quinta-feira, 14 de julho de 2011

Centro de Educação Bilíngue Rebeca

A Mirian e o Márcio são dois amigos que conheço há uns quatro ou cinco anos, e são daquelas pessoas que entram na vida da gente e passam a fazer parte dela. Eles tem uma filha, a Rebeca, hoje com 11 anos, e uma das garotas mais fashion que eu conheço. A Rebeca é surda desde que nasceu.

Já faz um tempo o Márcio, pai da Rebeca, criou - e eu tive a honra de dar uma mãozinha - a Ong Vida em Ação, para organizar melhor o trabalho social que eles realizavam no bairro Jardim Europa, a comunidade mais carente da cidade.

Eu conheci o lugar antes das famílias serem removidas para casas de verdade construídas pelo PAC, programa do Governo Federal, e, nunca como naquele dia, eu me senti mais grata pela minha casa, meu trabalho, minha vida.

Mas, além do trabalho social que realizavam, a Mirian e o Márcio tinham uma preocupação, a socialização da Rebeca. Sem qualquer lugar que a ensinasse a linguagem de sinais ou onde ela pudesse ter uma formação educacional, a Rebeca crescia cada vez mais separada das outras crianças. Eu me lembro que a Mirian e o Márcio se revezavam para ir aos cultos na igreja, para que um deles ficasse em casa com a Rebeca.

Um dia a Mirian entendeu que as cosias não poderiam ficar daquele jeito e começou a fazer o curso de libras para poder ensinar a Rebeca e para poder se comunicar melhor com sua filha. Depois de algum tempo a Mirian começou a ensinar algumas crianças na igreja e criança é demais, não demorou para que a gente começasse a ver outras meninas se comunicando com a Rebeca. Hoje o casal pode ir junto aos cultos porque a Rebeca não precisa mais ficar separada das outras crianças, elas já se entendem!

Acontece que a Mirian não se limitou a ajudar sua filha. Através da Ong do marido ela criou o Centro de Educação Bilíngue Rebeca. No começo ela atendia os surdos em uma garagem, hoje já conta com um local – a casa que eles tinham recebido da mãe dela e que eles decidiram usar exclusivamente para transformar no centro de educação – com um pouco mais de estrutura, ainda não é o ideal e seus sonhos são muito maiores do que tudo que ela já alcançou, mas não é tão fácil encontrar colaboradores.

Hoje nós estávamos conversado e ela me contou um pouco mais das razões que a levaram a dedicar tanto esforço para a criação do Centro de Educação. Ela me disse que a idéia nasceu pela falta de um lugar onde a Rebeca pudesse se socializar, onde ela pudesse ter a chance de se desenvolver culturalmente e até mesmo se preparar para uma formação acadêmica. Infelizmente ela não encontrou nenhuma instituição que aceitasse a Rebeca ou que oferecesse essa formação mais completa, esse desenvolvimento intelectual e cultural, pois na APAE não existe essa formação. Foi então que ela decidiu criar o centro de educação a partir dessa visão de formação completa e de preparo para a profissionalização.

Ela começou com 1 aluno e hoje atende cerca de 20 surdos de 10 a 65 anos através das salas Alfa 1  para a alfabetização para aqueles que não tem qualquer conhecimento, Alfa 2 para alfabetização daqueles que tem um pouco mais de conhecimento das palavras e o Poli que desenvolve outras disciplinas como inglês, artes, teatro, computação. Todas as turmas participam, também, de outras atividades como reforço escolar - quando matriculados na rede normal - e passeios culturais, sempre visando a evolução cultuar dos surdos de forma bilingue, ou seja, a primeira língua é Libras e a segunda é o Português.

Como todo trabalho social, o Centro de Educação precisa de voluntários. A Mirian sonha em contar com, pelo menos, um profissional da área de psicologia, um fisioterapeuta, um fonoaudiólogo e outros profissionais que se disponham a eventualmente realizar alguma atividade com os surdos, ajudando em sua socialização e no desenvolvimento de sua cultura geral.

Hoje a Mirian conta com uma amiga-irmã, a Karyttas que é o seu braço direito no Centro de Educação. A Karyttas me contou que começou a aprender libras depois que, durante uma atividade de evangelismo, ela conheceu um jovem surdo com quem não conseguiu se comunicar. Ela se sentiu tão mal por aquilo que no dia seguinte entrou em contato com Mirian para fazer o curso de Libras. Logo ela se tornou voluntária no Centro e após 4 meses de convivência com outros surdos ela é fluente na língua.

Além de atender aos surdos, o Centro também oferece curso de Libras para não surdos pela mensalidade de R$ 50,00 (cinquenta reais), é uma forma de arrecadar verba para se manter e de fomentar o conhecimento de libras, com isso garantindo a inclusão dos surdos.

A Mirian, que é professora de educação fundamental, está fazendo pós-graduação em Libras e pretende fazer mestrado. Infelizmente ela ainda não encontrou uma instituição que atenda às necessidades da Rebeca que apesar de ter 11 anos não está frequentando nenhuma escola de ensino regular e está aguardando uma vaga no DAP da Prefeitura Municipal.

Eu tenho dado uma mínima ajuda à elas, uma “assessoria jurídica”, é uma gotinha no oceano, mas é minha colaboração para que a luta da Mirian e da Karyttas fique um pouquinho mais leve e para que a vida dos surdos que elas atendem seja melhor.

Essa é a Rebeca!
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Mirian recebendo o computador doado pelo Rotaracty Club
Karytta

Fachada do Centro de Educação















Então, se você é de Tatuí, das proximidades ou mesmo de bem longe, e quer colaborar, ser um voluntário ou até dar uma ajuda financeira, conheça o Centro de Educação Bilíngue Rebeca na Rua Cel. Bento Pires, bem no fim da rua, ou acesse o blog.

Ah, e se você tiver um tempinho, compartilhe este post pelo twiter ou facebook... é só clicar na letrinha correspondente ai embaixo... quem sabe agente encontra outros colaboradores, não é!!!

Abraços
Fefa Rodrigues

Ismália: trágico do jeito que eu gosto!!!

Faz muito tempo que eu li esse poema pela primeira vez e nunca mais esqueci... trágico do jeito que eu gosto!!!

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

                            Alphonsus de Guimaraens


Imagem do Google

Fico pensando, o que teria feito ela enlouquecer? Um amor não correspondido? Uma decepção? Um sonho distante demais?

Bejos
Fefa Rodrigues

terça-feira, 12 de julho de 2011

Crônicas Saxônicas - O Último Reino

Crônicas Saxônicas é mais uma super obra do Bernard Cornwell, uma série de 5 volumes (até o momento), que reconta a história das invasões vikings na Grã-Bretanha e a luta de Alfredo o Grande, para unir todos os reinos da ilha e formar a Inglaterra.

Como acontece em As Crônicas de Artur o personagem que nos conduz na história não é o real Alfredo, mas sim o fictício Uhtred.

O Último Reino e conta a história de Uhtred, um garoto filho do Senhor de Babenburg (deve ter um h em algum lugar nessa palavra mas não me lembro onde), aristocrata do Reino da Nortumbria, que um dia, cavalgando pelas encostas das terras de seu pai avista ao longe os barcos dinamarqueses se aproximando, acontecimento que mudaria sua vida para sempre, assim começa o volume I dessa grande saga.

Alguns dias depois da chegada dos dinamarqueses o garoto acompanha seu pai a uma vila onde onde são atacados pelos poderosos e violentos vikings, seu pai morre no ataque e, quando ele dá uma demonstração de grande coragem, mesmo tendo apenas 10 anos, Ragnar, um grande senhor dinamarquês acaba por adotá-lo. Uhtred então se envolve com os dinamarqueses e percebe que é a melhor vida que um menino podia querer, longe dos padres e das regras rígidas do cristianismo, o garoto vai se adaptando à cultura, à religião e à língua, com seus longos cabelos loiros, agora ele passa a carregar um martelo de Thor no lugar de uma cruz.

Uhtred aprende a amar os dinamarqueses que passam a ser sua família, mas ele é inglês, herdeiro de vastas terras que seu tio tomou para si após a morte de seu pai, sem ao menos tentar procurá-lo, sem nunca tentar resgatar o sobrinho, uma fortaleza inexpugnável junto ao mar e a dúvida acerca de que lado ele deve lutar permanece em seu coração.

Mas, já que assim quiseram as fianderias aos pés de Ygrasil, o destino de Uhtred está ligado à  de Alfredo, rei de Wessex, a quem ele odeia, mas a quem acaba jurado, apesar de seu amor pelos dinamarqueses!

Um livro fantástico e Uhtred é um grande herói um homem corajoso e cheio de honra, alguém que inspira. Além disso, é muito legal conhecer mais da mitologia e das crenças nórdicas (daí você assisti Thor e acha ainda mais legal!!).

Já me falaram que eu exagero e que pra mim todos os livros do Bernard Cornwell são sensacionais, bem na verdade, Stonehenge eu não achei sensacional, eu achei apenas bom, mas realmente As Crônicas de Artur, Crônicas Saxônicas e A Busca do Graal são sensacionais, não tem outra definição!!!

Vai ai o primeiro parágrafo de O Último Reino para instigar você a comprar o livro...


“Meu nome é Uhtred. Sou filho de Uhtred, que era filho de Uhtred, cujo pai também se chamava Uhtred. O escrivão do meu pai, um padre chamado Beocca, o escrevia Utred. Não sei se era assim que meu pai teria escrito, já que ele não sabia ler nem escrever, mas sei fazer as duas coisas e as vezes pego os velhos pergaminhos no baú de madeira e vejo o nome grafado como Uhtred, Utred, Ughtred ou Ootred. Olho esses pergaminhos dizendo que Uhtred, filho de Uhtred, é o único e legítimo dono das terras cuidadosamente marcadas por pedras e diques, por carvalhos e freixos, por pântano e mar, e sono com aquelas terras ermas batidas pelas ondas, sob o céu empurrado pelo vento. Sonho e sei que um dia tomarei as terras de volta daqueles que as roubaram de mim.”

Amanhã falo um pouco do volume 2.
Beijos e boa leitura!!
Fefa Rodrigues 

sábado, 2 de julho de 2011

Crônica de uma Morte Anunciada – Gabriel Garcia Marques

ou Crónica de una Muerte Anunciada

Gabriel Garcia Marques é meu escritor preferido. Faz algum tempo que não leio nada dele porque estou numa fase romance histórico, mas ele é muito bom com seu estilo original, seu realismo fantástico.

Meu exemplar de Crônica de uma Morte Anunciada, esse ai da foto, é especial porque faz parte da minha coleção estrangeira hehehehe... é que sempre que alguém viaja para o exterior eu peço que me compre um livro no país para onde for e esse minha mãe trouxe para mim da Espanha, mais especificamente de Salamanca e, obviamente, está escrito em espanhol.

A história é a seguinte... Poucas horas depois do casamento, o noivo Bayardo San Román devolve para a família sua noiva, a bela Ángela Vicario, após descobrir que ela se casou já não sendo mais virgem. A família, furiosa, obriga a moça a revelar quem foi que a desonrou, e ela diz que foi Santiago Nasar, um belo jovem abastado e com fama de mulherengo. Os irmãos da noiva então anunciam que vão se vingar matando Santiago e seguem para se preparar para seu intento. No caminho e pelas ruas da pequena cidade todos os moradores tomam conhecimento da intenção dos irmãos, mas ninguém, por motivos justificados apenas pelo absurdo da existência humana, impedem os irmãos de assassinar Santiago na porta de sua casa.

A história toda se passa durante as horas entre o casamento e o assassinato e a gente fica torcendo para que alguém faça alguma coisa apesar de saber desde o começo qual é o fim da história. É tudo inacreditável mas perfeitamente possível, e, como em todas as obras do autor, parece que o destino é realmente inexorável, como diria o célebre  personagem de uma outra obra ai!!!

Livrinho pequeno, para se ler em um fim de semana, são apenas 137 páginas de mais uma história fantástica desse super escritor.


Para dar um gostinho, ai vai o comecinho do livo, em espanhol, para treinar ok?!

“El día en que lo iban a matar, Santiago Nasar se levantó a las 5.30 de la mañana para esperar el buque em que llegaba el bispo. Había sonhado que atravesaba un bosque de higuerones donde caia una llovizna tierna, y por un instante fue feliz em el sueño, pero al despertar se sentió por completo salpicado de cagada de pájeros...”

Fica ai mais uma dica...
Beijos e boa leitura!!
Fefa Rodrigues

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Como Treinar seu Dragão

O Léo, meu sobrinho de 6 anos, fascinado por cinema, já tinha me contado sobre esse filme que eu assisti ontem a noite (férias são uma maravilha, não são?!) que é uma ótima dica para quem curti animação.

A história se passa em uma aldeia viking, o que me fez gostar de cara do filme, porque desde que eu li As Crônicas Saxônicas do Bernard Cornwell meu interesse pela cultura nórdica cresceu bastante, engraçado que até os nomes que eles dão para os dragões – Terror Noturno, Matador, etc - lembram os nomes que os vikings da obra do Cornwell davam para suas armas – Fazedor de Viúvas, Quebra-Ossos, Bafo de Serpente... também acho interessante a menção aos deuses nórdicos, Odin, Thor...

Voltando a animação, a história se passa nessa aldeia nórdica que sofre com uma peste, os dragões. Soluço (nome dado para ajudar a espantar duendes) é o filho do chefe do povo, e, ao contrário de seu pai que é um viking enorme de longas barbas trançadas, o garoto ainda á bem franzino. Soluço é um pouco diferente dos outros vikings, ele tem mais cérebro do que músculos e isso não faz muito sucesso entre seu povo.

A honra máxima para os membros daquele lugar é matar um dragão, e é para isso que todos os outros da idade de Soluço estão treinando, só ele que não, pois todos acham que ele não leva jeito para ser um viking. Mas, em uma noite em que a aldeia é atacada por dragões, Soluço usa uma arma que ele mesmo inventou para abater o mais temido de todos os dragões, o Terror Noturno, as coisas não dão muito certo e, além do menino quase virar churrasco, quase toda a aldeia pega fogo.

No dia seguinte, Soluço está andando pela floresta e encontra o dragão preso pela rede que sua arma tinha lançado, ele se aproxima do dragão com sua faca, mas não tem coragem de matá-lo. O Dragão, que ele apelida de Banguela, está com um ferimento na cauda e não consegue voar, Soluço, que é muito inteligente, começa a projetar meios de “concertar” a cauda do dragão, claro, sem contar para ninguém na aldeia e enquanto sua amizade com o dragão cresce ele aprende meios de evitar que os dragões arrasem as plantações e roube os rebanhos sem usar a violência... ele percebe que tudo que seu povo pensa saber sobre os dragões está errado.

O filme é uma graça e a história segue com o auge do desentendimento entre Soluço e seu pai, como é de se esperar. Gostei muito e, apesar de não ter ouvido muitos comentários sobre ele – além do Léo, foi uma das melhores animações que eu já assisti, vale a pena conferir!!! E o personagem Soluço é demais, cheio de comentários sarcásticos e engraçados!! Amei!!

      Sou um Viking, o perigo é minha profissão!
E a lição moral do filme é mais ou menos essa: “não é porque algo é feito de um único jeito desde sempre, que esse é o jeito certo de se fazer!!”

Beijos e bom fim de semana (como passa rápido quando a gente tá de folga!!)
Fefa Rodrigues

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mar Morto – Jorge Amado

Mar Morto é uma das poucas obras de escritor brasileiro que eu tenho na minha estante. Não que eu não goste dos escritores brasileiros, mas essa foi uma fase que ficou para trás como eu já comente aqui.

O primeiro livro do Jorge Amado que eu li foi Capitães da Areia, que narra a vida de um bando de meninos de rua que vivem em Ilhéus, eu era muito novo, tinha uns 14 anos, mas gostei da escrita dele e também da história.

Só depois de muito tempo eu li Mar Morto, e amei. Acho que foi o único livro que me fez chorar no final.

O livro narra vida dos pescadores na Bahia, por meio do personagem principal Guma, um pescador que, segundo tudo leva a crer, era lindo! Digamos que ele é muito bem descrito! Forte e corajoso ele é como um líder local. Guma se apaixona e se casa com Lívia, que vive amedrontada, sempre que o marido sai para o mar, temendo que Iemanjá o leve. É uma história de amor e que retrata a vida e a cultura bahiana, os costumes, as tradições, o culto a Iemanjá, personagens bem típicos, tudo super bem escrito por esse que é um dos maiores escritores brasileiros. O livro é muito bom e sem dúvidas está entre meus preferidos na literatura brasileira.

Depois que a gente lê Jorge Amado fica com uma vontade louca de conhecer a Bahia!!

Vai ai um gostinho:

“Agora eu quero contar as histórias da beira do cais da Bahia. Os velhos marinheiros que remendam as velas, os mestres de saveiros, os pretos tatuados, os malandros sabem essas histórias e essas canções. Eu as ouvi nas noites de lu no cais do Mercado, nas feiras, nos pequenos portos, junto aos enormes navios suecos no cais de Ilhéus. O povo de Iemanjá tem muito o que contar.
Vinde ouvir essas histórias e essas canções. Vinde ouvir a história de Guma e de Lívia que é a história de vida e amor no mar. E se ela não vos parecer bela  culpa não é dos homens rudes que a narram. É que a ouviste da boca de um homem da terra, e, dificilmente, um homem da terra entende o coração dos marinheiros. Mesmo quando esse homem ama essas histórias e essas canções e vai às festas de dona Janaína, mesmo assim ele não conhece todos os segredos do mar. Pois o mar é mistério que nem os velhos marinheiros entendem.”


Fica ai duas dicas para quem quer conhecer um pouco mais da literatura brasileira e da cultura Bahiana – Capitães da Areia e Mar Morto, e aproveitando a deixa, busca no youtube algumas músicas do Caymmi, daí fica completo!!!

Beijos e boa leitura!!!
Fefa Rodrigues

terça-feira, 28 de junho de 2011

Operação Walquiria

Estou de férias! E férias em julho, para mim, é para relaxar. Por isso divido minhas férias em 15 dias no inverno e 15 dias no verão, que daí é para ir pra praia!! E, com esse frio de matar, nada melhor que ficar de pijama vendo filme! Foi o que eu fiz hoje. Rodando os canais encontrei Operação Walquiria iniciando – dublado, por que era Telecine Pipoca, mas tudo bem. Já tinha visto o filme duas vezes no cinema e adorei. Me lembro que na época li uma crítica falando mal do filme e falando bem de outro filme que se passava na II Guerra e que também contava a história de um atentado contra Hitler, Bastardos Inglórios.

Eu detestei Bastardos Inglórios e adorei Operação Walquiria, sorte minha que não sou crítica de cinema senão seria a única com opinião contrária. É tudo questão de gosto, não é? De qualquer forma, minha dica se você está a fim de ver um filme sobre a II Guerra é Operação Walquiria!!

Aproveitando que o assunto é cinema, ontem fui ver Velozes e Furiosos (ah!! as férias e a possibilidade de pegar a sessão das 21:30), não é um filme cult e eu estava cheia de reservas já que eu não assisti nenhum da série, fiz dezenas de comentários sarcásticos no inicio do filme, mas sabe que depois eu acabei gostando. Tudo bem que o filme é cheio de cenas absurdas e acontecimentos fisicamente impossíveis, mas numa segunda-feira, com entrada do cinema por R$ 5,00 dá para encarar, princialmente porque acaba sendo um filme engraçado, divertido.

E, para finalizar o assunto, lembrei que sexta-feira a noite, entrei embaixo das cobertas e assisti Eu sou o Número Quatro um sci-fi adolescente muito legal!!! Não sei se já estreou, o Davi baixou da net, então não sei qual é a disponibilidade. Eu achei muito legal mesmo e, segundo minha sobrinha, o filme é baseado em uma série de livros, ainda não pesquisei a veracidade das informações (hehehe), mas se for isso mesmo, já está na minha lista de compras literárias!!! E espero que façam as continuações... Então, fica ai mais uma dica!!!


Beijos e aproveitem os dias de frio que logo vão embora, como agente bem sabe!!!!
Fefa Rodrigues

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Olga – Fernando de Moraes

Detalhe da Capa
Olga é uma obra diferente daquelas que estou acostumada a ler. Não é uma biografia, é algo como um romance jornalistico, não é a vida da personagem romanceada, são os acontecimentos reais, os dados e informações reais, mas narrados de uma forma menos direta que a maneira utilizada nas biografias.

Olga, uma judia alemã que desde muito jovem passou a integrar o movimento social é treinada na Rússia como uma agente do comunismo. Junto com Luiz Carlos Prestes, Olga é mandada ao Brasil para apoiar a resistência ao governo de Vargas e o núcleo do Partido Comunista. Olga e Prestes acabam se apaixonando e vivem juntos como um casal, mas sem regularizar a situação. Após uma malfadada tentativa de revolta comunista em 1935, o casal e seus amigos passam a ser perseguidos pela polícia política e um a um são capturados, inclusive Olga, que estava grávida, e Prestes.

O livro narra a perseguição e a fuga desses personagens, a captura, os acontecimentos na prisão, e as terríveis sessões de tortura até que o destino de Olga é decidido pelo presidente Getúlio Vargas que, apesar dela ser mulher de um brasileiro e estar grávida dele, é deportada para a Alemanha e entregue à Gestapo. Olga alega em todas as instâncias que não pode ser deportada por ser mulher de um brasileiro, portanto, ter a nacionalidade brasileira, o que impediria a deportação, mas sob a desculpa de que eles não eram oficialmente casados, seu pedido é negado. Olga então é mandada para um campo de concentração na Alemanha Nazista onde dá a luz sua filha Anita Leocádia, que com poucos dias de vida lhe é tirada e mandada aos cuidados de sua avó. Olga morreu na câmara de gás pouco tempo depois.

Tem uma passagem que eu achei especialmente interessante. Quando Olga e Prestes estão escondidos em um bairro afastado no Rio de Janeiro, é carnaval e Olga está olhando pela janela as pessoas dançando e se divertindo e ela diz “Eu não entendo esse povo, parece que eles não querem ser libertados”. Ela nem era brasileira e estava aqui lutando por um povo que não era seu povo, independentemente de se concordar ou não com sua ideologia política, tem-se que reconhecer que ela estava lutando pelas pessoas, por uma vida melhor, e perdeu sua vida enquanto o resto do país estava se divertindo.

Tantos anos já se passaram desde estes acontecimentos e hoje eu vi na televisão uma apresentadora dizendo que “a maior vocação do brasileiro é fazer festa”, não que eu não goste de festas, adoro... mas acho que já está mais do que na hora de superar o clichê samba-futebol-mulher. Há tanta coisa boa aqui para ser mostrada. Há tanta gente séria. Acho que falta apenas um pouco mais de atitude para superarmos o estereótipo!!

Voltando ao livro, gostei muito de conhecer mais sobre a vida dessa personagem de destaque na história nacional, vale a pena conhecê-la e conhecer um pouco mais da história política do país principalmente para que absurdos como os que a gente viu e ouviu durante a última campanha eleitoral se tornem motivo de chacota e não informação passada de e-mail em e-mail como se fosse  expressão da verdade.  Recomendado!!


Ah e o livro virou filme, um ótimo filme por sinal!!!

Beijos e boa leitura!!!
Fefa Rodrigues

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Stonehenge – Bernard Cornwell

Já falei algumas vezes dos livros do Bernard Cornwell aqui, na minha opinião, um dos melhores escritores da atualidade. A maioria dos livros dele se passam na Idade Média, com guerreiros honrados e a sempre presente tensão entre o cristianismo e o paganismo, durante episódios marcantes da história da Inglaterra. Por mim, todos eles deveriam virar séries para a TV, porque são ótimos.

Detalhe da Capa
Mas, o livro que vou comentar hoje sai um pouco desse ambiente. Acho que todo mundo sabe Stonehenge é aquele conjunto de pedras que formam um circulo construído há mais de 4 mil anos nas planícies de Salisbury, e que até hoje ninguém sabe ao certo sua origem.

Templo druida, calendário celta, construção grega ou sabe-se lá o que, aquelas pedras são um enigma tão complexo quanto as pirâmides egípcias e Bernard Cornwell, nessa obra, se propõe a imaginar sua origem e, claro, a vida e as relações das pessoas a sua volta.

Tudo começa quando um estranho chega à tribo de Rhatarryn, carregando com ele uma grande quantidade de losangos de ouro, a beira da morte, a riqueza é tomada pelo chefe da tribo, mas aquele ouro vai influenciar de maneiras diferentes a vida e o futuro de seus três filhos.

Lengar é o mais velho e ambicioso e que vê naquela riqueza uma forma de dominar as tribos vizinhas. Descontente com a decisão de seu pai, de devolver o ouro ritual à distante tribo a quem pertence, o primogênito desafia o pai e acaba banido da tribo.

Camaban, o segundo filho é aleijado e por isso vive às margens da tribo. Mistico e visionário, o menino se torna um grande feiticeiro que acredita ter entendido as razões para a dor e o sofrimento da humanidade – a separação entre o deus Sol e a deusa Lua, e apenas a união dos dois deuses poderá trazer a paz aos homens, o que ele pretende fazer construindo um grande templo para atrair os deuses de volta.

Mas é nas mãos do filho mais novo Saban, um homem de paz e cheio e habilidades, que está o poder para construir o templo. Apaixonado por Aureanna, a noiva de Eike, o deus sol, a quem está reservado o destino de morrer e se tornar esposa do deus, Saban irá cumprir seu destino ao lado do irmão Camaban, mas o retorno de Lengar pode trazer ainda mais sofrimento à sua tribo.

É uma história diferente, ambientada em uma época tão distante e tão desconhecida, bem distinto dos demais livros de Bernard Cornwell, mas com a mesma qualidade. Vale a pena ler mesmo! Gostei bastante...

Fica ai a dica para uma leitura original... sem contar que Stonehenge é realmente um mistério intrigante e uma história sobre sua construção, na visão do Cornwell, não tem como não agradar !!!

Beijos e boa leitura!!
Fefa Rodrigues

Corpus Christi

Não sou católica, mas isso não me impede de apreciar a beleza das tradições. Ontem, dia 23 de junho foi dia de Corpus Christi, dia mais conhecido na cidade como dia da Festa do Asilo, mas, antes da tal festa, acontece uma missa e depois o Santíssimo é levado lá do local da missa até a igreja que fica dentro do asilo e esse percurso é feito todo sobre um tapete que as pessoas preparam desde o dia anterior.

Eu nunca tinha acompanhado nem visto o tapete pronto, apesar de, durante toda a vida, ter morado há duas quadras do asilo. Nesse ano, mesmo morando bem mais longe, decidi que iria acordar cedo, fotografar o tapete e ver o Santíssimo ser levado. Conhecer a tradição de perto, acho que é a proximidade da separação que tem me feito me interessar mais pelas coisas da cidade!!!

É um caminho longo. Acredito que umas 15 quadras. Confesso que desconheço o significado da tradição, mas as fotos estão ai para serem vistas e bem legal ver a emoção das pessoas.

E, enquanto eu via a procissão passando, agradeci mesmo a Deus por morar em um país onde todos podem expressar sua fé da forma que bem entendem e que qualquer outro, independente de suas crenças, sua religião, ou a ausência dela, pode estar ali ao lado, apreciando ou até em casa indiferente, sem que esse seja um motivo para qualquer tipo de desentendimento!!!





























Beijos e sendo hoje sexta-feira (para nós feriado prolongado) bom fim de semana!!!
Fefa Rodrigues

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Refúgio Secreto – Corrie tem Boom

Voltando ao tema de livros ambientados na II Guerra, O Refugio Secreto é um daqueles livros que marcam a vida da gente. Li ele quando tinha 17 anos, nos intervalos entre as aulas do colégio.

A história se passa na Holanda, durante a ocupação nazista, mas a autora conta alguns episódios de sua infância, como quando ia com seu pai relojoeiro, uma vez por mês até a capital para que ele acertasse seu relógio.

Corrie não era judia, era protestante, mas, durante a guerra ela e sua família escolheram se importar. Se importar com a dor alheia e não aceitar a ordem estabelecida. Escolheram se arriscar pelo que era certo. E foi assim que ela e sua família passaram a esconder, em um compartimento secreto construído em sua casa, judeus, membros da resistência holandesa e outros perseguidos pelos nazistas.

Mas, suas atividades acabam sendo descobertas e ela, sua irmã e o pai são levados a um campo de concentração. Então, foi a primeira vez que li sobre os campos de concentração na literatura. Corrie, já uma senhora, sofre toda a humilhação e brutalidade do campo de concentração, mas mantém sua fé. Ela relata como, por milagre, conseguiu levar sua bíblia para o campo. Ela narra outras coisas tristes como a morte da irmã na enfermaria do campo de conentração. Ela sobreviviu e conseguiu viver mesmo depois de todo aquele horror!

Eu não consigo entender a força das pessoas que sobreviveram aos Campos de Concentração. Não sei como elas conseguiram se agarrar à vida, como elas conseguiram persistir diante de um dos maiores horrores que a humanidade pôde criar. As vezes, quando algo não dá certo, não sai do jeito que eu queria, já me encho de desanimo... quantas vezes pensei em desistir... e se eu estivesse em um lugar como aquele, será que eu resistiria? Não sei, não tenho tanta fé em mim.

Corrie sofreu, viu sua irmã morrer, viu seu pai morrer, mas sobreviveu e mais do que isso superou, a ponto de, muitos anos depois, ao encontrar um dos saldados nazistas, estender suas mãos e o perdoar.

Como já comentei quando falei sobre O Diário de Anne Frank, acredito que é possível se aprender muito com a literatura e este livro me ensinou duas lições... primeiro, que eu não devo me conformar com as coisas que são erradas, mesmo que elas estejam legitimadas por uma lei, e segundo, que mesmo ante a maior dor que alguém pode sofrer, é possível recomeçar com doçura.

Como já disse acima, não sei se teria forças para isso, mas estas lições são objetivos para serem buscados dia-a-dia...

Recomendo o livro!! Vale a pena!!!

Beijos e boa leitura.
Fefa Rodrigues

sábado, 18 de junho de 2011

Resistência – Agnès Humbert

Continuando o assunto sobre Literatura e Segunda Guerra que eu comecei duas postagens abaixo, hoje quero comentar e recomendar o livro Resistência de Agnès Humbert.

Detalhe da Capa
Já devem ter percebido que a maioria dos meus livros têm alguma história e esse não é diferente. Um amigo meu estava esperando a namorada fazer compras no shopping e foi até a Livraria Nobel para passar o tempo, entrou na internet e abriu o MSN, começamos a conversar e ele me disse que estava na livraria e se eu não queria que ele me trouxesse alguma coisa... perguntei se não tinha nada num preço bom e ele me disse que o livro Resistência estava por R$ 30,00. Não conhecia. Ele então me explicou mais ou menos do que se tratava e na hora me interessei. No fim de semana o livro estava comigo!! Ótima aquisição!!

O livro conta a história – verídica – da historiadora francesa Agnès Humbert que, inconformada com a ocupação nazista na França, decidiu permanecer em Paris e junto com seus amigos do Museu do Homem organizarou um dos primeiros grupos franceses de resistência. Por meio de um jornal que eles redigiam, imprimiam e distribuíam, denominado Résistance, o grupo iniciou uma campanha contra o governo de Vichy e contra os nazistas. 

O grupo, eficiente e corajoso, se mostrou uma pedra no caminho dos nazistas em Paris, e agiram até serem traídos por um de seus membros e entregues à Gestapo. Os homens foram executados por um pelotão de fuzilamento e as mulheres levadas para um campo de trabalhos forçados na Alemanha.

Até ai o livro é um diário e Agnès conta o dia-a-dia desde os dias pouco antes da ocupação até a decisão de voltar para Paris e lutar. A segunda parte do livro foi escrita apenas depois do fim da guerra, quando Agnès foi libertada, e nela a escritora narra suas memórias desde desde seu julgamento na França, sua condenação, sua transferência para o campo na Alemanha e os dias em que passou ali.

Mais uma oportunidade de reler os acontecimentos obscuros daquela fase da história pelo olhar e experiência de quem viveu na pele aqueles dias sombrios. Como tantos outros relatos que ouvimos e lemos, esta é a história de alguém que preferiu se arriscar à simplesmente aceitar as coisas e que, mesmo sofrendo as consequencias atrozes de sua coragem e ousadia, conseguiu manter a dignidade e a esperança.

Quero conhecer Paris, e quando isso acontecer, vou andar pelas ruas e olhar para o chão lembrando e pensando nas pessoas de valor inestimável como Agnes que também andaram por ali, onde viveram e morreram pelo que julgavam certo.

Segue o texto de início do livro pra te dar vontade de ler ele todo:

“Palácio de Chailot, Paris, 7 de junho de 1940.
Circulam boatos, os mais contraditórios, mas parece que os alemães avançam por todos os lados. (…) No museu, o ambiente anda sinistramente pesado. As coleções foram todas removidas. Sobrou a biblioteca. Acabo de receber ordem para embalar os livros mais valiosos.”

- foto tocante, não acham? -
Recomendo!!!

Beijos e Boa Leitura!!
Fefa Rodrigues

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sobre paredes e pontes

Há cerda de dois meses eu trabalhava em uma pequena sala com apenas mais uma colega. Entre nós e a sala do lado havia apenas uma divisória, não havia portas e não havia contato. Eu nunca falava mais que um “bom dia” com o pessoal que ficava do outro lado da parece quando encontrava um ou outro pelos corredores. Algumas vezes, da minha sala, eu escutava algumas conversas animadas, risadas... mas gostava do meu cantinho silencioso.

Houve uma reformulação de nossas secretarias e a parede foi derrubada. Eu agora iria compartilhar uma sala com outras dez pessoas. Sala ampla, com janelas grandes que dão para a rua e da minha mesa posso ver o céu azul durante todo o dia, o que não acontecia antes... mas compartilhar o mesmo espaço com tanta gente que não conhecia bem não foi, para mim, uma boa idéia no início.

Dois meses se passaram e desde que eu cheguei aqui nessa nova sala muita coisa mudou. Eu criei esse blog, mas só porque a Tais, do blog La Modee, que antes ficava do outro lado da parede e que agora senta na minha frente, me ajudou, conheci melhor algumas das pessoas da nova sala e outras ainda estou conhecendo, mas agora eu tenho com quem repartir o lanche da tarde, comemorar os aniversários do mês, ouvir histórias e experiências... ou seja, crescer!!!

Era só uma fina parede de alvenaria que me separava dessas pessoas. Eu gostava da parede, eu gostava do meu cantinho solitário, mas sem parede ficou muito melhor... se a parede ainda estivesse lá eu não estaria escrevendo esse texto para o blog, porque eu nem teria um blog, se a parede ainda estivesse lá eu não teria conhecido a Fernanda do blog Na Trilha dos Livros, que apesar de poucas mensagens trocadas parece que já conheço há séculos, não teria trocado mensagens com o Ricardo Gondim, não teria pessoas do mundo todo lendo minhas palavras todos os dias – o que me enche o coração de alegria...

Se a parede ainda estivesse lá, minha vida não seria pior, seria apenas igual... quando a parede foi embora, minha vida se tornou melhor porque quando a parede foi embora, uma ponte se formou entre mim e as pessoas que antes eram apenas “eles lá do outro lado”.

Agora, mais pessoas fazem parte do meu dia, mais pessoas fazem parte da minha vida, e tem sido bem legal!!



Por isso, um conselho... quando uma parede estiver por cair na sua vida, não tenha receios, pois você poderá encontrar boas surpresas do outro lado!!!

E sendo hoje sexta-feira, desejo a todos um lindo fim de semana!!!
Beijos
Fefa Rodrigues

Literatura e Segunda Guerra Mundial - O Diário de Anne Frank

Sou Apaixonada por História e, fora a Idade Média, a Segunda Guerra é o evento histórico que mais me chama a atenção.

Algumas das minhas coisas sobre a II Guerra - Livros e Revistas de História
O primeiro livro ambientado na II Guerra que eu li foi O Diário de Anne Frank, emprestado por um tio – já anjo, quando eu tinha uns 14 anos (como foi um empréstimo e já há muito tempo, não tenho um exemplar para fazer a foto da capa).

Foi um livro que mexeu comigo. Claro que aos 14 anos eu já tinha idéia do que tinha sido a II Guerra, mas o meu pequeno conhecimento à época ainda não cheirava à sangue, só depois desse livro aquela guerra deixou de ser para mim uma sequência de informações escritas em papel branco e repetidas pela minha querida professora de história, e eu comecei a entender o horror de tudo aquilo, e eu ainda nem tinha lido algo que fizesse menção aos campos de concentração.

Não há muito o que contar sobre a história já que não é um romance, mas sim a narrativa dos dias em que aquela garota passou no esconderijo e que ela conta no diário que havia ganhado de presente em seu aniversário, ela também conta alguns dos acontecimentos que se deram alguns dias antes de ela e a família serem obrigados a se esconder... a chegada dos nazistas, a ocupação, a decisão de se esconder... Um relato que vale a pena ser lido.

Por essas coisas que eu acredito que a literatura faz toda a diferença na vida das pessoas e no modo pelo qual passamos a ver as coisas da vida, eu aprendi o que foi a II Guerra muito mais através da literatura que através dos livros da escola e aulas de história. Quando a gente lê um romance é como se vivessemos aquela história, como se sofressemos com os personagens, e foi o que aconteceu quando li esse diário. Nunca me esqueci do episódio em que alguém leva para Anne e sua família uma grande quantidade de morangos... não sei porque, mas foi o episódio que ficou marcado... 

Para quem não conhece – eu acho difícil que alguém não conheça esse livro ou não tenha ao menos uma noção de sua história – o Diário de Anne Frank é exatamente isso, um diário escrito por uma adolescente que, por ser judia, junto com sua família, foi obrigada a se esconder em um abrigo num prédio comercial durante a ocupação nazista na Holanda... nele ela conta sobre seus dias, seus medos e seus pensamentos, até que o esconderijo é descoberto e ela é levada para um campo de concentração...

Para mim, o mais tocante nessa história é o fato de estarmos lendo algo que foi escrito exatamente enquanto a guerra acontecia... são as impressões do momento... de alguém que sofreu a injustiça de ser condenado apenas pelo que era. Me dá até um aperto no coração de pensar quantas outras histórias como esta aconteceram naquela época sem que a gente nunca venha a saber...

Eu acredito que qualquer pessoa que conheça um pouco sobre o holocausto e tudo que envolveu a II Guerra será sempre um defensor da diversidade, das minorias, da liberdade de expressão, da igualdade, das garantias individuais e dos direitos humanos, do bem comum...

Aproveitando a oportunidade, vou deixar um poema que eu ouvi pela primeira vez antes da minha primeira aula sobre Direitos Fundamentais e que eu nunca mais esqueci... na verdade, nunca consegui descobri a versão exata, encontro na internet variações dele... acredito que são diferentes traduções, mas a idéia, a essência, permanece a mesma....

“Primeiro levaram os negros
Mas como eu não era negro, eu não disse nada;
Depois eles vieram e levaram alguns operários
Mas como eu também não era operário, eu não disse nada;
Depois prenderam os miseráveis,
e eu não me importei com isso, porque eu não sou miserável
Agora estão me levando Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém,
 já não há ninguém para se importa comigo.”

Bertold Brecht


Ah, eu já vi na Internet que existe um Museu da Anne Frank na Holanda... vou visitá-lo!!! ;o)

Como já li alguns livros ambientados na II Guerra, vou postá-los aqui numa série sobre o tema... assim, se é um assunto que você gosta ou quer conhecer mais, pode conhecer algumas dicas e sugerir outras também!!! Sinta-se à vontade!!!

Beijos e Boa Leitura!!
Fefa Rodrigues