sábado, 24 de fevereiro de 2018

Amaldiçoado - Parte 1





Parte 1


Eu sou amaldiçoado.

Por quê? Você pode perguntar. A verdade é que não tenho a mínima ideia. Mas tenho a teoria de que eu nasci assim, como se isso fosse algo genético.

E como eu seu disso? É simples. Toda a minha vida comprova isso de forma clara.

Então você deve estar se perguntando o que é essa maldição? Bem, acontece que todo mundo que me ama, morre. 

Não conheci minha mãe, ela morreu durante meu parto. Lembro-me bem do meu pai, ele era engraçado e sempre me trazia doces quando chegava em casa depois do trabalho, até que ele teve uma parada cardíaca quando eu tinha três anos e não resistiu.

Depois disso, fui morar com a minha avo materna. Foi um tempo bom, ela era uma mulher de cabelos totalmente brancos que, todo dia, fazia um bolo para nosso café da tarde até um derrame a levou.

Agora, vivo com uma tia que é meia-irmã do meu pai e apesar de me tratar com muita decência e consideração, de cuidar de mim e dos bens que meus pais me deixaram de forma irrepreensível, apesar de nos respeitarmos mutuamente e vivermos no mesmo teto durante as férias escolares, já que, por decisão minha eu estudado em um internato, nos não nos amamos e eu sei disso porque tenho me mantido suficientemente afastado para que ela não desenvolva qualquer afeto por mim.

Você pode estar pensando que é apenas coincidência e que estou exagerando um pouco, que eu estou dramatizando como é típico de adolescentes, mas a certeza de que por alguma razão desconhecida eu carrego comigo uma é que até os meus animais de estimação se foram rápido demais.

Por isso, quando compreendi toda essa situação, deixei de ter animais de estimação e de me aproximar das pessoas, o que, no segundo caso, não tem sido tão difícil já que as pessoas estão mais interessadas em seus celulares do que em quem está ao seu lado.

Eu sou amaldiçoado. Isso é um fato com o qual eu aprendi a conviver e que deixou de me incomodar há muito.

Até que eu te vi.

(Continua)

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