sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Um pouco de poesia...

"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."


                                                                                    - Cecília Meireles -

Um pouco de poesia...

“A solidez da terra, monótona,
Parece-nos fraca ilusão.
Queremos a ilusão grande do mar,
multiplicadas em suas malhas de perigo.”


                                     - Cecília Meirelles -

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Hoje te convido para...

Pensar na morte e viver a vida.

A morte assusta, é verdade. Assusta a nós, os adultos, e assusta também os pequenos. Foi por isso que tentei dar uma explicação para meu sobrinho, quando ele me perguntou sobre o assunto, que fizesse com que ele não temesse a morte. Para isso usei as palavras de alguém que entende do assunto, o Grande Aslan.

Interessante que aquela é a postagem mais visitada deste blog!!

A questão é que, pensar na morte não é um problema em si, mas dedicar muito tempo a tal pensamento ou  temer demais sua chegada, enquanto ainda há vida para ser vivida, me parece um desperdício, já que nosso maior temor deveria ser, na verdade, a vida, ou melhor, a forma como vivemos ou deixamos de viver a vida. Nisso, mais uma vez a poesia de Mario Quintana me ensinou grande lição.

“Um dia... pronto!... me acabo.
Pois seja o que tem de ser.
Morrer: que me importa?
O diabo é deixar de viver.”

O diabo é deixar de viver. Esse é o real problema com o qual devíamos nos preocupar!! E, para mim, a lição do Quintana se completa com as palavras de Rubem Alves:

“O medo não é uma perturbação psicológica. Ele é parte de nossa própria alma. O que é decisivo é se ele nos faz rastejar ou se ele nos faz voar. Quem, por causa do medo, se encolhe e rasteja, vive a morte na própria vida. Quem, a despeito do medo, toma o risco e voa, triunfa sobre a morte. Morrerá quando a morte vier. Mas só quando ela vier.”*

Morrer não é o problema, deixar de viver sim, é um problemão!!! Então, mais do que pensar na morte e muito mais do que temê-la, hoje te convido para viver a vida da melhor forma possível e para deixar para morrer apenas e só quando a morte chegar, o que pode vir a acontecer hoje mesmo ou só daqui há uns 50 anos – assim espero!!

A expressão acabou ficando meio batida, mas sua essência ainda vale a pena: Carpe Diem!!!

Beijos.
Fefa Rodrigues


*Trecho retirado do texto Tenho Medo..., publicado em Um Mundo num Grão de Areia, pag. 29/34, livro que reúne textos do Rubem Alves, esse grande escritor e pensador brasileiro.

**Aproveitando a deixa que tal procurar o filme Sociedade dos Poetas Mortos para assitir hoje a noite, heim?!?!?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Palavras... Cecilia Meirelles

"Entre o desenho do meu rosto
e o seu reflexo,
meu sonho agoniza, perplexo.
Ah! Pobres linhas do meu rosto,
Desmanchadas do lado oposto,
e sem nexo.

E a lágrima do seu desgosto,
sumida no espelho convexo."


- Cecilia Meirelles -                             

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Filha da Fortuna – Isabel Allende

Já disse aqui que sou uma pessoa de fases, especialmente no que diz respeito à leitura, então, tive uma fase de escritores latinos e eu amei. Começou com Gabriel Garcia Marques, passou por Llosa, Borges, Allende...

Confesso que, de todos os escritores latino-americanos que eu li, Isabel Allende foi a que menos me agradou, então, acabei ficando apenas em Filha da Fortuna. Acredito que eu ia gostar mais de Casa dos Espíritos, pelo que vi no filme, porém, não cheguei a ler essa obra.

Talvez seja só minha falta de conhecimento e entendimento técnico da obra da escritora, mas eu identifiquei um quê de novela mexicana neste livro.

A história gira em torno de Eliza, uma garota abandonada ainda bebe na porta da casa da rica família Sommers, enrolada num velho casaco masculino – esse casaco é importante para a história! A família, de origem inglesa, adota e cria a garota que vive meio que fora da realidade, talvez por conta das versões que lhe são contadas sobre suas origens.

A menina rica acaba se apaixonando por um dos funcionários de seu tio, que eu não lembro o nome. Um garoto pobre, mas orgulhoso e com a cabeça cheia de idéias revolucionárias. Eles iniciam um romance entre os tapetes e cortinas guardados no sótão, mas, quando Eliza descobre que está grávida, o namorado tinha partido para os Estados Unidos, durante a fase conhecida como a “febre do ouro”, em busca de riqueza e de uma vida melhor.

Eliza, desesperada com sua situação e por ser separada do rapaz que ela amava, consegue embarcar clandestinamente em um navio, dando em troca uma preciosa jóia que recebera de presente da tia, e segue para os Estados Unidos em busca do amante. No navio, Eliza conhece um chinês que acaba se revelando um médico talentoso e experiente, mas que teve uma vida difícil e sofrida. Parece que gostei mais da história do chinês que do restante.

Quando chegam aos Estados Unidos, Eliza está fraca demais, pois sofreu um aborto durante a viagem, e o chinês fica com ela. Eles acabam se tornando amigos, uma família um para o outro, e juntos vão tentar encontrar o amante de Eliza, numa terra ainda sem lei e cheia de perigos.
A história então se desenrola enquanto Eliza se finge de homem e passa a trabalhar como pianista numa “casa de tolerância”, sempre em busca de seu amado, aqui o quê de novela mexicana.

A história de Eliza é interrompida e a autora passa à história de outros personagens que acabam se entrelaçando uma à outra.

O final foi algo de que eu não gostei muito. Parece que acaba sem acabar, fica faltando alguma coisa... muitos pontos sem explicação... uma sensação de “meu livro veio faltando o último capítulo”.

A história tem aquela essência que lembra um pouco o Gabo, aquele “absurdo da existência humana”, mas, minha opinião é de que esta obra fica muito aquém das demais obras dos escritores latino-americanos.

Vale a pena ler? Vale, para conhecer um pouco mais da literatura destas bandas, mas se for para indicar um escritor latino, indico sem duvidas Gabriel Garcia Marques e a leitura, pelo menos, dos seguintes livros: O Amor nos Tempos do Cólera, Cem Anos de Solidão e Do Amor e Outros Demônios, nessa seqüência, depois os demais...

Beijos e boa leitura!!
Fefa Rodrigues

Apaixonada por Risoto!!

Eu achava que era coisa de outro mundo. Eu tinha certeza de que era um bicho de sete cabeças. Mas, fazer risoto é mais fácil do que se pode imaginar!!

Noutro dia publiquei uma postagem convidando a todos para inventariar suas felicidades e fiz uma minha lista de coisas que são motivo certo para meus sorrisos. Na noite de sábado pude desfrutar de quatro daqueles itens, a voz do Davi, tempo com meus irmãos, sorvete e um delicioso Risoto que eu mesma preparei sob a supervisão da irmã!!

Até bem pouco tempo minha idéia de risoto se resumia ao arroz com frango desfiado, milho e ervilhas que serviam pra gente na merenda do Eugênio Santos, por isso, quando meu amigo Dudu falava de risoto com água na boca, eu não dava muita bola, até que, numa bela noite, minhas irmãs me convidaram para jantar num restaurante aqui da cidade que, até então, eu ainda não tinha visitado, o Ópera Mix.

Quando fui escolher meu prato, me lembrei do Dudu falando de risoto e resolvi pedir um de camarão, foi então que eu descobri uma nova paixão: Risoto!!!

Que coisa deliciosa! Daí que, a cada nova visita ao restaurante, eu provava um risoto diferentes, funghi, salmão, camarão, aspargos, à moda do chefe, filé mingnon, bacalhau, quatro queijos... me dava água na boca só de pensar e eu pensava bastante em risoto!! Não via a hora de chegar o sábado para irmos jantar no Ópera!!!

De tão fã que eu e minhas irmas nos tornamos do risoto de verdade, que a Frany, irmã caçula e prendada, acabou aprendendo a fazer o prato, e nesse sábado o jantar estava marcado e eu cheguei antes para aprender também.

Então, foi uma ótima noite de sábado, com quatro dos motivos que me fazem sorrir, e alguns outros que, apesar de não listados, também me fazem feliz!!

Estou aprendendo a me aventurar pela cozinha, e está sendo muito legal fazer pratos mais incrementados... então, com essas minhas novas experiências e fugindo um pouco da tradicional dica de leitura, a dica de hoje é Risoto!! Que tal experimentar?!?!

Os ingredientes.... ou parte deles hehehe...





O preparo...



Eu num momento Ratatouille...




O Risoto pronto...

Pera com Gorgonzola

Funghi
Beijos e bom apetite...
Fefa Rodrigues

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Discursos que mudaram o Mundo


Lembro-me que há muitos anos ouvi uma pregação que começou com a frase “Eu tenho um sonho...”. Naquela época, há uns bons 15 anos, eu nunca tinha ouvido falar de Martin Luther King, mas, depois de ouvir o pastor ler alguns trechos daquele famoso discurso, como sempre me acontece, passei a pesquisar e ler tudo que encontrei sobre ele.

Era uma época em que a internet não estava disponível para todos, então, mesmo encontrando biografias e outras informações sobre aquele homem fascinante na Biblioteca Municipal, nunca encontrei a integra do tal discurso.

Minha mãe até me deu uma pequena biografia ilustrada, e eu nunca vou me esquecer do rosto de menino assustado, na ilustração que mostrava ele ainda garoto, em frente a casa de um de seus amigos, enquanto a mãe do garoto branco tinha uma expressão negativa no rosto. Um era negro o outro branco por isso eles não poderiam brincar juntos.

Com o passar do tempo, na Escola Dominical, nas aulas do colégio e depois nas aulas da Faculdade, sempre ouvia, aqui e ali, menções a trechos de discursos que tinham influenciado multidões, que tinham mudado o mundo, e isso sempre despertava minha curiosidade. Eu queria ler aqueles discursos inteiros, eu queria saber de memória trechos que pudessem ser citados durante as conversas, então, quando se tornou possível ter internet free em casa, comecei a buscar estes textos. Encontrei muita coisa legal e, também, o tal discurso do Reverendo Martin, salvei em disquetes, depois em CDs, e por fim no pen drive.

Mas, como eu gosto mesmo é de papel na mão, quando vi que a Coleção Folha – Livros que Mudaram o Mundo teria, dentre as obras oferecidas, esta coletânea de discursos, marquei um X enorme no calendário, assinalando o fim de semana em que o livro estaria nas bancas, e aguardei ansiosamente sua chegada... ai está ele!!

Se não me engano, essa compra aconteceu no ano passado e considero uma dica bacana, especialmente para quem gosta de história. Não sei se ainda é possível encontrá-lo em alguma banca de jornal, mas, talvez, em um sebo ou direto na editora ele ainda esteja disponível.

Eu amo história, e é assim que eu gosto de pensar na história, pessoas de verdade que fizeram coisas por ideologia, teimosia ou burrice mesmo, muitas vezes sem poder imaginar as conseqüências que seus atos teriam, mas, outras tantas vezes certos de que estavam marcando a história – aliás, foi assim com Getúlio e suas ultimas palavras: “deixo a vida para entrar para a história”.

Por isso, quando li o discurso do Churchill, fiquei imaginando ele sentado em sua mesa, escrevendo aquelas palavras oferecendo seu “sangue, suor e lágrimas” contra o inimigo que se aproximava, enquanto bombas nazistas explodiam por metade da Europa e a cada dia mais perto de Londres.

Li as Teses de Abril de Lênin pensando no homem naquele trem, viajando de volta para sua Rússia, após o exílio, com grossas peles envolvendo seus ombros. Não sabia o estrago que causaria, quanta dor, terror, medo e sofrimento viriam a seguir.

Li as palavras de Hitler tentando imaginar o que leva uma pessoa a não temer qualquer tipo de justiça, a se despir completamente de qualquer senso de humanidade? Mas confesso o mesmo sentimento de perplexidade quando li o discurso de Truman.

Senti a ira e a dor de Roosevelt enquanto decretava que “aquela data ficaria para sempre marcada pela infâmia”, suspirei pela paz com as palavras de Gandhi pela “importância da não-violência”.

Cada um dos discursos que estão neste livro, de Jean Jaurés a Barak Obama, me fizeram viajar pela história, me levaram a rever os fatos, pensar e entender melhor os acontecimentos, por isso acredito que esta é uma dica de leitura preciosa.

Esses discursos são apenas palavras, mas palavras tão poderosas que foram capazes de mudar e influenciar os rumos da história!!

Beijos.
Fefa Rodrigues 

Hoje é meu Aniversário e sobre As 10 coisas que pretendo fazer antes de morrer...

Hoje é meu aniversário. Adoro dia de aniversário. Abraços, beijos, desejos de felicidade e de que sonhos se realizem. Mas, por muito tempo, não gostava que perguntassem minha idade, mesmo que sempre chutassem menos do que diz minha certidão de nascimento.

Mas isso não era por vaidade. É só porque, por muito tempo, eu tive a sensação de que  estava atrasada na vida. É que, diferente de meus amigos que cresceram comigo, eu não fui pra faculdade assim que terminei o colegial, por motivos financeiros e de saúde, tive que aguardar quatro anos antes de entrar pelas portas brancas da FADI.

Depois, mesmo passando no meu primeiro exame da ordem, não comecei a trabalhar imediatamente depois de formada, questões burocráticas atrapalharam e, mesmo tendo sido aprovada em dois concursos públicos, num deles em primeiro lugar, demorou mais de um ano e meio para que eu fosse convocada.

Daí que sempre me parecia que todos aqueles que tinham a minha idade estavam vários passos a minha frente e, na verdade, estavam. Minhas amigas compram carros, eu não. Minhas amigas se casaram, eu não. Minhas amigas tiveram filhos, eu não. E tudo isso fazia com que eu me sentisse incomodada quando perguntavam minha idade.

Acontece que, neste ano, eu percebi que as coisas mudaram. Agora, enfim, após anos de tormentas, navego por águas calmas e posso me dedicar a tornar realidade alguns dos meus sonhos que até agora tiveram que permanecer sendo apenas sonhos!!

Acho que foi por isso que aquele discurso do Steve Jobs, que eu vi há muito, muito, muito tempo atrás, falou tanto comigo. Ele disse que a história dele foi escrita por pontinhos esparsos e que, olhando apenas cada um dos pontinhos não era possível ver nada, porém, quando ele olhava para trás, podia ver que todos os pontinhos juntos tinham lógica, e eram eles que tinham guiado ele até ali.

Eu realmente ainda não fiz muitas das coisas com as quais sonhei e tem uma dessas coisas que sempre esteve tão longe do alcance de alguém como eu que sempre chamei-a de “sonho impossível”, mas que, a cada dia, parece que se torna menos impossível e hoje eu vejo que todos os não que a vida e algumas pessoas me deram serviram para me guiar a um sim que está se aproximando!

Para ele eram pontinhos, para mim são nãos que antes não faziam sentido, mas que agora se mostram como o imã que me atraiu até o lugar certo.

Então, chegado o dia do meu aniversário e na atual situação em que me encontro, me sinto à vontade e mesmo no dever de criar minha lista de “coisas que quero fazer antes e morrer” sem qualquer medo de que fiquem apenas no papel.

Esta é a lista do que eu pretendo fazer e, vencida esta lista, outra será feita, e outra, e outra, e outra... até o fim dos meus dias.

1.      Beijar o Davi no alto da Torre Eiffel;
2.      Tocar as paredes do Coliseu;
3.      Ver o sol nascer através de Stonehenge;
4.      Mergulhar na praia de Perth;
5.      Tirar uma foto na frente da igrejinha de Trancoso;
6.      Tomar uma dose de absinto no Café Slavia – e, quem sabe, ver a fada verde!;
7.      Olhar nos olhos da Moraliza;
8.      Andar pelas ruas de Barcelona;
9.      Juntar um punhado de neve nas mãos;
10.  Conhecer um castelo de verdade, daqueles que tiveram caveleiros defendendo suas muralhas e que, preferencialmente, esteja na Irlanda!

E você, já tem uma lista destas? Já riscou muitos pontos da sua lista?

Beijos a todos!!
Fefa Rodrigues

sábado, 5 de novembro de 2011

Pensar é Transgredir – Lya Luft

Assim que eu terminei de ler Um Mundo num Grão de Areia, do Rubem Alves, livro que me rendeu tantas anotações que garantiu material para dezenas de postagens, me lembrei desse livro da Lya Luft que ganhei da minha irmã Tata em algum dos muitos aniversários que eu já comemorei e que, depois de lido e relido, acabou esquecidinho ali na estante.


O livro, assim como o do Rubem Alves, é uma coletânea de textos e crônicas da autora, publicados, se não me engano, na revista Veja. Aliás, a única coisa que eu considerava ler na revista Veja eram os textos quinzenais dessa escritora que, como me aconteceu com outros maravilhosos escritores, com destaque para Gabriel Garcia Marques, eu só conheci graças às horas que eu passava na biblioteca da Faculdade, após as aulas, enquanto esperava meu ônibus chegar... horas sem fim, intermináveis, agravadas pela fome e pelo pensamento de que meu almoço só aconteceria as 14:00h!! Ôh tempos difíceis, heim!!!

Como já comentei, a biblioteca da Faculdade - na verdade eram duas, e uma das razões de maior orgulho dos alunos que estudavam lá - tinha suas prateleiras recheadas apenas com livros de direito e, diferente do que acontece na também mega-uper biblioteca da Uniso, na FADI não tinha quase nada de literatura, mas, por outro lado, todos os periódicos possíveis e imaginais chegavam lá.

Foi assim que conheci revistas que antes nunca tinha ouvido falar como Carta Capital, Caros Amigos, Bravo e, meu coração que já era avermelhado tingiu-se completamente, em especial, graças à influência de meus queridos mestres, que eram mestres no sentido literal da palavra!!

Quando chegava a sexta-feira, eu já tinha lido tudo que tinha para ler, todas as reportagens das minhas revistas preferidas, então dava uma folheada na Veja e, foi assim que eu descobri essa cronista e me apaixonei por seus textos quinzenais. Cheguei a ponto de fazer a mocinha do acervo resgatar todas as revistas que estavam guardadas para que eu pudesse xerocopiar os textos da Lya Luft, e até hoje tenho eles guardados numa pasta.

Sabedora dessa minha paixão e tentando facilitar minha vida, minha queria irmã me deu esse livro, que tem alguns textos que eu já conhecia, mas que mereciam ser relidos, e outros que eu nunca tinha lido.

Como, além de romances, eu também simplesmente amo este tipo de textos, queria deixar mais esta dica para todos que amam ler, para aqueles que conhecem a Lya Luft, ou como eu nunca tinham ouvido falar dela, uma leitura que ensina muito, faz pensar, ver as coisas sob ângulos distintos, gostei muito mesmo... apesar dela ser cronista da Veja (adorava aquela comunidade no orkut “Leu na Veja? Azar o seu!”).

ai mais uma dicazinha!!!

Beijos, boa leitura, bom sábado... e deixa eu cair na piscina que o sol brilhando lá fora!!
Fefa Rodrigues

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Hoje te convido para...

Olhar o mundo e ver o que há além do óbvio.

Uma vez eu li que Nietzsche dizia que a primeira tarefa da educação deveria ser ensinar a ver. Triste pensar que ainda hoje há quem, apesar de ter olhos perfeitos, continue cego, ou, no dizer de Rubem Alves, seja um “analfabeto no olhar”.

Interessante que, sempre que converso com meu amigo Dudu, sobre a pós em Direitos Humanos que ele fez lá na USP, ele me diz que foi como se aqueles professores, em especial o Dalmo Dallari, tivessem aberto uma janela para o mundo e levado ele a olhar por ela. São mestres que ensinam muito além da ciência, pois ensinam a ver!!!

É incrível como os poetas conseguem identificar e traduzir as mazelas do ser humano e, quando a questão é essa tal cegueira, Alberto Caeiro fez bem em nos lembrar que:

“Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores...”

Não que eu já tenha alcançado uma visão privilegiada das coisas da vida, sei que tenho muito a aprender, mas, há muito – e acredito que isso foi obra do gosto pela poesia – que eu sinto enorme prazer em caminhar pelas ruas da minha pequena cidade em busca de beleza, eu tento ver além do óbvio, isso porque eu acredito que apenas encontrando a beleza que existe aqui eu serei capaz de entender e desfrutar as belezas que verei lá fora.

Então, meu convite hoje é para que você e eu olhemos o mundo ao nosso redor com olhos que conseguem ver além do óbvio e do mesmo, do igual de todo dia, porque beleza há, basta saber, ou aprender, ver!!

Me pergunto se os parisienses se dão conta da Torre Eiffel quando passam por ela diariamente e se os italianos olham para o Coliseu e estremecem como eu sei que vou estremecer quando ver o gigante com meus próprios olhos...

Beijos.
Fefa Rodrigues

A Revolução Francesa – E. J. Hobsbawm

Livrinho tão pequeno, mas que ensina muito.


Foi minha sobrinha, quartanista de Economia na PUC, quem me falou desse autor e dos livros que ele escreve sobre as revoluções que o mundo já assistiu. Falou tão bem que eu resolvi comprar. Escolhi a Revolução Francesa porque tenho um interesse particular nessa fase da história por conta de suas conseqüências no desenvolvimento do Constitucionalismo, mas isso é tema para outra conversa.

Voltando ao pequeno livro, confesso que quando abri a caixa com as encomendas, em meio a vários outros livros, encontrei este livreto, fiquei meio decepcionada, tanto que deixei ele de lado por bastante tempo e, apenas recentemente, quando estava lendo em outro livro sobre a revolução de que trata as poucas e pequenas páginas dessa obra, é que resolvi dar uma olhada nela.

Me arrependo de não ter lido antes. O livro realmente é bem pequeno, não dá nem para considerá-lo como um livro no sentido literal do termo!! Talvez tenha sido a transcrição de uma palestra que o autor deu ou, ainda mais provável, talvez seja a transcrição de uma aula, mas que aula teria sido essa!!!

Então, para aqueles que gostam de história, esse livretinho, e acredito que todos os outros do autor, é ótimo!!

Beijos!!!
Fefa Rodrigues

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Wishlist

Minha queria amiga Taís, do La Modee, além de ter me ensinado a montar um blog me dá muitas dicas sobre a vida de blogueira!! E, como meu aniversário está chegando – 7 de novembro – ela sugeriu que eu fizesse uma lista das coisas que eu gostaria de ganhar e publicasse no blog, assim facilitava a vida dos amigos e amigas que não sabem o que me dar. Ela me disse que é uma tradição das blogeuiras fazer uma wishlist... e sabe que eu gostei da idéia!!!

Então, ai vai!!
1.      Qualquer tipo de acessório de caveiras – brinco, colar, pulseira, anel, lenço... A-M-O qualquer coisa que tenha caveirinhas!!!

2.      Esmaltes: vermelhos, azuis, roxos, verdes... adoro esmaltes!

3.      DVDs de filmes antigos, em preto e branco... sou super fã!

4.      E como não poderia deixar de ser, livros, O Condenado do Cornwell, qualquer livro sobre história, revolução francesa, livros do Rubem Alves, um livro de poesia seria bom, não tenho nenhum... também não tenho nada do Jorge Luis Borges...

Acho que é isso!!!:o)
Beijos
Fefa Rodrigues

Marina – Carlos Ruiz Zafón

“A gente só se lembra do que nunca aconteceu.”


Sempre que eu termino um livro do Zafón, tenho essa sensação de estar deixando um mundo no qual vivi por alguns dias, e com este livro, apesar de pequeno – 189 páginas, não foi diferente.

Lembro que quando falei sobre as obras do Dan Brown disse que, para mim, o escritor usava sempre a mesma receita em seus livros – O Código Da Vinci, Anjos e Demônios e O Símbolo Perdido são realmente muito parecidos, e confesso que disse isso com certo tom de crítica.

No caso do Zafón, tenho uma impressão próxima, mas, ao mesmo tempo, completamente diferente. Por mais que, quando a gente narra a história, os livros pareçam semelhantes, para mim o que o escritor usa não é a mesma receita de sempre, mas sim os mesmos ingredientes, em histórias completamente novas.

Os ingredientes de Zafón são as ruas de Barcelona, seus casarões antigos e os mistérios, crimes e amores que se escondem atrás de suas janelas.

Outro ponto em que o autor acerta é no personagem principal, sempre cativante, sempre simpático e com um bom humor inteligente, rindo de si mesmo. Gostei de todos eles Daniel Sempere, David Martín e Óscar Drai são parecidos, seus sentimentos, seu jeito de ser, de falar, de agir, para mim parecem a mesma pessoa, mas em cada uma das histórias tem eles tem um quê que os diferencia.

Outro detalhe são as mulheres ou garotas que acompanham o personagem principal em cada um dos livros e por que o personagem está perdidamente apaixonado. As mulheres de Zafón sempre são um caso a parte!!

Marina foi escrito (ou publicado) em 1999, portanto, antes de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo e a história se aproxima mais daquele que deste. Não posso dizer que seja tão bom quanto A Sombra do Vento, a história aqui não é tão elaborada, mesmo porque são poucas páginas, mas o ritmo da narração e a essência da história são os mesmos. É como se fosse uma preparação para o grande sucesso que foi A Sombra do Vento, ao escrever Marina, talvez Zafón estivesse aquecendo as mãos e a imaginação para o que viria a escrever depois!!

Uma breve visão geral do livro e de sua história: Óscar é um garoto sem muitos amigos, interno de um colégio em Barcelona que adora andar pelos bairros antigos da cidade observando os casarões em ruínas, personagens de uma época de ouro há muito ida – e nisso eu me identifico com os personagens de Zafón, porque eu simplesmente amo andar por ai sozinha e observar casarões antigos – até que certo dia, em um desses casarões que ele pensava estar abandonado, após um pequeno incidente, ele conhece Marina, uma garota linda e inteligente que se torna sua amiga.

Juntos eles passam a investigar uma dama de negro que, todo último domingo de cada mês, visita um antigo cemitério e deixa uma rosa em um tumulo sem nome, com apenas o desenho de uma borboleta negra com as asas abertas.

Aos poucos eles vão conhecendo quem é a Dama de Negro e qual o significado daquela borboleta negra, ao mesmo tempo em que ódios do passado afloram e algumas mortes começam a acontecer. Tudo levando a trágica história de um rico casal que morreu carbonizado, após um incêndio que destruiu a mansão onde eles viviam reclusos.

Assim como em A Sombra do Vento, duas histórias vão se narrando, a de Óscar e Marina e a do misterioso casal, tendo como cenário os casarões de Barcelona.

Já adianto que, a explicação final para todos os acontecimentos estranhos tem um pouco de ficção científica, mas ainda assim acho difícil alguém não gostar da história, ainda mais aqueles que gostam do gênero!! 

Apenas quero ressaltar novamente que este é o primeiro livro que o autor escreveu, antes desse ele havia escrito uma trilogia infanto-juvenil que também pretendo ler se alguém se dispuser a traduzi-la, e que em O Jogo do Anjo e A Sombra do Vento, seu estilo e técnica estão bem mais desenvolvidos.

Um livro que realmente vale a pena ler, que a gente acaba devorando em uma sentada, e que custou a ridícula quantia de R$ 19,90!!

Ah, outra coisa, ainda não vou para Westeros, vou para a Macedônia, resolvi ler o segundo volume de Alexandros antes de me aventurar pelas 880 páginas de Tormenta de Espadas, para não ficar muito atrasada com minhas outras séries!!!


Mas daqui uns dez dias eu embarco numa dracar e aporto em Porto Real!!!!

Beijos e boa leitura!!
Fefa Rodrigues

Incentivando a leitura infantil...

Lembra que eu comentei aqui sobre uma iniciativa super legal do Itau de a incentivo à leitura infantil? Então, os livrinhos chegaram. São três:

Chapeuzinho Amarelo, do Chico Buarque – agora já não dá para eu dizer que nunca li nada dele!! - que conta a história de uma garotinha que tinha muitos medos, mas que no fim, venceu todos eles!


Advinha Quanto eu Te Amo de Sam McBratney e ilustrações de Anita Jeram, que nos ensina que o amor não é algo que possa ser medido facilmente.


E A Festa no Céu de Ângela Lago, que conta a história de como as tartarugas ganharam aquele lindo casco todo recortado!!


Além dos livrinhos algumas dicas de como incentivar a leitura infantil, coisas simples como ler sempre que a criança pedir, não se preocupa com entonação de voz ou interpretação, deixar a criança tocar nos livros, ver as figuras...


Agora que já li, vou dar esses livros para meu sobrinho, o Léozinho, um menino que, desde pequeno, sonha em ser construtor de aviões e foguetes, é fascinado por trens e quando crescer, quer ter uma mansão para levar todos os  órfãos para morar lá... nada mais juto que os adultos ao redor dele continuem ajudando ele a sonhar!!!! ;o)


Bejinhos!!!
Fefa Rodrigues

domingo, 30 de outubro de 2011

Hoje te convido para...

Fazer um inventário do que te faz feliz.

Dia desses estava lendo Um Mundo Num Grão de Areia do Rubem Alves - por indicação e empréstimo da Aline - e em um dos texto que compõem o livro, chamado Sobre o Sofrimento e Sobre a Felicidade, ele falava um pouco de como grande parte de nossas infelicidades decorrem de uma doença que acomete nossos olhos, a inveja, doença esta que nos leva a trabalhar mais para que possamos comprar todas aquelas coisas de que, como nos convenceram o especialistas em marketing, depende nossa felicidade.

Então, ele cita uma poesia do Brecht, na qual o escritor faz uma lista de todas as suas felicidades, assim mesmo, no plural. O texto lista os seguinte motivos que lhe davam:

“A primeira olhada pela janela de manhã.
O velho livro de novo encontrado.
Rostos entusiasmados.
O jornal.
O cão.
Tomar banho, nadar.
Velha música.
Sapato confortável.
Perceber.
Música nova.
Escrever, plantar.
Viajar.
Cantar.
Ser amigo.”

Hoje eu vou esquecer todas as coisas pelas quais eu tenho que trabalhar tanto e vou inventariar as coisas que já me fazem feliz, que são motivo certo para um sorriso e que, aconteça o que acontecer, continuarão lá por que não são compradas com o “ouro por que ele não entra no céu” como diz a letra da música!!!

Ai vai meu inventário de felicidades, porque felicidade tem que ser sempre no plural!!!

“Cheiro de chuva,
cheiro de flor de laranjeira,
cheiro de flor de quaresmeira.
Pôr-do-sol.
A voz do Davi.
O sorriso da Dani. O sorriso do Léo.
O tempo com meus irmãos.
Meu pai tocando violão.
Minha mãe falando das razões da sua fé.
Livros novos.
Livros velhos.
Museus.
Correr.
Escrever.
Noite de Natal. Dia de Aniversário.
Verão. Piscina.
Pizza. Risoto. Sorvete e pudim.”

Um ótimo exercício para que a gente se lembre que a maioria das coisas que realmente importam já estão aqui ao lado. E isso me lembra um pequeno trecho do Mário Quintana:

“Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
procede tal e qual o avozinho infeliz:
em vão, por toda parte, os óculos procura,
tendo-os na ponta do nariz.”

Boa semana que se inicia a todos!!!
Besos!!!
Fefa Rodrigues