sábado, 28 de maio de 2011

O Hobbit – Tolkien

“Numa toca no chão vivia um hobbit.”

Detalhe da Capa
Dizem que um dia Tolkien estava corrigindo provas de seus alunos e, ao se deparar com uma folha em branco, ele teria escrito essa frase e assim teria nascido a Terra Média e todas as aventuras que, no início, eram apenas histórias que ele contava para fazer os filhos dormir.

Depois de ter lido O Senhor dos Anéis e Contos Inacabados, ganhei O Hobbit, da minha sobrinha Dani, outra Apaixonada por Papel (é, esse é um mal de família) e li rapidinho. Adorei!

O livro, que já está se tornando filme, conta a história de Bilbo Bolseiro, o tio do Frodo, um hobbit pacato e pouco aventureiro que leva sua vidinha tranquila no condado até o dia em que Gandalf bate à sua porta e o convida para uma missão: roubar o tesouro de Smaug, o magnifico.

Adoro esses mapas!!!
Bilbo, que a principio não quer deixar sua rotina, acaba por embarcar nessa aventura que o levará a conhecer um mondo novo e que vai mudar toda a sua vida, até encontrar o Um Anel. Essa obra, apresar de ser bem mais curta e parecer um pouco mais infantil, tem a mesma qualidade de O Senhor dos Anéis, cheio de magia e de situações que parecem irremediáveis, mas que a esperteza de Bilbo consegue resolver.


O livro faz a gente pensar sobre as oportunidades que a vida nos dá de sairmos de nosso mundinho confortável pra conhecer o que há do outro lado da janela.

Pensando nisso, me lembrei de uma cena de O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, quando os quatro hobbits estão deixando o condado e no final de uma grande plantação Sam para, olha para trás e diz “eu nunca estive tão longe de casa”.

Depois daquele passo que o levou pra tão longe de casa ele viveu muita coisa, passou por momentos difíceis ao lado de Frodo, mas, como um portador do Um Anel, se tornou imortal.

Smaug, O Magnífico
Ele poderia não ter dado aquele passo, ele poderia ter ficado seguro no condado e talvez não haja nada de ruim nisso, uma questão de escolha... ele não teria que ter enfrentado o medo em Moriá, a fome e o cansaço da jornada... e até mesmo a desconfiança de Frodo. Mas ele deu o passo. E eu, quando tiver a oportunidade, também darei o passo!

Bem, divagações a parte, quem gostou de O Senhor dos Anéis não pode deixar de ler esse livro que ajuda a entender melhor a Terra Média e como Eustáquio foi se tornar um dragão... ôpa! Mas essa já é outra história ;o)

Ah, e dá pra aproveitar e ler antes que o filme chegue na telona, é sempre mais legal assistir depois de ter lido! E pra incentivar ainda mais a leitura, ai vai o comecinho do livro:

“Numa toca no chão vivia um hobbit. Não uma toca desagradável, suja e úmida, cheio de restos de minhocas e com cheiro de lodo; tampouco uma toca seca, vazia e arenosa, sem nada em que se sentar ou o que comer: era a toca de um hobbit, e isso quer dizer conforto."




Só pra finalizar, dá uma olhadinha nessa foto ai em cima. Eu passo por essa árvore todo santo dia na hora do almoço e toda vez eu me lembro daquela frase do início do livro. Diz ai se essa não seria uma morada perfeita pra um hobbit, um duende ou um fauno, heim?!?!

Beijos e boa leitura!!!
Fefa Rodrigues




sexta-feira, 27 de maio de 2011

Apaixonada por... Cemitérios?!?!

Aproveitando a postagem anterior sobre o conto Venha ver o pôr-do-sol, vou confessar uma paixão minha que poderá ser considerada meio sinistra: Cemitérios!

Mas calma! Não sou gótica não gente... nem levo jeito pra isso! Apenas encontro uma beleza na quietude, na paz e na lembrança que os cemitérios têm e isso me atrai...

Então, ai vai algumas das fotos que eu fiz no cemitério da cidade já faz algum tempo, antes mesmo de eu sonhar em ter um Blog... Por que além de Apaixonada por Papel e por Cemitérios, também sou Apaixonada por Fotografia!
















 

Essa é minha preferida... acho que por causa do contraste da cor do céu...


Beijos
Fefa

Venha ver o pôr-do-sol - Lygia Fagundes Telles.

Aproveitando que é sexta-feira, vou postar um texto longo, na verdade um conto da escritora Lygia Fagundes Telles.

O texto é muito bom, então, se você não está com tempo agora, volte mais tarde e leia esse surpreendente conto com calma, divagando pelas palavras e imaginando as cenas... vai valer a pena e vai te fazer pensar um pouco sobre o amor.

Boa leitura...


Venha ver o pôr-do-sol

“Ela subiu sem pressa a tortuosa ladeira. À medida que avançava, as casas iam rareando, modestas casas espalhadas sem simetria e ilhadas em terrenos baldios. No meio da rua sem calçamento, coberta aqui e ali por um mato rasteiro, algumas crianças brincavam de roda. A débil cantiga infantil era a única nota viva na quietude da tarde. Ele a esperava encostado a uma árvore. Esguio e magro, metido num largo blusão azul-marinho, cabelos crescidos e desalinhados, tinham um jeito jovial de estudante.
- Minha querida Raquel.
Ela encarou-o, séria. E olhou para os próprios sapatos.
- Vejam que lama. Só mesmo você inventaria um encontro num lugar destes. Que idéia, Ricardo, que idéia! Tive que descer do táxi lá longe, jamais ele chegaria aqui em cima Ele sorriu entre malicioso e ingênuo.
- Jamais, não é? Pensei que viesse vestida esportivamente e agora me aparece nessa elegância...Quando você andava comigo, usava uns sapatões de sete-léguas, lembra?
- Foi para falar sobre isso que você me fez subir até aqui? - perguntou ela, guardando as luvas na bolsa. Tirou um cigarro.
- Hem?!- Ah, Raquel... - e ele tomou-a pelo braço rindo - Você está uma coisa de linda. E fuma agora uns cigarrinhos pilantras, azul e dourado...Juro que eu tinha que ver uma vez toda essa beleza, sentir esse perfume. Então fiz mal?
- Podia ter escolhido um outro lugar, não? – Abrandara a voz – E que é isso aí? Um cemitério?
Ele voltou-se para o velho muro arruinado. Indicou com o olhar o portão de ferro, carcomido pela ferrugem.
- Cemitério abandonado, meu anjo. Vivos e mortos, desertaram todos. Nem os fantasmas sobraram, olha aí como as criancinhas brincam sem medo – acrescentou, lançando um olhar às crianças rodando na sua ciranda. Ela tragou lentamente. Soprou a fumaça na cara do companheiro. Sorriu.
- Ricardo e suas idéias. E agora? Qual é o programa?
Brandamente ele a tomou pela cintura.
- Conheço bem tudo isso, minha gente está enterrada aí. Vamos entrar um instante e te mostrarei o pôr do sol mais lindo do mundo. Perplexa, ela encarou-o um instante. E vergou a cabeça para trás numa risada.
- Ver o pôr do sol!...Ah, meu Deus... Fabuloso, fabuloso!... Me implora um último encontro, me atormenta dias seguidos, me faz vir de longe para esta buraqueira, só mais uma vez, só mais uma! E para quê? Para ver o pôr do sol num cemitério...
Ele riu também, afetando encabulamento como um menino pilhado em falta.
- Raquel minha querida, não faça assim comigo. Você sabe que eu gostaria era de te levar ao meu apartamento, mas fiquei mais pobre ainda, como se isso fosse possível. Moro agora numa pensão horrenda, a dona é uma Medusa que vive espiando pelo buraco da fechadura...
- E você acha que eu iria?
- Não se zangue, sei que não iria, você está sendo fidelíssima. Então pensei, se pudéssemos conversar um instante numa rua afastada...- disse ele, aproximando-se mais. Acariciou-lhe o braço com as pontas dos dedos. Ficou sério. E aos poucos, inúmeras rugazinhas foram se formando em redor dos seus olhos ligeiramente apertados. Os leques de rugas se aprofundaram numa expressão astuta. Não era nesse instante tão jovem como aparentava. Mas logo sorriu e a rede de rugas desapareceu sem deixar vestígio. Voltou-lhe novamente o ar inexperiente e meio desatento.
- Você fez bem em vir.
- Quer dizer que o programa... E não podíamos tomar alguma coisa num bar?
- Estou sem dinheiro, meu anjo, vê se entende.
- Mas eu pago.
- Com o dinheiro dele? Prefiro beber formicida. Escolhi este passeio porque é de graça e muito decente, não pode haver passeio mais decente, não concorda comigo? Até romântico.
Ela olhou em redor. Puxou o braço que ele apertava.
- Foi um risco enorme Ricardo. Ele é ciumentíssimo. Está farto de saber que tive meus casos. Se nos pilha juntos, então sim, quero ver se alguma das suas fabulosas idéias vai me consertar a vida.
- Mas me lembrei deste lugar justamente porque não quero que você se arrisque, meu anjo. Não tem lugar mais discreto do que um cemitério abandonado, veja, completamente abandonado – prosseguiu ele, abrindo o portão. Os velhos gonzos gemeram.
- Jamais seu amigo ou um amigo do seu amigo saberá que estivemos aqui.
- É um risco enorme, já disse . Não insista nessas brincadeiras, por favor. E se vem um enterro? Não suporto enterros.
- Mas enterro de quem? Raquel, Raquel, quantas vezes preciso repetir a mesma coisa?! Há séculos ninguém mais é enterrado aqui, acho que nem os ossos sobraram, que bobagem. Vem comigo, pode me dar o braço, não tenha medo...
O mato rasteiro dominava tudo. E, não satisfeito de ter se alastrado furioso pelos canteiros, subira pelas sepulturas, infiltrando-se ávido pelos rachões dos mármores, invadira alamedas de pedregulhos esverdinhados, como se quisesse com a sua violenta força de vida cobrir para sempre os últimos vestígios da morte.
Foram andando vagarosamente pela longa alameda banhada de sol. Os passos de ambos ressoavam sonoros como uma estranha música feita do som das folhas secas trituradas sobre os pedregulhos. Amuada mas obediente, ela se deixava conduzir como uma criança. Às vezes mostrava certa curiosidade por uma ou outra sepultura com os pálidos medalhões de retratos esmaltados.
- É imenso, hem? E tão miserável, nunca vi um cemitério mais miserável, é deprimente – exclamou ela atirando a ponta do cigarro na direção de um anjinho de cabeça decepada - Vamos embora, Ricardo, chega.
- Ah, Raquel, olha um pouco para esta tarde! Deprimente por quê? Não sei onde foi que eu li, a beleza não está nem na luz da manhã nem na sombra da tarde, está no crepúsculo, nesse meio-tom, nessa ambigüidade. Estou lhe dando um crepúsculo numa bandeja e você se queixa.
- Não gosto de cemitério, já disse. E ainda mais cemitério pobre. Delicadamente ele beijou-lhe a mão.
- Você prometeu dar um fim de tarde a este seu escravo.
- É, mas fiz mal. Pode ser muito engraçado, mas não quero me arriscar mais.
- Ele é tão rico assim?
- Riquíssimo. Vai me levar agora numa viagem fabulosa até o Oriente. Já ouviu falar no Oriente? Vamos até o Oriente, meu caro...
Ele apanhou um pedregulho e fechou-o na mão. A pequenina rede de rugas voltou a se estender em redor dos seus olhos. A fisionomia, tão aberta e lisa, repentinamente escureceu, envelhecida. Mas logo o sorriso reapareceu e as rugazinhas sumiram.
- Eu também te levei um dia para passear de barco, lembra?
Recostando a cabeça no ombro do homem, ela retardou o passo.
- Sabe Ricardo, acho que você é mesmo tantã... Mas, apesar de tudo, tenho às vezes saudade daquele tempo. Que ano aquele! Palavra que, quando penso, não entendo até hoje como agüentei tanto, imagine um ano.
- É que você tinha lido A dama das Camélias, ficou assim toda frágil, toda sentimental. E agora? Que romance você está lendo agora. Hem?
- Nenhum - respondeu ela, franzindo os lábios. Deteve-se para ler a inscrição de uma laje despedaçada: - A minha querida esposa, eternas saudades - leu em voz baixa. Fez um muxoxo.
- Pois sim. Durou pouco essa eternidade. Ele atirou o pedregulho num canteiro ressequido. Mas é esse abandono na morte que faz o encanto disto. Não se encontra mais a menor intervenção dos vivos, a estúpida intervenção dos vivos.
- Veja - disse, apontando uma sepultura fendida, a erva daninha brotando insólita de dentro da fenda -, o musgo já cobriu o nome na pedra. Por cima do musgo, ainda virão as raízes, depois as folhas... Esta a morte perfeita, nem lembrança, nem saudade, nem o nome sequer. Nem isso. Ela aconchegou-se mais a ele. Bocejou.
- Está bem, mas agora vamos embora que já me diverti muito, faz tempo que não me divirto tanto, só mesmo um cara como você podia me fazer divertir assim – Deu-lhe um rápido beijo na face.
- Chega Ricardo, quero ir embora.
- Mais alguns passos...
- Mas este cemitério não acaba mais, já andamos quilômetros! – Olhou para atrás. – Nunca andei tanto, Ricardo, vou ficar exausta.
- A boa vida te deixou preguiçosa. Que feio – lamentou ele, impelindo-a para frente. – Dobrando esta alameda, fica o jazigo da minha gente, é de lá que se vê o pôr do sol. – E, tomando-a pela cintura: - Sabe, Raquel, andei muitas vezes por aqui de mãos dadas com minha prima. Tínhamos então doze anos. Todos os domingos minha mãe vinha trazer flores e arrumar nossa capelinha onde já estava enterrado meu pai. Eu e minha priminha vínhamos com ela e ficávamos por aí, de mãos dadas, fazendo tantos planos. Agora as duas estão mortas.
- Sua prima também?
- Também. Morreu quando completou quinze anos. Não era propriamente bonita, mas tinha uns olhos... Eram assim verdes como os seus, parecidos com os seus. Extraordinário, Raquel, extraordinário como vocês duas... Penso agora que toda a beleza dela residia apenas nos olhos, assim meio oblíquos, como os seus.
- Vocês se amaram?
- Ela me amou. Foi a única criatura que...- Fez um gesto. – Enfim não tem importância. Raquel tirou-lhe o cigarro, tragou e depois devolveu-o.
 - Eu gostei de você, Ricardo.
- E eu te amei. E te amo ainda. Percebe agora a diferença? Um pássaro rompeu o cipreste e soltou um grito. Ela estremeceu.
- Esfriou, não? Vamos embora.
 - Já chegamos, meu anjo. Aqui estão meus mortos. Pararam diante de uma capelinha coberta de alto a baixo por uma trepadeira selvagem, que a envolvia num furioso abraço de cipós e folhas. A estreita porta rangeu quando ele a abriu de par em par. A luz invadiu um cubículo de paredes enegrecidas, cheias de estrias de antigas goteiras. No centro do cubículo, um altar meio desmantelado, coberto por uma toalha que adquirira a cor do tempo. Dois vasos de desbotada opalina ladeavam um tosco crucifixo de madeira. Entre os braços da cruz, uma aranha tecera dois triângulos de teias já rompidas, pendendo como farrapos de um manto que alguém colocara sobre os ombro do Cristo. Na parede lateral, à direita da porta, uma portinhola de ferro dando acesso para uma escada de pedra, descendo em caracol para a catacumba. Ela entrou na ponta dos pés, evitando roçar mesmo de leve naqueles restos da capelinha.
- Que triste é isto, Ricardo. Nunca mais você esteve aqui?
Ele tocou na face da imagem recoberta de poeira. Sorriu melancólico.
- Sei que você gostaria de encontrar tudo limpinho, flores nos vasos, velas, sinais da minha dedicação, certo? Mas já disse que o que eu mais amo neste cemitério é precisamente esse abandono, esta solidão. As pontes com o outro mundo foram cortadas e aqui a morte se isolou total. Absoluta.
Ela adiantou-se e espiou através das enferrujadas barras de ferro da portinhola. Na semi-obscuridade do subsolo, os gavetões se estendiam ao longo das quatro paredes que formavam um estreito retângulo cinzento
.- E lá embaixo? - Pois lá estão as gavetas. E, nas gavetas, minhas raízes. Pó, meu anjo, pó - murmurou ele. Abriu a portinhola e desceu a escada. Aproximou-se de uma gaveta no centro da parede, segurando firme na alça de bronze, como se fosse puxá-la.
- A cômoda de pedra. Não é grandiosa? Detendo-se no topo da escada, ela inclinou-se mais para ver melhor.
- Todas estas gavetas estão cheias?
- Cheias?...- Sorriu.- Só as que tem o retrato e a inscrição, está vendo? Nesta está o retrato da minha mãe, aqui ficou minha mãe - prosseguiu ele, tocando com as pontas dos dedos num medalhão esmaltado, embutido no centro da gaveta. Ela cruzou os braços. Falou baixinho, um ligeiro tremor na voz.
- Vamos, Ricardo, vamos.
- Você está com medo?
- Claro que não, estou é com frio. Suba e vamos embora, estou com frio!
Ele não respondeu. Adiantara-se até um dos gavetões na parede oposta e acendeu um fósforo. Inclinou-se para o medalhão frouxamente iluminado:
- A priminha Maria Emília. Lembro-me até do dia em que tirou esse retrato. Foi umas duas semanas antes de morrer... Prendeu os cabelos com uma fita azul e vejo-a se exibir, estou bonita? Estou bonita?...- Falava agora consigo mesmo, doce e gravemente.- Não, não é que fosse bonita, mas os olhos...Venha ver, Raquel, é impressionante como tinha olhos iguais aos seus.
Ela desceu a escada, encolhendo-se para não esbarrar em nada.
- Que frio que faz aqui. E que escuro, não estou enxergando...Acendendo outro fósforo, ele ofereceu-o à companheira.
- Pegue, dá para ver muito bem...- Afastou-se para o lado.- Repare nos olhos.- Mas estão tão desbotados, mal se vê que é uma moça...
Antes da chama se apagar, aproximou-a da inscrição feita na pedra. Leu em voz alta, lentamente.
- Maria Emília, nascida em vinte de maio de mil oitocentos e falecida...
Deixou cair o palito e ficou um instante imóvel.
- Mas esta não podia ser sua namorada, morreu há mais de cem anos! Seu menti...
Um baque metálico decepou-lhe a palavra pelo meio. Olhou em redor. A peça estava deserta. Voltou o olhar para a escada. No topo, Ricardo a observava por detrás da portinhola fechada. Tinha seu sorriso meio inocente, meio malicioso.
- Isto nunca foi o jazigo da sua família, seu mentiroso? Brincadeira mais cretina! – exclamou ela, subindo rapidamente a escada. – Não tem graça nenhuma, ouviu?
Ele esperou que ela chegasse quase a tocar o trinco da portinhola de ferro. Então deu uma volta à chave, arrancou-a da fechadura e saltou para trás.
- Ricardo, abre isto imediatamente! Vamos, imediatamente! – ordenou, torcendo o trinco.- Detesto esse tipo de brincadeira, você sabe disso. Seu idiota! É no que dá seguir a cabeça de um idiota desses. Brincadeira mais estúpida!
- Uma réstia de sol vai entrar pela frincha da porta, tem uma frincha na porta. Depois, vai se afastando devagarinho, bem devagarinho. Você terá o pôr do sol mais belo do mundo.
Ela sacudia a portinhola.
- Ricardo, chega, já disse! Chega! Abre imediatamente, imediatamente! - Sacudiu a portinhola com mais força ainda, agarrou-se a ela, dependurando-se por entre as grades. Ficou ofegante, os olhos cheios de lágrimas. Ensaiou um sorriso.
- Ouça, meu bem, foi engraçadíssimo, mas agora preciso ir mesmo, vamos, abra... Ele já não sorria. Estava sério, os olhos diminuídos. Em redor deles, reapareceram as rugazinhas abertas em leque.
- Boa noite, Raquel.
- Chega, Ricardo! Você vai me pagar!... - gritou ela, estendendo os braços por entre as grades, tentando agarrá-lo - Cretino! Me dá a chave desta porcaria, vamos!- exigiu, examinando a fechadura nova em folha. Examinou em seguida as grades cobertas por uma crosta de ferrugem. Imobilizou-se. Foi erguendo o olhar até a chave que ele balançava pela argola, como um pêndulo. Encarou-o, apertando contra a grade a face sem cor. Esbugalhou os olhos num espasmo e amoleceu o corpo. Foi escorregando.
- Não, não...
Voltado ainda para ela, ele chegara até a porta e abriu os braços. Foi puxando as duas folhas escancaradas.
- Boa noite, meu anjo.
Os lábios dela se pregavam um ao outro, como se entre eles houvesse cola. Os olhos rodavam pesadamente numa expressão embrutecida.
- Não...
Guardando a chave no bolso, ele retomou o caminho percorrido. No breve silêncio, o som dos pedregulhos se entrechocando úmidos sob seus sapatos. E, de repente, o grito medonho, inumano:
- NÃO! Durante algum tempo ele ainda ouviu os gritos que se multiplicaram, semelhantes aos de um animal sendo estraçalhado.
Depois, os uivos foram ficando mais remotos, abafados como se viessem das profundezas da terra. Assim que atingiu o portão do cemitério, ele lançou ao poente um olhar mortiço. Ficou atento. Nenhum ouvido humano escutaria agora qualquer chamado. Acendeu um cigarro e foi descendo a ladeira.
Crianças ao longe brincavam de roda.


****


Agora, para tirar o gostinho amargo que o texto deixa na boca, vou postar umas belas fotos do pôr-do-sol que tirei durante o Carnaval...











Beijos e bom fim de semana!
Fefa Rodrigues

quinta-feira, 26 de maio de 2011

As Memórias do Livro – Geraldine Brooks e uma lição de tolerância!!

Esse é mais um daqueles livros que eu comprei pela capa. Nunca tinha ouvido falar na autora, apesar dela ter recebido o Prêmio Pulitzer de ficção por essa obra em que duas histórias são contadas ao mesmo tempo.
Detalhe da capa do Livro
Hanna Heath é uma especialista em restauração de documentos antigos contratada pela ONU para analisar e restaurar um tesouro. A Hagadá de Sarajevo que estava desaparecida desde a Guerra Civil em 1992 e que foi descoberta por um bibliotecário muçulmano na Bósnia.
A Hagada intriga os  especialistas principalmente por suas representações belíssimas, o que contrariava as regras judaicas da época - já que ela tem mais de cinco séculos de existência - e por ter sobrevivido a séculos de anti-semitismo e perseguiçãona Europa.
A partir da análise do raro livro pela personagem principal, outra história se desenrola, e cada descoberta remete a ação de uma pessoa em uma determinada época, que levou à produção daquela obra maravilhosa.
A partir de minusculas pistas encontradas em suas páginas, como manchas de vinho, cristais de sal, a asa de um inseto, pelos de gato... a história da Hagadá vai sendo reconstruída até chegar a sua origem.
Cada uma dessas pistas se transforma em um pequeno conto acerca de homens e mulheres que, em diferentes épocas, e independentemente de suas crenças religiosas, combateram a intolerância para proteger o manuscrito, por simples paixão pelo livro.
A Hagadá, para quem não sabe (e eu não sabia até ler esse livro), é um livro usado pelos judeus nas comemorações de Páscoa e que conta a história do Êxodo.
Bom, gostei muito desses pequenos contos que narram a história da viagem da Hagadá desde a longinqua Idade Média até a Guerra Civil na Bósnia.
Não gostei da história que serve de pano de fundo, ou seja, a personagem principal, seu envolvimento com o bibliotecário e suas dificuldades no relacionamento com a mãe, realmente essa parte da história me lembra algo tipo Dan Brown... sei lá... mas a parte dos contos vale muito a pena mesmo...
E ai é que vem a lição acerca da tolerância. Acho que o ponto principal da história é a união impensada entre pessoas de credos distintos - judeus, cristãos e muçulmanos, e tão distantes no tempo, mas que juntos acabaram por produzir uma obra prima de beleza inestimável e isso é inspirador.
Já fui acusada de ecumenismo (sei lá se isso pode ser considerada uma acusação, pra mim está mais pra elogio), mas a verdade é que, apesar de eu ter minhas crenças religiosas, isso não me impede de reconhecer a beleza da diversidade e, muito pelo contrário, isso só me leva a olhar para os diferentes como pessoas que tem muito a me oferecer e que certamente há muito mais em comum entre nós do que diferenças que possamos apontar.
Por isso, eu realmente levanto a bandeira COEXISTA!!
Agora, algumas imagens de diversas Hagadás gentilmente cedidas pelo Google!




 “De meus olhos vertem tristeza; odres de água que vazam”
                                               - Abid Bin Al-Abras

Beijos e boa leitura!
Fefa Rodrigues

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Homem que matou Getúlio Vargas – Jô Soares

Minha ainda humilde biblioteca!
Eu ainda não tenho uma biblioteca de verdade, tenho essas quatro prateleiras cheias de livros, mas, com o tempo e se Deus quiser, o Davi e eu teremos uma biblioteca com muitas prateleiras cheias. Apesar de parecer pouco, são quase 200 livros já!

Como eu comentei aqui, houve uma época da minha vida em que eu devorei toda literatura brasileira que encontrei pela frente, pois eu tinha me apaixonado por livros e só tinha acesso às obras disponíveis na biblioteca municipal ou no único sebo da cidade. Como nesses lugares quase que só havia literatura brasileira e eu não tinha qualquer acesso aos autores estrangeiros, não sobrou muita coisa sem que eu tenha lido.

Mas, hoje em dia, eu acabo comprando quase que exclusivamente literatura estrangeira, os únicos livros brasileiros que eu compro, por razões óbvias, são os de direito. Por isso, de todos esses livros que enchem minhas parcas prateleiras, apenas cinco são de autores brasileiros. São eles, Seara Vermelha e Mar Morto, do Jorge Amado, Senhora do José de Alencar (meu livro brasileiro favorito) e Assassinato na Academia Brasileira de Letras e O Homem que Matou Getúlio Varas, os dois do Jô Soares, e é desse último que eu quero falar um pouco hoje.

Como também já contei aqui esse foi o primeiro livro que eu ganhei, foi um presente da minha mãe no Natal de 1998 e me lembro como se fosse hoje da gente indo buscar o livro na Papelaria Colmeia, única livraria da cidade na época. 

A obra é divertidíssima e conta as aventuras de Dimitri Borja Korozek, filho de Isabel, uma atriz circense brasileira, e de Ivan Korzek, um sérvio por quem ela se apaixona e com quem ela se casa  durante uma turnê pelos Balcãs.

Dimitri nasce na Bósnia, e sob a influência anarquista de seu pai, o menino de belos cabelos cacheados e olhos verdes, desde criança participa das reuniões do partido e acaba por entregar sua vida à causa, formando-se em uma tradicional escola secreta de assassinos.

Agora, preparado para defender a causa anarquista, mesmo que seja derramando sangue, e considerado marcado pelo destino para isso, pois nasceu com seis dedos em cada mão o que só poderia representar um sinal de sua especial condição, de seu dom, ele parece o homem certo para as mais temidas missões, porém, sofre de um mal crônico: ele é completamente desastrado.

A história é muito divertida e o Jô consegue colocar Dimitri em todos os grandes momentos da história, desde a morte do Duque Francisco Ferdinando, que levou a eclosão da primeira Guerra Mundial, passando por aventuras com a famosa espiã Mata Hari, pelo episódio dos taxis que levaram os soldados franceses até a frente de batalha, com direito a uma participação especial na disseminação do vírus da gripe espanhola pelo mundo, e ainda, trabalhando como capanga de Al Capone, quase pondo fim a filmagem do clássico Bem Hur, até chegar ao Brasil nos tempos do governo de Getúlio Vargas, quando ele compreende que a missão de sua vida é acabar com o governo autoritário que dominava a terra natal de sua mãe.

Dimitri então se infiltra no grupo de segurança pessoal do presidente Getúlio Vargas e se mantém a espreita esperando o momento certo de por seus planos em ação, e tudo indica que esse momento está chegando, mas será que enfim ele irá cumprir o seu fabuloso destino?

Dimitri é assim, o homem errado no lugar certo, e que sempre quase consegue cumprir seu destino de assassino profissional, mas o azar está sempre ao seu lado para atrapalhar. O livro é uma comédia, e o Jô uniu com perfeição os eventos históricos numa linha traçada a partir da biografia fictícia desse assassino. Muito bom, vale a pena ler.

Um detalhe que torna o livro ainda mais cômico, são as ilustrações que recheiam suas páginas, com o Dimitri sempre meio escondido nas fotos (Até lembra os desenhos do Tom e Jerry que nunca mostra o rostod as pessoas e a gente fica só na curiosidade!). Vou reproduzir algumas das imagens abaixo, como são fotografias, não ficaram muito boas, mas dá pra ter uma idéia.


Aqui, o Jô encontra Dimitri num cantinho da famosa obra Guernica
 
Segundo Jô, esse seria um retrato de Dimitri rabiscado por Picasso em um guardanapo de papel
 
Um relance das mãos de Dimitri

Mais uma vez a gente quase vê Dimitri numa foto tirada em um momento histórico

Aqui, Dimitri não saiu na foto porque tinha ido ao banheiro nesse exato momento

Aqui a minha preferida, uma foto de Dimitri e Mata Hari, tirada por um anão, por isso só aparecem as pernas dos dois!!

Detalhe ao fundo, uma mão com seis dedos!

Como já é um livo bem antigo, não sei se á fácil encontrar para comprar, mas se você tiver oportunidade, leia, ainda mais se você, como eu, é um Apaixonado por História!!

Realmente um livro muito bom e muito divertido que eu já li duas vezes!!!

Fica aí a dica de hoje, beijos...
Fefa

terça-feira, 24 de maio de 2011

Um pouco de Winston Churchill

“Eu só tenho a oferecer sangue, sofrimento, suor e lágrimas.”

Com essa frase o primeiro ministro inglês encerrou seu discurso na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, em 13 de maio de 1940, defendendo uma firme oposição da Inglaterra em face do avanço nazista.

Há algum tempo atrás a Folha de São Paulo lançou a coleção Livros que Mudaram o Mundo. Comprei alguns exemplares, entre eles Discursos que Mudaram o Mundo (e também o Al Corão!!) e eu, que já tinha uma simpatia pela pessoa de Winston Churchill, corri para ler seu discurso falando sobre a Guerra e a necessidade da Inglaterra resistir ao nazismo a qualquer preço e encontrei a frase acima.

Capa da biografia que estou lendo
Depois de ler seu discurso, me animei ainda mais por esse personagem histórico e busquei uma biografia dele, para minha sorte o site das Lojas Americanas estava com uma super promoção, e encontrei uma biografia por R$ 9,90 (o preço fora da promoção era R$ 59,90), claro que comprei na hora, né!?

Falando a verdade, não sou fã de biografias, por isso acabo lendo apenas um trecho por dia nos horários de folga aqui no trampo já que, por laser, no momento estou lendo Ana Karenina, e fora a biografia do Churchill ainda pretendo ler sobre a vida da Madre Teresa e já li um pouco sobre a vida de Martin Luther King, mas estou gostando dessa.

Interessante ver como uma pessoa tão importante, um ícone da história, também teve seus momentos de altos e baixos, também sofreu derrotas e conheceu o fracasso, mas não se deixou vencer por eles, continuou firme em busca de seus objetivos até se tornar um marco. Realmente, perseverança é essencial.

Assim, graças em grande parte a Inglaterra, o nazismo foi derrotado. Não fecho os olhos para as posteriores atrocidades cometidas pelos aliados, alias em muitas coisas não dá para diferenciar a maldade nazista do comportamento aliado quando da retomada das áreas ocupadas pelos alemães, sem contar a barbárie que foi a bomba atômica, mas a postura e a força desse grande estadista me conquistaram, de modo que ele é meu personagem histórico favorito!

"Perguntam-me qual é o nosso objetivo? Posso responder com uma só palavra: Vitória - vitória a todo o custo, vitória a despeito de todo o terror, vitória por mais longo e difícil que possa ser o caminho que a ela nos conduz; porque sem a vitória não sobreviveremos."

Além de estadista, Winston Churchill foi escritor e recebeu o Prêmio Nobel de Lliteratura em 1953, por sua obra A Segunda Guerra Mundial.

Vale a pena conhecer um pouco mais da vida desse grande homem e se inspirar com suas experiências e posturas!!

Beijos
Fefa Rodrigues

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Código da Vinci e minha experiência na Inquisição

O livro O Código da Vinci, do escritor Dan Brown, sem dúvida nenhuma causou. Com sinceridade, não considero o cara um gênio da literatura (sempre lembrando que não sou uma expert no assunto, ok?!), mas verdade é que ele encontrou uma fórmula que deu certo e que, vale até lembrar, ele usa como “esqueleto” em suas outras obras Anjos e Demônios e O Simbolo Perdido, que também já li e que serão objeto de postagens futuras!

As três orbas seguem o esquema assassinato misterioso + uma personagem feminina linda e inteligentíssima + uma perseguição policial + o professor Robert Langdon decifrando um grande mistério capaz de abalar os fundamentos da sociedade... tudo com uma facilidade que faz parecer fácil... (fica aqui a dica, Moretti, pede ajuda pra ele e quem sabe você vence alguma edição do Caça ao Tesouro, heim!!??). No livro O Código da Vinci ele soma à essa fórmula bem sucedida um esquema de conspiração milenar e um segredo muito bem guardado pela Igreja Católica envolvendo o Santo Graal.

Detalhe das Ilustrações

Um pouco além da questão referente a qualidade do livro, o que realmente me deixou incomodada na época em que estre virou best seller foi a polêmica em torno da obra, tudo por conta do que seria realmente o tal Santo Graal (poxa, vou resistir à tentação de mencionar a resposta do grande enigma porque vai que tem alguem por ai que ainda não leu, né?!)

Detalhe das Ilustrações
Ouvi tantos absurdos, coisas como o livro sendo uma obra com o fim de abalar o cristianismo em todas as suas vertentes, que o livro era o sinal do anticristo, que o mundo estava acabando... blá blá blá.. Poxa vida, quem em sã consciência acredita mesmo que uma simples obra de ficção, ressalto: ficção, poderia destruir o cristianismo ou abalar a fé das pessoas, mesmo porque, quem tem o mínimo conhecimento histórico, pode até ser aquele conhecimento adquirido a partir do Mago Google e da Wikipédia, percebe que toda a trama se baseia em dados históricos incorretos ou manipulados de acordo com o interesse do autor e claro, sem ue isso seja uma critia a ele, ele só usou o que tinha à disposição pra criar sua história, principalmente Dan Brown com certeza não é nenhum Bernard Cornwell... e sinceramente, a fé que se abala pelos escritos de uma obra qualquer, é qualquer coisa, menos fé...

Voltando ao livro, tenho que admitir que é bem legal, uma história cheia de aventuras e que consegue manter o interesse do leitor do início ao fim... falta um pouco de qualidade, especialmente dos personagesn que, em todas oas obras, se repetem, mudando apenas de nome, endereço e profissão, mas acho que percebo isso por estar acostumada a ler autores como (mais uma vez) Bernard Cornwell, Conn Iuggulden, Valério Manfredini... alta qualidade, né... isso para apontar só os romances históricos
Detalhe das Ilustrações

Quanto ao filme, poxa, apesar de eu repetir isso quase que como regra sobre toda e qualquer adaptação para o cinema, definitivamene não fez jus ao livro... todo mundo que foi assistir ficou decepcionado, aqueles que ja tinham lido o livro sabiam que havia muito mais a se contar, já aqueles que não tinham lido ficaram se perguntando o que tanta gente tinha visto nele e qual a razão de tantos fãs... eita filme parado, viu! Mesmo com Tom Hanks o filme não coneguiu transmitir a sensação frenética do livro! Nada a ver...

Bom, por fim, não vou fazer resuminho da obra porque acho que está todo mundo cansado de conhecer a história, e quem ainda não conhece, vale a pena sim ler...

Então, já que o livro não é excepcional e a história é super conhecida, seja pela leitura seja pelo filme,  acredito que a parte mais interessante dessa postagem é a que vem agora, que é a minha experiência na Inquisição.

Não sei se vocês se lembram de quando a TV Globo exibiu o filme O Código da Vinci pela primeira vez, bem, no dia seguinte, um mocinho que trabalhava comigo me contou que seu pai, depois de assistir ao filme, indignado com a questão de quem seria o Santo Graal, exigiu que ele queimasse seu exemplar, uma edição ilustrada. Sua última palavra foi de que aquele livro maligno deveria ir para a fogueira! Quando ele me contou isso me senti na Idade Média, eu que tanto amo essa fase da história fiquei apavorada! Imagina queimar o livro... “traz ele pra mim” - eu pedi... ele ficou meio pensativo, depois prometeu que se o livro ainda existisse ele traria no dia seguinte. Ele teve coragem de salvar o livro das chamas, a desculpa que ele eu ao pai dele eu desconheço, mas foi assim que uma edição ilustrada de O Código da Vinci se livrou da fogueira para fazer parte da minha biblioteca e foi assim que por um breve momento eu me senti na Inquisição!

Detalhe da capa e contra-capa da Edição Ilustrada


Passados alguns anos da polêmica, o livro já esta meio esquecido nas estantes ds livrarias, mas minha fé, e a de milhares de pessoa que leram a obra, continua firme e forte porque “nós sabemos em quem temos crido”!

Agora se você quer uma história boa mesmo envolvendo o Santo Graal, eu recomendo A Busca do Graal de Bernard Cornwell que eu já comentei aqui.

Beijos e boa leitura!!! E nada de botar fogo em livro, heim gente... isso sim é pecado!!!
Fefa Rodrigues


Para pensar... um pouco de C.S. Lewis!

Devico a minha condição informada no post abaiso (hehehehe) hoje só vou colocar um trecho de um texto de C.S. Lewis pra gente pensar um pouco sobre o asunto...

"como na gueraa e em tudo na vida, o conforto é uma coisa que você não pode alcançar  simplemente procurando por ele. Se você sai em busca da verdade, pode até encontrar conforto no final: se sai em busca do conforto, não encontrará nem conforto nem verdade - só espumas ao vento e desejos reprimidos, desde o começo, e, no final, o desespero!" 

Amanhã, falo sobre minha experiência real nas mãos da Inquisição.... e nesta vida mesmo!!!

Bjos
Fefa

Tô parecendo o Rocky Balboa!!!

Oi gente, hoje eu só vou fazer duas postagens, essa explicando o motivo da falta e outra, a de cima, bem  curtinha. Sabe, é que eu fui acometida por um surto alérgico durante essa madrugada, acordei sem conseguir abrir o olho esquerdo (e só pra piorar o direito, que abria, sofre com 6 graus de miopia, veja que situação!) de modo que meu olho esquerdo, minha bochecha e meu nariz se fundiram e se tornaram um só...

Bem depois de uma visita ao P.A. às 5 da manhã, duas injeções de antialergico, uma visita de urgência ao médico a tarde e 4 comprimidos, eu tô morrendo de sono.... nem pude trabahar hoje... e pra piorar, tô parecendo o Rocky Balboa na foto ai embaixo... espero mesmo estar melhor amanhã!!!

Tô igualzinha, só que sem o suor!!! :o)
Beijos e prometo por uma postagem de verdade amanhã!!!
Fefa Rodrigues

domingo, 22 de maio de 2011

A Busca do Graal - Bernard Cornwell

O Santo Graal parece ser um tema inesgotável, o interesse pelo assunto ressurge de tempos em tempos e ninguém melhor que Bernard Cornwell para nos contar mais uma história envolvendo a relíquia mais procurada da história da cristandade e ele faz isso na trilogia A Busca do Graal.


“Para cada inglês morto, a indulgencia será mil dias a menos no purgatório .”

Ambienta na Guerra dos Cem Anos, disputa que envolveu a Inglaterra e França, a busca pelo Graal é contada a partir da história de Thomas, um arqueiro inglês que mesmo contra a sua vontade tem sua vida ligada ao famoso cálice que Cristo teria usado em sua última ceia e que depois recolhido seu sangue durante a crucificação, o que o tornara um objeto muito poderoso, pois seria a ligação entre os homens e Deus, portanto, quando encontrado seria capaz de trazer a paz e a felicidade para o mundo.
“O tesouro de Hookton foi roubado na manhã do domingo da Páscoa de 1342.” 


Assim começa O Arqueiro, primeiro volume da trilogia. Thomas de Hookton, filho bastardo do padre da cidade, é o personagem principal da saga. Por decisão do pai, Thomas vai, a contra gosto, estudar em Oxford, mas sua verdadeira vocação é segurar um arco, por isso, continua treinando escondido e se torna um habilidoso arqueiro, até que, na manhã da Pascoa de 1342, ele vê sua aldeia ser dizimada por um pequeno exército vindo da França e liderado pelo sinistro Alerquim que, além de destruir o vilarejo e matar os pais de Thomas, rouba a única relíquia que a igreja do local possuía, uma velha lança que, segundo o Padre Half tinha sido a lança usada por São Jorge para matar o dragão (diga-se de passagem, São Jorge tem preocupações mais importantes do que o Corinthians, afinal ele é padroeiro da Inglaterra).

Thomas, que após anos de treino dominara completamente a arte de manejar um arco de teixo, e como um dos únicos habitantes de Hookton a escapar com vida, decide abandonar Oxford e juntar-se ao exército inglês que está em campanha na França. O arqueiro vai em busca de vingança contra aquele francês que destruiu sua família, sem saber que o Alerquim também está em seu encalço e em busca da maior relíquia da cristandade.

Uma coisa interessante que aprendi nesse livro foi que a Inglaterra foi superior à França e aos demais inimigos durante a Guerra dos cem Anos graças a seus arqueiros. Não havia exército capaz de vencer uma parede de arqueiros ingleses, e os poucos cavaleiros que conseguiam escapar das flechas eram destruídos pela cavalaria, além disso os outros exércitos nunca conseguiram dominar a arte de usar um arco.

“Era outubro, a época da morte do ano, quando o gado era abatido antes do inverno e quando os ventos do norte traziam uma promessa de gelo.” (início de O Andarilho)


No segundo volume, O Andarilho, Thomas é obrigado, a pedido do próprio rei e de seu senhor, a se separar do exército inglês e viajar a pé até a Escócia seguindo o rastro do Santo Graal. Nessa busca por respostas o arqueiro, que agora disfarçou-se de padre andarilho, descobre suas origens, o que sempre fora um segredo guardado por seu pai.

Thomas descobre que é um descente da família Vexille, os antigos senhores de Astarac, família poderosa e que havia sido por muitos séculos a guardiã do Santo Graal até que converteu-se à heresia cátara e acabou totalmente dizimada pela Inquisição. A igreja confiscou todos os seus bens, mas o Graal não foi encontrado.

Além dos inimigos que surgem pelo caminho e que Thomas tem que enfrentar para proteger sua vida e a vida das pessoas que ele ama, o Alerquim se aproxima cada vez mais do arqueiro que, ao voltar às ruínas de sua antiga aldeia, recebe das mãos de um velho amigo de seu pai um livro com centenas de anotações confusas sobre o Graal escritas em latim e hebraico. Thomas acredita que seu pai estava louco e que o Graal era uma mentira, mas tantos seus amigos, quanto seus inimigos e seu próprio senhor acreditam na existência da relíquia e no poder e riqueza que ela pode trazer àquele que a encontrar. Thomas não tem escolha a não ser continuar a busca que vai lhe trazer muito sofrimento nas mãos dos dominicanos.

“A estrada vinha das montanhas ao sul e atravessava os pântanos à beira-mar. Era uma Estrada péssima”. (início de O Herege)


No terceiro e último volume, O Herege, uma frágil paz é firmada entre Inglaterra e França, após as sucessivas derrotas dos franceses. Thomas aproveita os tempos de paz e segue com um pequeno exército para para a Gasconha, com a desculpa de retomar uma fortaleza que já havia pertencido ao  seu senhor e que estava em mãos inimigas. A fortaleza fica próxima às antigas terras de Astarac, e sua verdadeira missão é continuar na pista do Graal e atrair para uma emboscada seu primo Guy Vexille, o Alerquim, já que agora ele tem ainda mais motivos para se vingar do assassino de seu pai.

Thomas tem sucesso em tomar a fortaleza, mas lá ele conhece uma jovem condenada pela Inquisição à fogueira por ser uma beguina, imediatamente uma ligação nasce entre essas duas vítimas dos dominicanos. Thomas livra a garota da morte, mas isso acaba fazendo com que ele perca o poder junto aos seus homens e quando um séquito de padres chega às portas da fortaleza e anuncia sua excomunhão, o arqueiro é forçado a fugir de seus próprios companheiros... a essa altura, há outro inimigo se aproxima, um inimigo invisível, a Peste Negra...

Com um final surpreendente apesar de ser um assunto sobre o qual muito já se escreveu, essa é mais uma obra empolgante de Bernard Cornwell, com precisão histórica e reconstrução do cotidiano e costumes da idade média, uma saga sensacional!!

É incrível a capacidade que esse escritor tem de criar personagens apaixonantes, heróis que tem seus defeitos mas que acima de tudo têm honra! Sensacional! Thomas de Hookton é espetacular!

Outra coisa que eu gosto muito nos livros do Cornwell são as notas históricas que ele lança no fim de cada livro apontando o que é fato e o que é ficção, sempre dando uma aula de história! Ótima leitura!

Beijos
Fefa Rodrigues