segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O Substituto


“Eu nunca me senti tão imerso e ao mesmo tempo tão desapegado de mim e tão presente no mundo.”
Albert Camus


Esse filme é de 2000 e eu só descobri sua existência por conta de uma postagem no face com uma cena do filme. Adorei a cena porque falava sobre a importância da leitura na nossa vida como único meio para evitar o emburrecimento endêmico de nossa sociedade. Então ontem, durante uma chuvosa tarde de domingo, vi o filme pelo youtube e digo que vale a pena assistir.

O filme conta sobre as três semanas em que o professor Barthes irá atuar como substituto de uma turma de adolescentes desinteressados e claramente emburrecidos. Entre as cenas do filme, aparecem algumas ilustrações, e uma das que mais me chamou atenção foi a cena de adultos “encoleirados”, sendo guiados por suas crianças.

O filme me deu uma sensação bastante opressiva. Ver aqueles adolescentes sem perspectiva, não por falta de condições econômicas, mas por falta de ambição, e ver adultos que se preocupavam apenas com a desvalorização dos imóveis do bairro por conta da queda da pontuação da escola nos testes quase me fez chorar.

Indiferença. Esse é o ponto principal do filme. A indiferença de professores, dos pais, dos alunos, e da sociedade.

Em certo momento, uma dos professores disse uma frase que vai ficar guardada comigo: “É fácil, é muito fácil não se importar, mas é preciso coragem e caráter para se importar”.  

Sinceramente, quando vejo filmes assim, fico me perguntando se há solução, se é possível mostrar para a sociedade e para os jovens especialmente, que há muito mais na vida do que a TV e a cultura pop oferece.


Vela e pena ver. 

Fefa Rodrigues

A menina que não sabia ler, vol. 2

Quando falei sobre A Menina que não sabia ler, vol. 1, disse que o livro daria um ótimo filme, e confirmo que o vol. 2 daria uma ótima sequencia!!



A história dessa vez se passa em uma ilha que serve de hospital psiquiátrico para mulheres e começa com a chegada de um novo médico, o Dr. Sheperd. O médico, que acabara de sobreviver a um acidente, logo é colocado à dura realidade do local dirigido pelo Dr. Morgan.

Um casarão, onde centenas de mulheres, que mais parecem mortas-vivas, passam seus dias entre tratamento de contenção, que incluem horas em banhos gelados, amarradas a cadeiras ou sentadas na sala do dia sem qualquer atividade. Mas um destino ainda pior é reservado às pacientes consideradas violentas. Essas, passam os dias trancadas em seus quartos.

Para Morgan, esse é o meio científico capaz de manter essas mulheres sob controle, já, o Dr. Sheperd, acredita no Tratamento Moral, uma forma de tratamento baseado na gentileza e bondade.

Depois de muitos debates, o Dr. Morgan autoriza o Dr. Sheperd a escolher uma paciente para usar como cobaia para o seu Tratamento Moral e, dentre todas as mulheres naquele local, Sheperd escolher uma jovem de olhos escuros e inteligentes, que fala de um jeito engraçado e que sofre de amnésia, lembrando somente de que para ela é expressamente proibido aprender a ler.

Logo o Dr. Sheperd percebe que o local parece mal assombrado, com pessoas – ou almas atormentadas – que vagam a noite por seus corredores e que o Dr. Morgan, junto com uma das mais cruéis atendentes do local, parecem esconder um segredo obscuro.

Então, o Dr. Sheperd terá que se proteger das inimigas que fez ali dentro e de seu passado, enquanto luta para conseguir que sua paciente Jane Pomba seja curada, para que não tenha que passar o resto da vida enterrada com as outras mortas-vivas do hospital.

O final é surpreendente!!

Agora, minha opinião, e portanto, com SPOILERS!!

Gostei muito da história. A forma como é escrita e a linguagem utilizada permite uma leitura rápida e deliciosa, que faz a gente não querer parar de ler. Os personagens são bem construídos, e suas características psicológicas são muito bem definidas.

Mas para mim, mais uma vez, o ponto alto é Florence, que nessa história não está em destaque, não é a personagem principal durante o decorrer da narrativa, mas ao final, a gente percebe que sim, ela é o centro de tudo, porque tudo acontece como ela deseja.

Quando comentei sobre o vol. 1, disse que acreditava que Florence, que naquele livro era a personagem principal da história, era uma psicopata. Nesse segundo volume isso se confirma.

Mas ela não é uma psicopata cruel que mata por prazer. Eu não consigo deixar de admirar sua praticidade e a forma como ela se livra de quem lhe causa perigo. Outro ponto fantástico da personalidade dela é sua capacidade de por mentir de forma natural para alcançar o que quer.

Florence é extremamente inteligente e eu “amei” a forma como ela manipula as pessoas nessa história sem que nem o mais esperto perceba que está, na realidade, agindo conforme ela quer.

Lembro que disse, também, que a história do vol. 1 merecia uma continuação, e o vol. 2 é uma continuação à altura, com um final surpreendente e tenho uma leve impressão de que essa história não acaba aqui.

Beijos e boas leituras....
Fefa Rodrigues




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Garota Exemplar – Gillian Flynn



Gostei. Muito. De verdade. Não é o estilo de livro que eu costumo ler, mas foi uma ótima leitura. Rápida, apenas cinco dias, o que para mim é pouco já que só leio a noite e minha amiga Lu, que me emprestou o livro, deve ter lido em três dias, no máximo!!! (A Feee do Na trilhados livros vai ler em uma ida de busão ao trabalho!!!).

Para mim, o ponto alto do livro é a estrutura das personagens, a construção de todo perfil psicológico deles é ótima!!

Amy Elliot é uma mulher linda, excepcionalmente inteligente, culta e muito rica. Filha de escritores de uma série de livros inspirados em sua infância – Amy, Exemplar, que por três décadas foi leitura obrigatória no sistema educacional norte-americano. Amy é uma figura conhecida e admirada que, como uma estrela de cinema, já sofreu com perseguições e pessoas obcecadas por ela. Apesar de seu enorme pecúlio, recebido em razão da venda dos livros ela, que tem mestrado em psicologia, trabalha para uma grande revista.  

Nick Dunne é um homem bonito, atraente e culto. Apesar de sua origem em uma família humilde e meio desequilibrada, com um pai machista e violento e uma mãe doce e submissa, ele é um ótimo jornalista que trabalha para uma revista cult sobre cinema e, apesar de não chegar aos pés do brilhantismo de Amy, é um cara inteligente por quem ela se apaixona.

Amy e Nick se casam e nos três primeiros anos de casamento a vida parece perfeita. Mas então vem aquela grande recessão sobre os Estados Unidos, e os dois perdem seus empregos. Ao mesmo tempo, os pais de Amy começam a passar por dificuldades financeiras, e sua fortuna acaba se dilapidando aos poucos.

Sem muita opção, e com a notícia de que a mãe de Nick está em fase terminal de câncer, eles se mudam para uma pequena cidade falida do meio-oeste do país. UMa cidade que não tem nada a oferecer, nem a seus moradores caipiras e medíocres, muito menos a brilhante Amy que sofre muito com aquela mudança para a cidade natal de Nick, deixando sua vida balada em Nova York para trás. Apesar da aceitação de Amy com aquela mudança, Nick se sente culpado por arrastar sua esposa para o meio do nada.

O casamento dos dois começa a passar por uma certa crise, mas Amy está disposta a agir para que as coisas voltem a ser como antes, então, prepara a tradicional caça ao tesouro que ela faz para ele todo ano no dia do aniversário do casamento dos dois, onde ela vai demonstrar todo seu amor por ele e presenteá-lo, ao final, com uma grande surpresa.

Naquele dia, Nick esta trabalhando em seu bar quando recebe o telefonema de seu vizinho, dizendo que a porta de sua casa está escancarada há horas. Ele então corre para casa e encontra uma cena assustadora. Móveis quebrados, o ferro de passar roupas ligado, cacos pelo chão sem que sua esposa esteja em qualquer lugar. Tudo indica que se trata de uma cena de crime. Nick então chama a polícia imediatamente.

E aqui é que a história começa a ficar muito boa, porque entra em cena a manipulação da opinião pública pela imprensa, um ponto muito bem explorado no livro. Nick, que sempre teve problemas com seu pai machista e durão, o que fez dele um homem que não consegue expressar emoções em público, logo cai na armadilha da imprensa e de todos aqueles moradores daquela cidade falida, ávidos por ter seus 15 minutos de fama.

Agora, dezenas de pessoas jurando terem sido as melhores amigas de Amy naquele fim de mundo, tem algo para contar sobre as revelações que Amy fazia sobre Nick e sobre como ele tem parece culpado do “assassinato” de sua esposa, mesmo sem que seu corpo tenha sido encontrado.

A partir dai, entre trechos do diário de Amy e os acontecimentos narrados dia-a-dia por Nick, um terceiro personagem aparece. Uma mente doentia e psicopata. Intimidadora, manipuladora e que se aproveita dos pequenos contratempos da vida do casal para chegar ao seu objetivo.

O final do livro me deu uma sensação estranha, uma sensação de que não poderia acabar ali, de que tinha que ter mais, tinha que continuar.... porém, é o final perfeito para a proposta da autora.

Lá em meu trabalho, a gente brinca sobre uma pessoa que trabalhou lá um tempo atrás. Chamamos de “Psico” porque ela não teve pudores em mentir, manipular e jogar uns contra os outros. Apesar de ser uma “brincadeira” é de se pensar sobre os possíveis psicopatas e sociopatas que podem viver a nossa volta sem que percebamos.

Um bom livro gente, e a adaptação para o cinema com o Bem Affleck no papel de Nick sai em outubro!!

Dá tempo de ler antes do filme chegar!!!

Agora, vou para a leitura de Justa: Trocando a Alemanha Nazista pelo Brasil.

Beijos, boas leituras e ótimo fim de semana!!!

Fefa Rodrigues

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Prelúdio de Sangue - Jean Plaiy



Essa é uma série gigante!!! São 14 livros que contam a Saga da Dinastia Plantageneta, família que reinou na Inglaterra por muitos anos e que estão sempre presentes nos romances históricos medievais que adoramos.

Nesse, que é o primeiro volume da série, a história começa com Eleonora de Aquitânia, uma jovem e rica herdeira que, após a morte de seu pai, se casa dom Luis da França e se torna rainha.

Eleonore é uma jovem linda, extremamente inteligente e sensual, que adora os prazeres da vida. Ela é forte e autoritária, e seu casamento com o fraco Luiz não lhe satisfaz. Assim, a rainha leva a vida colecionando amantes até que conhece Henrique Plantageneta.

Henrique é 12 anos mais jovem que Eleonore, a rainha tinha sido amante de seu pai, mas sua beleza e esperteza que, tinha tido seu pai como um de seus amantes. Ele é filho de Matilda, que herdara o trono da Inglaterra após a morte de seu pai, Henrique I, mas que não tinha conseguido manter a coroa, perdendo para seu primo Estevão.

Henrique é um homem forte, ambicioso e, apesar de não ter beleza física, conquista Eleonore que não descansa até conseguir se divorciar do rei da França e se casar com seu amante, que sem qualquer dificuldade, assume o trono inglês após a morte de Estevão, dando início a Dinastia Plantageneta.

Aqui chegamos a quase metade do livro e até então o centro da história é Eleonore, mas, a partir de então, o foco muda para o Rei Henrique II, e foi então que eu comecei a gostar realmente do livro que passa a narrar como esse forte rei reorganizou o país, livrando da guerra civil e da falta de ordem e lei que prevaleceram durante o reinado de Estevão.

É um bom romance histórico. É verdade que falta aquela característica típica do Cornwell de preencher as lacunas da realidade com ficção, fazendo com que as tramas imaginárias sejam a ligação entre os fatos históricos. È um livro que conta a história “á seco”, digamos assim, mas mesmo não sendo fantástico como os romances do Cornwell, é uma história muito bem escrita e coerente com os fatos reais.

Como eram 14 livros, eu achei melhor comprar apenas o primeiro e ver se eu gostava do estilo para então começar comprar os outros. Eu gostei bastante, então terei que separar uma prateleira inteira para essa saga!!!

Borá ler Garota Exemplar, Gillian Flyn, por indicação e empréstimo de minha grande amiga Luly’z!!!


Beijos e boa leitura.

Fefa Rodrigues