segunda-feira, 21 de maio de 2012

Adélia Prado

Para começar bem a semana, nada melhor do que um pouco de assombro nas palavras de Adélia Prado.


Um dia,
como vira um navio
pra nunca mais esquecê-lo
vi um leão de perto.
Repousava
a anima bruta indivídua.
O cheiro forte, não doce,
cheiro de sangue a vinagre.
Exultava, pois não tinha palavras
e não tê-las prolongava-me o gozo:
é um leão!
Só um deus é assim, pensei!
Sobrepunha-se a ele
um outro animal
radiando na aura
de sua cor maturada.
Tem piedade de mim, rezei-lhe
premida de gratidão
por ser de novo pequena.
Durou um minuto a sobre-humana fé.
Falo com tremor:
eu não vi o leão,
eu vi o senhor.

                                                  Adélia Prado

Boa semana a todos...
Beijos,
Fefa Rodrigues

4 comentários:

Dora Delano disse...

e ela estava em nárnia?

Fefa Rodrigues disse...

É bem provável, Dora!!!:o)

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oh Grande Aslan!

Nerito disse...

Puxa... sem palavras!