sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Arquitetura da Destruição

Noutro dia, já faz bastante tempo, estava conversando com dois amigos aqui do trabalho, o Dudu e o Alê... falávamos sobre história e II Guerra, e o Alê me deu uma dica, o documentário Arquitetura da Destruição que eu baixei direto do Youtube e assisti já naquela época... ontem, estava fazendo uma limpeza no micro e encontrei os vídeos.


O documentário é sobre o nazismo, mas ele tem um foco diferente... a importância da “estética nazista” como fundamentou de uma ideologia tão agressiva. E, sinceramente, acho que só deve se aventurar em assisti-lo quem gosta muito de história. O filme é feito todo por meio de imagens originais, com uma narração ao fundo, então, quem não gosta, vai dormir nos primeiros minutos, já, quem gosta, vai assistir várias e várias vezes.
Aprendi com este documentário que a arte, o belo, era algo muito importante para o nazismo, mas a arte considerada boa. Para fomentar a boa arte, dezenas de mostras eram organizadas e, quando a “terrível arte moderna” começou a aparecer, os nazistas logo começaram apontá-la como uma prova da depravação e da inferioridade de outros povos, especialmente dos judeus.

Outro ponto que o documentário aborda são os planos arquitetônicos de Hitler para a construção de uma nova Alemanha, que seria o centro do mundo e, como tal, deveria ser o local mais belo da história. No filme, vemos uma maquete enorme do que seria Berlim após a Guerra, quando do Terceiro Reich enfim fosse uma realidade.

Essa busca pela beleza da sociedade alemã também foi a base para que os médicos, a pedido de Hitler, desenvolvessem teorias e idéias que justificavam a eutanásia de pessoas com deficiência mental ou com deformidade. Um dia estas idéias iriam apoiar o extermínio em massa dos judeus, ciganos, homossexuais dentre outros.


Já disse aqui, outro dia, que os romances históricos me ajudam a aprender história muito mais que a literatura especializada. Assim é que, lendo Queda de Gigantes eu começo a compreender como uma Guerra acontece. Porque, muitas vezes, à distância, a gente se pergunta “como é que as grandes nações, os povos que a gente considera tão civilizados, puderam entrar em Guerra? Como um inglês e um alemão, que são sinônimos de boa educação, resolvem se matar?”. Mas, acredito que, de todas essas perguntas que enchem a nossa mente, a mais difícil de entender é “como a Alemanha, aquele pais tão civilizado, educado, que não deve deixar cair uma bituca de cigarro no chão, foi deixar acontecer o Nazismo??”.

Eu acho que o que realmente acontece é que guerras e loucuras como o nazismo não acontecem de um dia para o outro, são cosias que vão sendo semeadas até que ganham vida própria e isso a gente percebe muito nitidamente em Queda de Gigantes especialmente no fim, quando a Alemanha está sofrendo todas as conseqüências por ter “perdido” a guerra e um jornal aqui, uma conversa ali, começa a sugerir que há um culpado por tudo aquilo, por toda a humilhação e sofrimento que o povo alemão está passando... os judeus.

Bom, divagações à parte, o documentário é muito interessante pra que, quem gosta do assunto, vá muito além daquela visão básica e taxativa de alemães, nazistas, Hitler e tudo mais. Indico, ainda mais com a facilidade de se baixar os vídeos pelo Youtube.

Beijos
Fefa Rodrigues

4 comentários:

Gabi Castro disse...

Oi fefa! Vi seu comentário lá no meu blog. É a primeira vez que eu leio Cem anos de solidão! =D Estou gostando bastante, apesar de estranhar um pouco o modo como o autor escreve (como uma eterna introdução...), mas por enquanto estou gostando. Uma coisa ruim é que os nomes são muito repetitivos: que povo sem criatividade! rs Quando eu acabar, falo mais sobre o que eu achei!

Beijos,

Gabi C.

CMachado disse...

Olá Fefa!
Realmente, os nazistas adoravam artes.
Tanto é que um filme baseado em fatos reais (The train) amei, em preto e branco. Com o ator burt lancaster.(faço coleção) se quiser faço uma cópia pra ti... Pois então, comprova o que seu documentário diz...
O coronel alemão Von Waldheim manda abarrotar um trem com obras de artes pilhadas da França, alegando que "arte é dinheiro", apesar do desgosto dos seus superiores para com a arte "degenerada" do impressionistas, e ordena a escolta do comboio para a Alemanha.
Adoooooro história como vc...
Ah, eu to no finalzinho de "O Eterno Homem" Dostô, já quase pegando a morte anunciada ok
bj
Orquidea

CMachado disse...

concordo qdo diz que as guerras e loucuras não são de uma hora para outra.. e não há desculpas para atrocidades... mas, pelo que nos diz a história, a Alemanha levar toda a culpa da 1° guerra, aliada ao povo começar a ter muita dificuldade tendo que pagar pela guerra. Empobreceu ao ponto de aquela velha história, um saco de dinheiro para trazer um tiquinho de comida... Daí fica fácil aflorar o ódio e a primeira pessoa que ver pela frente descontar (os judeus).
Como disse, não é desculpa, mas, parece-me que os judeus "sem pátria" crescia muito nos países dos outros, eles eram donos de lojas, banqueiros eles tinham dinheiro, parece que os únicos...
É a velha história sobre o ser humano, inveja... acho esse sentimento o mais perigoso de todos.
Orquidea

Fefa Rodrigues disse...

Orquidea... td bem?? ENtão, sabe no livro Queda de Gigantes tem uma momento, na Alemanha pós guerra, que uma das personagens, antes rica aristocrata, agora ganha a vida tocando piano em um clube noturno, e uma pessoa vem dar uma gorjeta pra ela e oferece 1 trilhão de marcos... ela diz que prefere 1 dólar!!!... Isso mostra a situação em que a Alemanha estava depois da Guerra... e realmente, é fácil culpar outras pessoas pelos nossos problemas, ainda mais se a gente achar um grupo diferente... no caso, os judeus, além de continuarem tenho dinheiro, eram diferentes dos demais....

Outra coisa, adoraria ver o filme que vc falou The Train... eu amo filmes em preto e branco!!!!