terça-feira, 26 de março de 2013

A Rainha Branca – Philippa Gregory


Este livro foi meu primeiro contato com essa escritora de romances históricos que sempre tem como foco a monarquia da Inglaterra (aliás, há alguma fonte mais proveitosa do que a história da Inglaterra para nossos amados romances históricos?). Claro que, sendo o Cornweel o escritor de romances históricos mais lido por mim, ele acaba sendo o ponto de comparação, então fui para esse romance tendo os dele como comparativo.



Vou resumir a história antes de fazer meus comentários sobre o livro. O romance começa com Elizabeth Rivers, uma mulher belíssima e que teve seu marido morto na guerra entre os York e os Lancaster, parada junto a estrada, aguardando Eduardo York, que acabou de tomar para si o trono da Inglaterra. Apesar de sua família ser lancasteriana e seu marido ter morrido lutado pelos Lancasters, ela espera conseguir o favor do jovem rei para retomar sua herança, já que sua cobra, quer dizer, sua sogra, se apossou de suas terras. E é assim que ela conhece o lindíssimo Eduardo e, com sua beleza, inteligência, malícia e um toque de mágica conquista seu coração.

Os dois se casam em segredo e, quando Eduardo retorna de sua campanha vitoriosa, retoma Elizabeth, porém, seu casamento com ela até então era segredo e nem seus conselheiros mais próximos sabiam disso. Esse casamento contraria as expectativas de Warnick, seu mentor, que pretendia casar o rei com uma princesa francesa. Elizabeth então vai para a Corte e começa a “ajeitar” a vida de sua família, o que gerea ciúmes de muitas famílias mais tradicionais do que a dela. Além da antipatia de muitas das famílias mais importantes, Warnick acaba traindo o jovem rei e se unindo a Margareth d'Anjou, a francesa esposa do Rei Henrique e que foi deposta juntamente com seu marido pela casa York. Ou seja, as guerras pelo trono recomeçam, e então passamos a acompanhar os quase vinte anos de união de Eduardo e Elizabeth e suas lutas para manter o trono, garantir a segurança de sua família, a paz do no país e gerar herdeiros.

Já nas primeiras páginas do livro eu me apaixonei. Me apaixonei por Eduardo, e por Elizabeth e por sua mística mãe, Jacqueta. Estava adorando a história, torcendo para ele voltar da guerra e os dois ficarem juntos, mas, quando isso enfim acontece, achei que as coisas começaram a ficar muito monótonas. Isso porque, em meio a tantas batalhas e guerras, a gente só acompanha Elizabeth e sua vida na corte, e como a vida dessas mulheres era sem graça!!!

Então, para nós que estamos acostumados com sangue jorrando para todo lado nos livros do Cornweel, com batalhas, paredes de escudos e flechas disparadas por exímios arqueiros, ficar ao lado dessa rainha, em frente a lareira, aguardando notícias do campo de batalha é muito sem graça, por isso é que, para mim, essa fase do livro deixa a desejar. Achei que faltou um pouco de “fantasia” cobrindo as lacunas da história, um “recheio” para a realidade sem emoção. Acredito que é o que Cornweel teria feito, criado algo que tornasse esses dias interessantes, algo que os livros de história não contam. É verdade que no livro, por duas vezes Elizabeth consegue influenciar a batalha com seu "poder" sobre a ação da água, mas é coisa pouca. Podia ter mais ação. 

Outro ponto que eu percebi é que esse é um romance para mulheres. Acredito que, dificilmente, um homem vai gostar de ver a história pela ótica feminina e, nós mulheres que gostamos de ação e de emoção, também acabamos achando meio água com açúcar. Por isso que eu acho que faltou um pouco de “intrigas palacianas” e de fantasiar com os personagens e com os acontecimentos históricos... talvez um toque de ousadia tivesse deixado as coisas mais interessantes.

Mas então o Rei Eduardo, após conseguir consolidar seu trono, depois de sair invicto de todas as batalhas que lutou, morre de febre, deixando dois filhos herdeiros, Eduardo, príncipe de Gales, com 12 anos e Ricardo, com 5 anos, além de seu irmão que quer ser rei, também chamado Ricardo, e que foi nomeado pelo Rei Eduardo, em seu leito de morte, como guardião do príncipe. Tem também outros dois pretendentes ao trono da Inglaterra, o Duque de Buckingham e ninguém menos que Henrique Tudor, que está exilado na Bretanha desde a infância, mas que, juntamente com a mãe, está só esperando o momento para retornar e tomar o trono.

Ricardo, o tio, na maior “trairagem”, sequestra o Príncipe Eduardo e o prende na Torre de Londres,  consegue que o Parlamento declare que o casamento de Elizabeth e Eduardo foi obra de bruxaria e que não tem validade e que seus filhos, portanto, são bastardos, o que o torna o herdeiro do irmão e enquanto viaja pela Inglaterra afirmando seu reinado, Elizabeth se refugia na Abadia de Westeminter com suas cinco filhas e com o pequeno Ricardo, e de lá tenta organizar a oposição ao falso rei. E é ai que a história começa a ficar mais interessante, mais emocionante, porque a partir dai a gente acompanha sua ação, mesmo de dentro da abadia, para tentar derrubar Ricardo e restaurar o Príncipe Eduardo.

A partir dai, já estamos nas últimas 100 páginas do livro, mas a história fica muito emocionante e o livro acaba bem na hora em que Elizabeth tem tudo em suas mãos para restaurar o poder de sua família. Como é um romance histórico, a gente já sabe como algumas coisas vão terminar, mas a deixa final torna irresistível a leitura do segundo volume que, até onde eu sei, ainda não foi publicado. 

Então, amigas e amigos, eu posso dizer, ao final da leitura, que foi um livro que eu gostei muito, apesar desses pontos levantados e que, para quem ama história, é uma delícia de ler. Então coloco ele como dica de leitura!!! Gostaria de uma opinião masculina quanto ao livro, para avaliar se eu estou certa em afirmar que é um livro que vai agradas as mulheres.

É isso ai gente, agora minha leitura será Agosto, do Rubem Fonseca, um romance histórico sobre os últimos dias de Getúlio Vargas. O livro é pequeno e com esse feriado pela frente, acredito que vou ler bem rápido.



Beijos e boas leituras...
Fefa Rodrigues

4 comentários:

Nadia V. disse...

Pena que você não gostou, Fefa. Eu gostei muito. Não li fazendo comparações. Não acho proveitoso. Então não esperava nada parecido com o Cornwell. Simplesmente curti o que a autora tinha para oferecer. Já foram publicados 4 livros dessa série. Só não ainda no Brasil.
Aqui o link do site da autora falando sobre os livros.

http://www.philippagregory.com/work/10-the-cousin%E2%80%99s-war-series/

Beijos e boas leituras.

Dora Delano disse...

adoro a monarquia inglesa! Tá na lista!


Ahhh! Comprei o volume único das Crônicas de Nárnia!

Fernanda Cristina Vinhas Reis disse...

Oi Fefa!

Ainda não li nada dela, mas tenho os dois primeiros dos Tudor na estante, só esperando. Esse foi baseado na Guerra das Rosas? Se foi, essa disputa foi o que inspirou As Crônicas do Gelo e do Fogo, então já é motivo para ler :)

Beijos!

Nadia V. disse...

É verdade, agora vai ficar mais emocionante. A filha dela terá muito mais importância na história. Só não entendi a ordem com que autora escreveu os livros. A Philippa Gregory é meio confusa nessas séries.