professor adorou.

A história se passa numa mina de carvão, na França do Século XIX. Os mineiros, homens, mulheres, crianças e velhos, trabalham horas e horas sem as mínimas condições, centenas de metros no interior da terra, andando por túneis que parecem labirintos, no escuro. Me lembram formigas. A cada dia deixam o trabalho esgotados para voltar para suas casas, ou casebres, gelados, sem comida suficiente para si e sua família. É sofrimento sem fim.

Numa certa madrugada, chega até vila de mineiros um jovem chamado Etienne. Ele, que acabou de perder seu emprego em uma fábrica, busca emprego na mina e é contratado para empurrar os vagões de coleta de carvão. Durante o trabalho torna-se amigo de Maheu, um antigo mineiro cuja família toda trabalha nas minas. Etienne acaba se apaixonando pela filha de Maheu, Catherine, que, como o resto da família, também trabalha na mina, mas, outro mineiro de nome Chaval também gosta dela, porém, ele tem um temperamento violento e obsessivo.

No inicio da história, Etienne se hospeda numa pensão e lá conhece Souvarine, se não me engano ele era russo e anarquista. O personagem começa a doutrinar Etienne no ódio ao capitalismo, ódio que cresce na medida em que o personagem conhece e sente na pele os sofrimentos dos trabalhadores da minas e, com a mente cheia de idéias solialistas, propõe a criação de um fundo para socorrer os mineiros durante a greve que estão planejando.

Nesse meio tempo, um dos filhos de Maheu vai morar com a moça mãe de seus filhos e, para ajudar nas despesas da casa, o mineiro convida Etienne para morar com eles. Num acesso de ciúmes, Chaval obriga Catherine a ir viver em sua casa.

Noutro ponto da história nós conhecemos a família de Negrel o engenheiro supervisor da Mina. Com uma vida oposta ao dos mineiros, a filha do engenheiro é gorda e se empanturra de comida, enquanto desfruta o luxo e conforto de sua enorme casa, mas, existem coisas na vida dos mineiros que causam ciúmes em Negrel.

O livro descreve, aos olhos de Etienne, o trabalho duro das minas e como, apesar de gastarem seus dias e sua saúde no lugar, o que ganham não é suficiente nem para suas mais básicas necessidades.

Famintos e em greve, os mineiros vêem seus filhos morrer de fome, e num rompante de ira tem início uma revolta. Quando já não suportam mais a situação, decidem voltar ao trabalho na Mina, mas a esta altura outros planos foram postos em prática e um terrível acidente ocorre. No final, a gente acaba com um gosto amargo na boca.

Eu considero esse um livro ótimo, um clássico que deve ser lido. Uma leitura que não visa exatamente o nosso divertimento, mas sim nosso crescimento. Uma história que muda nossa visão da vida e do mundo.

Agora uma constatação do dia-a-dia. Dia desses, estávamos aqui na minha sala falando sobre direitos humanos, quando uma colega – que não é advogada - disse: “Vocês advogados falam de direitos humanos, mas isso não serve para nada, só ta no papel”, no impulso respondi que “se não fossem os direitos humanos você estava trabalhando 18 horas por dia em troco de um prato de sopa”... a frase ficou célebre e me fez lembrar desse livro e agradecer pelas pessoas que lutaram e morreram para que eu, é, eu e você, hoje trabalhássemos em uma sala com ar condicionado e só até às 5 da tarde, com direito à férias, 13º, descanso semanal remunerado..... ! ;o)

Bom gente, fica ai mais uma dia...

Beijos e boa leitura!!!
Fefa Rodrigues

5 comentários:

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Fefa!

Não sumi, não, é que fiquie sem internet uns dias. Eu não li este livro, mas sempre que vejo o nome dele me lembro de um filme, Com Mérito, com o Brendan Fraser. è meio velhinho, mas eu adoro. Bom, tem um mendigo no filme que mora na bibliotece de Harvard, e ele é preso lendo esse livro. Não consigo não fazer a ssociação. Se você ainda não assitiu, eu recomendo. Uma bela lição de vida.

Beijos,

Nerito disse...

Pois é, eu também não li esse livro... e já vou atualizar minha lista de leituras futuras.

Ao ler sua resenha, fiquei lembrando de uma animação do Hayao Miyazaki, chamada Laputa. Essa animação tem algumas cenas em uma vila de mineiros.

Claro que Miyazaki romantiza demais a vida desses mineiros, mas acho que justamente essa romantização que deixa a coisa mais bonita...

Fefa Rodrigues disse...

Não sabia do filme... brigada pela dica Fe da trilha ;o)

Sobre essa animação, que o Nerito comentou, também não conheço e vou pesquisar, adoro descobrir coisas diferentes e outras formas de arte!!!

Muito obrigada aos dois pelas dicas!

Manuel Cardoso disse...

Ora aí está uma das minhas grandes falhas: nunca li Zola :( Mas vou ler e vou começar mesmo pelo Germinal.

Anônimo disse...

Como você disse. Muito se conquistou, quando se formou sindicato dos trabalhadores. As leis trabalhistas, melhoraram a vida dos trabalhadores.
Não li Germinal,mas li muita coisa sobre classe de trabalhadores.Sobre Karl Marx, comunismo. Filmes também. O interessante que era quase um xingamento, ser chamado de comunista. Quer dizer que os trabalhadores tinham que aceitar as condições subumanas de trabalho sem fazer nada? Hoje, muita gente ainda, tem medo e tem a pretensão de deixar oculta essas obras. Tem raiva desses livros.
Abç
Orquidea