segunda-feira, 6 de junho de 2011

Um pouco de poesia... tá chegando o Dia dos Namorados!!



O AMOR QUANDO SE REVELA

O amor, quando se revela,
não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente.
Cala: parece esquecer.

Ah, mas se ela adivinhasse,
se pudesse ouvir o olhar,
e se um olhar lhe bastasse
pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
quem quer dizer quanto sente
fica sem alma nem fala,
fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
o que não lhe ouso contar,
já não terei que falar-lhe
porque lhe estou a falar...

                                Fernando Pessoa


Pra quem ainda não teve coragem de se declarar... Aproveita a data gente!!!

domingo, 5 de junho de 2011

Confiteor - Paulo Setúbal


Detalhe da Capa do Livro
 Paulo Setúbal é um escritor tatuiano. Membro da Academia Brasileira de Letras, seu primeiro livro publicado foi Alma Cabocla, seu único livro de poesias, a partir de então passou a escrever romances históricos como As Bandeiras de Fernão Dias, Nos Bastidores da História, Ensaios Históricos, A Marquesa de Santos, Eldorado, sempre tendo como inspiração os costumes e a história daqui da região. Seu último livro foi Confiteor e trata-se de uma obra inacabada, um livro de memórias onde o escritor conta sua própria história, suas dores e seus sofrimentos e a paz que acabou por encontrar em Deus.

O que me chama a atenção nessa obra é que o autor não vem exaltar suas conquistas, mas sim nos contar que, apesar de todo seu enriquecimento e seu sucesso profissional (ele era advogado e político) e literário, o ponto alto de sua vida foi seu encontro com Deus.

Obas de Paulo Setúbal
Falar que a cidade teve um escritor membro da Academia é uma daquelas informações que nós sempre gostamos de falar para quem é de fora, mas, a verdade é que, infelizmente, não sei se seus livros já foram lidos por muitos tatuianos.

Eu confesso que o único que li foi Confiteor, que veio parar em minhas mãos não sei como, um exemplar velho, capa desfazendo que eu tentei salvar com papel contacte (sei lá se é assim que se escreve)!

É verdade que esse descaso, pelo menos de minha parte, é, em grande, por conta da dificuldade de se encontrar suas obras que, pelo menos na época em que eu estudei, não estava disponível na biblioteca da escola. Percebida a falta, estou determinada a procurar suas obras na Biblioteca da Cidade, porque sinceramente, aco impossível não encontrá-las lá! Seria até contraditório, não é?!

Hoje em dia, no mês de julho, a Secretaria da Cultura realiza a Semana Paulo Setúbal e, dentre os eventos, um concurso cultural tendo como tema uma obra específica do autor que, nesse ano, será Confiteor. Uma ótima iniciativa para incentivar a leitura e o conhecimento da obra do autor tatuiano.

No ano passado li os contos premiados e fiquei feliz com a qualidade dos trabalhos!


Casa de Cultura Paulo Setúbal

Ontem, quando fui até o museu para tirar a foto da capa do livro para colocar aqui no blog, resolvi entrar.

Fachada da Casa de Cultura Paulo Setúbal
Durante a visita descobri que o prédio que hoje abriga o museu foi construído em 1920 para ser a sede do Fórum, Delegacia e Prisão da cidade. Engraçado que quando eu era criança minha mãe sempre me dizia que, quando ela era criança, na quarta-feira de cinzas todo mundo se reunia em frente à delegacia para ver as pessoas que tinham sido presas durante o carnaval serem soltas ainda usando suas fantasias. Eu confesso que eu não acreditava muito que o local tinha funcionado como prisão, mas o guia do museu confirmou a história.


Em 1970 o então Secretário da Cultura Municipal, Sr. Nilzo Vani resolveu transformar o prédio em museu, e assim foi feito.

Nilzo Vani
E, como eu sou Apaixonada por História (é... tenho muitas paixões), desde que minha mãe me deixou andar sozinha pela cidade, eu passei a frequentar o museu. Eu ia lá toda a semana e, como eu adoro fazer até hoje quando me deparo com um objeto ou uma construção antiga, ficava olhando um vestido de criança que estava exposto, devia ser lá do ano 1800 “e bolinha”... era rosa, de cetim... nossa eu ficava horas na frente desse vestidinho... imaginando quem teria usado, em que ocasião, como era a menina e o que teria acontecido com ela...

Depois de algum tempo o museu passou por uma “arrumação” e ganhou uma sala sobre a participação da cidade nas Guerras Mundiais e na Revolução de 32. Muito legal, cheia de cantis de água, latinhas de comida, equipamentos, fardas... de novo aquela sensação de olhar um objeto que esteve lá na guerra de verdade e ficar viajando...

Nessa época, estava exposta uma carta que um pracinha tatuiano havia mandado por sua mãe... ele contava que estava na trincheira, lá na Itália, quando de repente viu a neve chegar... emocionante ler que, mesmo em meio à guerra, alguém conseguiu se surpreender por ver, pela primeira vez na vida, a neve. Eu ia vezes e vezes no museu só para reler a carta...

No ano passado, o museu passou por uma mega reforma. Ficou meses fechado. E, logo que reabriu, claro que eu corri para visitar e que surpresa boa. Hoje em dia eu já não tenho tempo para ficar horas no museu ou par visitas semanais, então essa foi minha segunda visita desde a reabertura. O lugar está muito legal!

Subindo a escada, no primeiro andar você vai encontrar uma sala contando sobre a origem da cidade. A sala mescla objetos antigos, telas com informações e um jogo interativo onde você vai ajudar os tropeiros a chegar ao seu destino.

Mapa da cidade feito com produtos típicos

Sala dos tropeiros
No chão, os trilhos de trem te levam para conhecer a história da prosperidade e do crescimento da cidade a partir das tecelagens. Na sala seguinte, objetos históricos e fotos antigas da cidade.


Em seguida você entra em uma sala que fala sobre a tradição musical da cidade. Para quem não sabe, Tatuí tem o maior conservatório musical da América Latina (outra informação que nós adoramos contar)... então, literalmente, a gente respira música por aqui... tem música por todo lado... e não podia faltar no museu!!!

Para conhecer o som dos diferentes instrumentos musicais


O tataravô do Ipod!
Outra vez, um misto de objetos antigos e ferramentas multimídia. Você pode colocar os fones de ouvido e conhecer o som dos instrumentos e, em uma pequena sala de projeção você conhece mais sobre o Cururu.

O primeiro andar termina com uma sala para exposições temporárias. Atualmente estão expostos os trabalhos do artista plástico carioca Getúlio Damado.

Exposição Temporária - Getúlio Damado

No térreo você vai encontrar uma sala sobre Paulo Setúbal onde está exposto seu fardão da Academia Brasileira de Letras, alguns objetos pessoais do escritor e a primeira edição de seu livro Alma Cabocla.



Bela Poesia
Ao lado, uma biblioteca com obras antigas que você pode consultar, mas a consulta é guiada e você tem que usar luvas de plástico e outros apetrechos para manipulação de documentos históricos (gente, isso é demais, não é?!). Em frente, outra sala de projeções contando mais da história da cidade.





Por fim você desce ao “subsolo” (não é exatamente subsolo porque ele dá no nível da rua, mas beleza... isso não vem ao caso), ondem eram as celas na época em que o prédio era prisão. As grades das celas são originais e são as únicas coisas que remetem a esse passado, porque o lugar está lindo! A primeira sala conta sobre a participação da cidade nas Guerras e na Revolução e em seguida uma última sala com objetos históricos diversos.

Participação das Guerras e na Revolução de 1932


As antigas celas, e as grades originais
Para fechar a visita, uma lojinha de suvenir!!

Olha, fiquei realmente feliz em ver a qualidade do local.

Começando pela simpatia dos monitores que me atenderam super bem. No primeiro andar a monitora não me atendeu porque ela estava acompanhando um grupo e escoteiros, mas eu percebi a atenção que ela dava para as crianças explicando tudo. No térreo eu fui acompanhada pelo monitor Guilherme e no “subsolo” pela Tais. Todos os três, além da simpatia e educação ao realizar o acompanhamento, sabiam do que estavam falando, passavam as informações não como se tivessem decorado, mas porque realmente conheciam. A Tais até comentou sobre o livro que estava na minha mão. Muito bons!

Outro coisa legal é a união entre história e tecnologia. A gente vai no museu pra ver coisa velha, não é? Por isso não sou muito fã de museus que só tem informação em multimídia (caso do Museu da Língua Portuguesa), mas no museu aqui a união dos dois está prefeita. História e Tecnologia! Ótimo!

Outra coisa que reparei foi a questão da acessibilidade, apesar de serem três pavimentos, cadeirantes conseguem se locomover com total facilidade no local e contam com um elevador com tamanho especial para irem de um andar a outro.

Então, só pontos positivos a ressaltar.

A única coisa que me deu uma pontinha de tristeza foi que nem o vestidinho rosa, nem a carta do pracinha estão expostas! Onde será que foram guardadas??

Então, se você é da city ou está por aqui, dá uma passadinha lá que vale a pena a visita!!!

Beijos, bom domingo e ótima semana que se inicia!!
Fefa Rodrigues



Fachada




sexta-feira, 3 de junho de 2011

Assassinato na Academia Brasileira de Letras – Jô Soares

Detalhe da Capa
“Com esse título e escrito pelo Jô não tem como ser ruim” - foi isso que eu pensei quando comprei esse livro. Já tinha lido o super divertido O Homem que matou Getúlio Vargas e o muito bom O Xango de Backer Street, e tinha adorado os dois, por serem engraçados e pela forma que o Jô une fatos reais à sua história e aos seus personagens.

Esse livro conta a história de uma série de assassinatos que tem em comum as vítimas serem imortais, ou seja, escritores membros da Academia Brasileira de Letras e se passa no Rio de Janeiro de 1924. Quando os crimes começam a se repetir a imprensa logo apelida o caso de “Crimes do Penacho”.

Uma idéia realmente original, não? As vítimas de assassinatos em série serem os pacatos membros da Academia. No mínimo interessante!

Os assassinatos, que sempre acontecem em circunstâncias pitorescas, passam a ser investigados pelo caricato comissário Machado Machado (lembrando que a Academia Brasileira de Letras é conhecida como a Casa de Machado de Assis, daí o nome, eu imagino... hehehe...), um típico carioca com pinta de sedutor e que tem certeza de o assassinto é obra de um serial killer que pretende matar todos os imortais – paradoxal, né!

A investigação percorre o Rio de Janeiro em sua fase de maior elegância, dos cafés lotados de intelectuais e artistas, teatros famosos, restaurantes e bares boêmios, a Lapa, o Teatro São José, o Cemitério São João Batistas, unindo personagens fictícios e reais em busca da resposta para a série de assassinatos!

Mas, apesar de toda expectativa que o livro cirou para mim, dos três que eu li do Jô, esse foi o que menos gostei... apesar da deliciosa atmosfera que ele cria da boemia carioca dos anos 20, a história não é tão divertida como as outras e o fim me lembra um pouco um desses filmes de serial killer que te prende até o fim, que você fica imaginado quem é o assassino e qual é a razão para ele fazer tudo aquilo, mas que o final deixa a desejar...

A capa outra vez, é que gostei da foto!!
Se vale a pena ler? Sempre é melhor ler um livro do que ver uma novela, não é? Mas eu achei que a história não empolga... digamos que eu indicaria outro, mas se você tiver ele às mãos também não digo para não ler (o único livro que eu desencorajo a leitura é O Processo, como disse ai no link!).

Eu acho que o que fez com que o livro meio que perdesse a graça para mim foi uma cena em que o comissário Machado Machado vai até a casa de um certo personagem e enquanto ele conversa com o senhor sobre os crimes, a filha do homem senta-se mais para trás e tira a roupa ou abre as pernas pra ele ver sem estar usando nada por baixo, algo assim, não me lembro exatamente porque já li faz bastante tempo... era par ser uma cena cômica, mas eu achei de muito mal gosto... sei lá... não gostei e sem falsos pudores, é que a cena realmente não foi legal, não combinou...

Bem, de qualquer forma, fica ai minha opinião sobre o livo se você quiser se aventurar!!!

É isso... beijos e boa leitura!!!
Fefa Rodrigues

Um pouco de poesia... Pablo Neruda

Vou começar o dia com poesia...


O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda


Tá chegando o dia dos namorados!!!

Beijos e um bom dia!!!!!
Fefa Rodrigues

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Se se morrer de Amor

Ops... estava quase me esquecendo da poesia de hoje!!!


Se se morrer de Amor

Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n'alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!
Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d'amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio,
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro
Clarão, que as luzes no morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D'amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração — abertos
Ao grande, ao belo; é ser capaz d'extremos,
D'altas virtudes, té capaz de crimes!
Compr'ender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D'aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
Fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!

Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos;
Temer qu'olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis, d'ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compr'ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!

Se tal paixão porém enfim transborda,
Se tem na terra o galardão devido
Em recíproco afeto; e unidas, uma,
Dois seres, duas vidas se procuram,
Entendem-se, confundem-se e penetram
Juntas — em puro céu d'êxtases puros:
Se logo a mão do fado as torna estranhas,
Se os duplica e separa, quando unidos
A mesma vida circulava em ambos;
Que será do que fica, e do que longe
Serve às borrascas de ludíbrio e escárnio?
Pode o raio num píncaro caindo,
Torná-lo dois, e o mar correr entre ambos;
Pode rachar o tronco levantado
E dois cimos depois verem-se erguidos,
Sinais mostrando da aliança antiga;

Dois corações porém, que juntos batem,
Que juntos vivem, — se os separam, morrem;
Ou se entre o próprio estrago inda vegetam,
Se aparência de vida, em mal, conservam,
Ânsias cruas resumem do proscrito,
Que busca achar no berço a sepultura!
Esse, que sobrevive à própria ruína,
Ao seu viver do coração, — às gratas
Ilusões, quando em leito solitário,
Entre as sombras da noite, em larga insônia,
Devaneando, a futurar venturas,
Mostra-se e brinca a apetecida imagem;
Esse, que à dor tamanha não sucumbe,
Inveja a quem na sepultura encontra
Dos males seus o desejado termo!

                                                                                                 Gonçalves Dias

Do Amor e Outros Demônios – Gabriel Garcia Márquez

É, realmente, Gabriel Garcia Márquez é uma sumidade quando o assunto é amor. Eu adoro as histórias dele, cheias de paixão, de extremos, daquele amor que arde na alma... bem latino, né! E nessa obra mais um exemplo de tudo isso.

Detalhe da Capa
Comprei meu exemplar no sebo da cidade, e li ao mesmo tempo em que finalizava minha monografia! Ai que sofrimento ter que abandonar as páginas amareladas desse mundo fantástico para argumentar em favor do Poder Normativo das Agências Reguladoras (é... esse ai foi o tema da minha monografia... difícil, assim só pelo título, identificar qual era mais empolgante, não?! Brincadeiras a parte... eu sou uma Apaixonada por Direito também... mas meu coração tem uma quedinha maior por literatura!).

Mas... voltando ao assunto, nessa obra temos de volta em grande estilo aquele mundo fantástico cheio de situações absurdas.

A história começa quando, durante a reforma de uma igreja, a cripta quebrada revela uma cabeleira de vinte e dois metros e onze centímetros grudada ao crânio de uma menina que, segundo as inscrições da lápide se chamava Síerva Maria de Todos Los Angeles e que teria sido enterrada ali há cerca de 200 anos.

A partir daí começa a história da menina que não cortava os cabelos graças a uma promessa de que deixaria crescer até o dia do casamento e que, apesar de ser filha única de um marques, acabou sendo criada e educada pelos escravos da casa, por isso falada a língua deles, agia como eles e vivia entre eles, e que após ser mordida por um cão com raiva acabou encerrada em um convento, pois acreditava que ela estaria possuída – já que os sintomas eram os mesmos quer para a raiva quer para a possessão, a gente não sabe se a coitada estava mesmo possuída, estava com raiva, ou, para se vingar do mundo ao redor, usava os conhecimentos obtidos com os escravos.

Lá no convento, entre rituais de exorcismo e outros acontecimentos inacreditáveis que só poderiam se dar dentro de um convento imaginado por Gabo, o padre, responsável pela garota, acaba por se apaixonar por ela... e ai a história vai.

Da mesma forma como no livro Memoria de Minhas Putas Tristes, que eu falei dois posts abaixo, o amor puro aparece como fonte de redenção e como a única coisa que realmente vale a pena na vida. Outra história sem igual!

Que tal aproveitar o clima de romance que está no ar e ler uma perfeita história de amor?!?!
Está dada a dica...

Beijos e boa leitura!
Fefa Rodrigues

Outras coisas boas da vida... Mingau de Milho!!

O frio chegou e aqui em Tatuí, interior de São Paulo, isso significa, dentre outras delícias, que chegou a época de comer Mingau de Milho Verde!! Hummmm dá água na boca só de pensar...

Mingau de Milho é uma comida típica aqui da minha região e a gente acha graça quando alguém de fora diz que nunca comeu, que não sabe o que é e que nem imagina que gosto tem.

Desde que eu me conheço por gente é só dar essa esfriadinha que minha mãe já corre ligar pra Dona Nadir encomendar dois litros de caldo de milho, um bolo de milho cremoso e, é claro, algumas pamonhas... tá feita a festa.

E nesse último domingo não foi diferente... com os termômetros lá embaixo essa foi a opção para o almoço de família!

O Mingau é feito a partir desse caldo de milho ai em cima e que tem que ser ferventado com um pouco de água até cozinhar bem... fica cremosinho! Delícioso! O cheirinho é divino!

Tem gente que acrescenta salsinha... eu, particularmente, gosto dele assim, só o amarelinho...


E pra acompanhar tem que ter frango no molho e limão, mas tem que ser limão rosa, de preferência colhido no pé de limão da casa da avó, pra espremer em cima... sem frango e limão não vira!!!



Daí, nessa época, é um tal de Festa do Milho aqui, Noite do Mingau ali, e a gente nunca enjoa porque é realmente uma delicia!!!

De sobremesa esse bolo cremoso de milho... fantástico... e o melhor é que é tudo tão baratinho.. tão simples.. tão da gente!!


Das pamonhas eu infelizmente não consegui tirar fotos... elas foram devoradas antes da minha chegada!!!

Então, se você estiver por essas bandas na época em que o frio chegar não deixe de experimentar nossa comida típica... um bom e delicioso Mingau de Milho Verde!!!


E se você é daqui, que tal um Mingau de Milho Verde hoje à noite?


Agora é só esperar a Festa do Asilo pra comer bolinho de frango!!! hehehehehe

Beijos!
Fefa Rodrigues

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Verdade Vergonha... Gregório de Matos

Primeira visita - Um dia bem quente!!
Na minha primeira visita ao Museu da Língua Portuguesa, que fica na Estação da Luz em São Paulo, o que eu mais gostei foi a parte em que, depois de assistir um vídeo que fala sobre a língua, narrado, se não me falha a memória, pela Fernanda Montenegro, a tela da sala de cinema sobe e agente vai para uma sala escura onde ouve vozes conhecidas e outras desconhecidas recitam trechos de textos e de poesias diversas.


Dentre esses trechos, me lembro tão bem da voz melodiosa do Caetano Veloso... um me chamou atenção, ele foi assim meio cantado, tipo um rap e eu, na minha ignorância, pensei: “nossa, que rap bem feito, que letra realmente boa!”...

A letra do "rap" na parede

Eu só fui descobrir que o rap era, na verdade, um texto de Gregório de Matos, quando parei para ler os textos que ficam nas paredes do corredor na saída da sala escura.



Segunda visita... nesse dia estava frioooo!!!

Considerando que Gregório de Matos viveu entre 1633 e 1696, o texto tem ai seus quase 400 anos, mas como pode ser tão atual? Tão atual que poderia perfeitamente ser uma música do Gabriel Pensador!

Um texto para se refletir!

Exposição sobre a influencia da Língua Francesa
Só para concluir, visitei o museu duas vezes, e lá, além da exposição permanente, sempre tem uma exposição temporária. Na primeira visita a exposição era sobre Graciliano Ramos e, na segunda, sobre a influência do francês na língua portuguesa. Gostei mais da segunda!

Se estiver em São Paulo, fica ai a dica de passeio!!

Beijos e boa leitura!
Fefa Rodrigues


Memória de Minhas Putas Tristes – Gabriel Garcia Márquez

Aproveitando o clima de romance no ar já que o Dia dos Namorados está chegando, vou tentar relembrar as histórias de amor que já li e que mais gostei até agora.

Detalhe da Capa - presente da maninha!!
Já falei sobre O Amor nos Tempos do Cólera que é um “Tratado sobre o Amor”, uma história linda sobre o amor de Floriano e Fermina que durou a vida toda a atravessou todas as barreiras possíveis. Do mesmo autor, já falei sobre Cem Anos de Solidão que, apesar de não ter o amor como foco central da história, como não poderia deixar de ser, tem vários pequenos casos de amor entre os personagens...

É, acho que dá pra gente dizer que o Gabo entende do assunto e outro romance dele que fala sobre amor de uma forma diferente e especial é Memória de Minhas Putas Tristes.

O nome causa certa estranheza, minha mãe ficou um pouco horrorizada quando recebi o livro de presente da irmã no meu aniversário, mas a história, apesar do título, é pura!!! Verdade!

O livro conta a história de um homem boêmio e orgulhoso de sua solterice que, no dia do seu aniversário de 90 anos resolve recorrer aos préstimos de Rosa Cabarcas, dona de uma casa clandestina, em busca de uma noite de amor com uma jovem.

Antes de ler a obra, tinha ouvido comentários acusando o livro de ter uma certeza tendência à pedofilia, afinal amor entre um velho de 90 anos e uma jovem virgem não é algo comum, mas tinha certeza de que um escritor como Gabriel Garcia Marques jamais macularia uma história de amor com algo do tipo... sabia que seria uma história bonita.  

E não me decepcionei, já que o amor que surge entre o senhor de 90 anos e a rapariga não tem nada de erótico. Trata-se de um amor que vem pelo cuidado, pela preocupação e pela companhia, sem nenhum toque, sem que a garota sequer tenha visto o velho, um amor que nasce da esperança que se tem quando se encontra alguém por quem viver e quando a vida passa, enfim, a ter sentido... mesmo que você tenha 90 anos de idade! E que pode transformar a vida de qualquer um!

É um daqueles livros que você lê com um suspiro no peito e quando termina parece que o dia está mais bonito!

Para despertar curiosidade e vontade de ler, dessa vez não vou colocar a primeira frase do livro, vou colocar a última...

“Era enfim a vida real, com meu coração a salvo, e condenado a morrer de bom amor na agonia feliz de qualquer dias depois do meus cem anos.”

Beijos e boa leitura!
Fefa Rodrigues

Um pouco de poesia.... Vinicius de Moraes

Continuando a celebração do Dia dos Namorados....


Soneto de Fidelidade

 
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

                                                            Vinicius de Moraes

terça-feira, 31 de maio de 2011

O Nome da Rosa – Umberto Eco

Para quem gosta de Idade Média, vai mais uma ótima dica: O Nome da Rosa do italiano Umberto Eco.

A história, que já virou filme, se passa no ano de 1327, em uma abadia, que possui, na época, a maior biblioteca da cristandade e a missão dos monges que ali vivem é copiar os livros e preservá-los, mas estranhos assassinatos começam a agitar o lugar.

Detalhe da Capa - Edição bem antiga já!
William de Baskerville é enviado até a abadia para investigar esses assassinatos e possíveis idéias ‘heréticas’ que estão se disseminando por ali. Em um labirinto de livros organizados segundo um plano secreto, William tem que investigar as mortes secretamente, enquanto a Inquisição também faz seu trabalho.

Interessante conhecer a vida monástica no século XIV. Além de aprender um pouco sobre a época dos papas franceses e da Santa Sé em Avignon.

Lembro de um trecho do livro onde alguns monges discutiam acirradamente se Jesus Cristo, enquanto viveu na Terra, teria, alguma vez, sorrido... muito legal esse livro, todo o mistério envolvendo os assassinatos, a biblioteca gigante, os monges, a vida monástica, muito bom mesmo!!! Vale a pena ler.

O post é curto, mas o livro é ótimo!!! 

Beijos e boa leitura!
Fefa Rodrigues

Apaixonada por... Manjericão?!?!

Nada a ver, né?... mas como o blog também é  pra eu falar das outras coisas boas da vida, vou falar de manjericão... é isso mesmo manjericão.

Bruschetta o nome disso ai... segundo minha irmã prendada!

A verdade é que nunca tinha me dado conta da existência dessa folhinha verde até o dia em que fui jantar na casa da minha irmã e lá estavam as folhinhas em cima da salada de maionese. Fiquei fã. Num segundo jantar lá estavam as folhinhas novamente, agora em cima do pão assado com óleo de oliva... hummm que delícia!!!

Semana passa fui eu quem cozinhou, meu maravilhoso macarrão... não resisti ao charme de colher as folhinhas na mini-horta da minha irmã... gente que cheiro delicioso... somando com orégano fresco... que também colhi na hora... ficou delicioso!


Então, fica a dica... manjericão é uma delicia e se você não tem um cantinho pra plantar na sua casa, faz igual a maninha... olha que legal a mini horta dela!!! É só procurar uma floricultura e eles fazem pra você!!

Beijos... e cmo tá na hora... bom almoço!!!
Fefa Rodrigues

Um pouco de Poesia...

Chegou junho! Mês dos Namorados e para celebrar o Amor, uma poesia por dia até o grande dia chegar... quem sabe você se inspira a escrever um cartãozinho para aquela pessoa, heim?!

Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, justamente choro e rio,
O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto, um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.

Se me pergunta alguém por que assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.

                                                         Camões


Ahhhh, aproveita e passa no blog La Modee, lá ta tendo comemoração também!! Faz uma homenagem a quem você ama!

Beijos
Fefa Rodrigues

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Preferido: Cem Anos de Solidão

Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Márquez

Eu tenho um caso de amor com essa obra que descobri sem querer durante uma conversa sussurrada na biblioteca da faculdade, quando ainda estava no 1º ano de direito.

Naquele mesmo ano li a obra duas vezes, a primeira assim que descobri sua existência e a segunda a pedido do professor de Ciências Políticas e, desde então, já somei 5 releituras!

Meu exemplar, emprestado e não devolvido :õ(
Então, você deve estar se perguntando o que a obra, que valeu ao autor o Prêmio Nobel de Literatura, tem de tão especial...

Para mim, a resposta é simples, pois o que mais me chama atenção neste livro e em todos os outros do autor, é a forma como ele retrata o absurdo da existência humana sempre em meio a acontecimentos fantásticos... aliás, os experts no assunto classificam seus escritos como “Realismo Fantástico”... eu, em minha falta de conhecimento técnico, defino como Sensacional!

Engraçado que muita gente pra quem eu falo dessa obra se assusta com seu nome. Solidão, muitas vezes, não é algo que agrada, ainda mais se ela durar cem anos!

O livro conta a saga da família Buendia, desde seu patriarca José Arcádio Buendia, passando por seus filhos, netos e bisnetos, da fundação da cidade de Macondo, até o seu fim, quando seu último descendente, enfim, decifra um manuscrito que previa o destino de sua família.

A história é contada a partir dos encontros e desencontros dos membros dessa família e de outros personagens fantásticos, como Maurício da Babilônia, que é sempre seguido por borboleta amarelas, Fernanda, a mulher mais bela que já se teve notícia mas extremamente religiosa, o que atrapalha o bom andamento de seu casamento, Rebeca e a morte misteriosa de seu marido além de acontecimentos inusitados como uma chuva que dura tantos anos a ponto de alagar toda a cidade e fazer os mortos saírem de suas sepulturas, a perda de memória de toda a população da cidade, um comboio carregado com cadáveres, um padre que levita quando toma chocolate quente, e a morte de todos os descendentes do Coronel Aureliano Buendia que ficaram marcados para sempre com a cruz feita em suas testas no dia do batizado, dentre outras situações...

Um livro sem igual, e como bem destacou Ricardo Gondim em seu texto Um caso de Amor publicado na edição de junho/2011 da revista Ultimato:

“Mundos fantásticos, como o de Gabriel Garcia Márquez são criados para que possamos sonhar para além da realidade nua e crua. Essa capacidade de sonhar, tão comum entre os profetas, nos leva à inconformidade com o mundo do jeito que é. (...) Quem viu outra realidade, mesmo em sonho, passa a desejá-la.”

Pena que meu exemplar (aquele da foto) foi emprestado e não foi devolvido, agora minha biblioteca está defasada! :õ(

Fica ai mais uma dica de um ótimo livro... que como eu já disse aqui faz parte da minha categoria O Preferido!

Beijos e Boa leitura!
Fefa Rodrigues

domingo, 29 de maio de 2011

Para pensar... Sobre Deus

Gosto muito dos textos de um teólogo chamado Ricardo Gondim... têm me ajudado a pensar fora da caixa... mas esse texto dele que vou postar a seguir vai um pouco mais longe.... é como se ele me fizesse voar...

Então, sempre que sinto que estou ficando pregada ao chão, eu releio e então a frase “Já não fujo dEle como de um Átila. Eu o chamo de Clemente.” ecoa em minha mente por dias...

Então, vou compartilhar com você...


Sobre Deus
por  Ricardo Gondim

Não sei explicar as razões de minha fé. Não sei dizer os porquês de minha devoção. Sinto-me inadequado para convencer os indiferentes. Como fazer que desejem o mesmo sal que tempera o meu viver? Limitado, reconheço que tudo o que sei sobre o Divino é provisório. Não tenho como negar, minhas convicções vacilam. As certezas que me comovem são, decididamente, vagas.
Sei tão somente que Ele se tornou a minha meta, o meu norte, a minha nostalgia, o meu horizonte, o meu atracadouro. Empenhei o futuro para seguir os seus passos invisíveis. No dia em que o chamei de Senhor, a extensão do meu meridiano se alongou e os fragmentos de meu mapa existencial se encaixaram. Ao seu lado, caíram os tapumes da minha estrada e o ponteiro da minha bússola se imantou.
Sei tão somente que Ele se fez residente no campus dos meus pensamentos. Presente nos vôos da minha imaginação, transformou-se no mais doce ponto de minhas interrogações. Causa de toda inquietação, tornou-se a fonte de minha clarividência.
Sei tão somente que Ele se desfraldou como flâmula sobre meus ombros. Por amar tanto e tão formidavelmente, cilício, purgações, sacrifícios, tudo foi substituído por desassombro. No porão da tortura, nos suplícios culposos, achei um ambulatório, o seu regaço.
Livros contábeis, que registravam meus erros, foram rasgados. Encaro a eternidade com a sensação de que as sentenças estão suspensas. Já não fujo dEle como de um Átila. Eu o chamo de Clemente.
Sei tão somente que Ele ardeu o delicado filamento que acendeu a luz dos meus olhos. Ele foi o mourão que marcou o outeiro de minha alma; sou um jardim fechado. Ele é o badalo que dobra o sino do meu coração e o alforje onde guardo acertos e desacertos do meu destino.
Sei tão somente que Ele me fascina com a sua luz refratada em muitos matizes. Dele vem o encarnado que tinge a minha face com o rubor do sol. Seu amarelo me brinda com o açafrão do mistério transcendental. Vejo um roxo que me colore de púrpura real. Seu branco é lunar e me prateia. Seu preto me imprime de um nanquim celeste. Por sua causa, a minha alma espelha o azul dos oceanos virgens.
O que dizer de Deus? Tão pouco! Calado, só espero que o meu espanto celebre o tamanho da minha reverência.

Se você quiser ler mais de seus textos, clique aqui.

Boa leitura, bom domingo e uma semana maravilhosa a todos!!
Beijos
Fefa Rodrigues