segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A Casa das Bonecas



UM
Sempre vou me lembrar daquele verão como o momento em que perdi minha inocência de criança para sempre. 
Era férias, eu tinha doze anos e estava entediado.
Todos os meus amigos estavam viajando, apenas eu estava em casa.
Meu pai era aquele cara que se orgulhava por nunca tirar férias, por trabalhar até tarde e por ter centenas de dias de folga acumulados, então, para mim todos os anos eram iguais, eu via meus amigos deixarem a cidade para voltar ao final de alguns dias cheios de histórias que eu ouvia com inveja.
Naquele ano, contudo, decidi que seria diferente. Eu teria uma história para contar, pois naquela noite quente e sem lua eu iria explorar o “Casarão”.
O “Casarão”, como era chamado por todos, era uma construção onipresente fincada no alto de uma colina. Tinha sido a casa da poderosa família Andrade Dantas em seus dias de glória, mas agora não passava de uma construção decadente que insistia em se manter em pé e que povoava o imaginário local.
Há muito tempo os bens da família tinham sido vendidos enquanto sua fortuna minguava, até restar apenas a construção de proporções impensáveis obrigada a dividir espaço com os minúsculos prédios dos conjuntos habitacionais que se multiplicavam por toda a encosta.
Era lá que o velho Sr. Andrade Dantas tinha passado os seus últimos dias de vida, preso a uma cama e em companhia de sua última filha, a quem ninguém sabia ao certo o que teria acontecido após a morte do pai.
Meus amigos e eu sempre falávamos sobre invadirmos aquele lugar que assombrava nossos pensamentos e que inspirava as histórias sobre a crueldade daquela família que eram contadas de boca em boca, porém nunca tivemos coragem suficiente para levar nossos planos até o fim.
Por isso, quando meus amigos soubessem que eu havia feito aquilo sozinho, ficariam impressionados.
Assim que meus pais dormiram, sai em direção à noite e da entrada da minha casa avistei a construção fantasmagórica.
Aspirei o ar noturno sentindo um forte cheiro de flores e quase desisti antes mesmo de dar o primeiro passo, então me recordei de como me sentiria caso não tivesse nada de interessante para contar quando as férias chegassem ao fim e isso me deu coragem e me fez seguir em frente.
A juventude nos faz tolos.
Enquanto caminhava, um fio de suor gelado escorria por minhas costas. Senti uma mescla de medo e ansiedade, contudo, conforme a noite me envolvia, fui me tornando mais confiante.
A cada passo que eu dava, o casarão parecia crescer à minha frente muito mais rápido do que esperava, cheguei às altas paredes de pedra que guardavam o lugar.
Permaneci por vários minutos observando aquele total abandono que intimidava. O silêncio gritava dizendo que eu não era digno de entrar. Segurei as barras de ferro devoradas pela ferrugem e empurrei, no fundo desejava que não se abrissem.
As dobradiças rangeram num choro triste e os portões se moveram com facilidade dando acesso ao jardim.
Com as pernas trêmulas, caminhei em meio àquele emaranhado de arbustos. A folhagem arranhava minha pele tentando me expulsar dali até que cheguei aos degraus de pedra branca carcomida que levavam à varanda e à porta de entrada.
Silêncio e escuridão reinavam absolutos.
Concentrei-me no meu plano: entrar na casa, tirar algumas fotos e sair em seguida. Quanto mais rápido eu enfrentasse aquilo, mais rápido eu poderia voltar para minha cama.
A porta principal era de carvalho e parecia ser muito antiga. Ainda era possível ver as iniciais da família incrustadas na madeira. Bati de leve com os nós dos dedos e o eco seco denunciou o interior devorado por cupins.
A porta estava trancada, então contornei a casa atravessando a varanda decrépita. O telhado de madeira estava totalmente danificado. Alguns móveis há muito  apodrecidos disputavam espaço com as inúmeras camadas de folhas secas que forravam o chão.
Mesmo diante daquela situação deplorável, não foi difícil imaginar a rica família, em noites quentes como aquela, sentada nas cadeiras elegantes e cercada por criados que serviam chá gelado.
Aquelas pessoas que sequer arrumavam suas camas pela manhã, podiam desfrutar alegremente dos prazeres que a fortuna nascida do trabalho de centenas de homens, mulheres e crianças que consumiam suas vidas e saúde colhendo o ouro verde que brotava em seus campos,  lhes proporcionava.
Ali fora a parede era adornada por azulejos que formavam mosaicos com temas campestres. Eram pintados à mão e, como todos sabiam, tinham vindos da Inglaterra, assim como os vitrais tinham vindo da Itália e, na suíte principal, havia um lavabo português que custara o equivalente a um ano de salário de um trabalhador do campo.
Decidi fazer minha primeira fotografia ali.  O flash da máquina partiu a escuridão e eu tive a estranha sensação de a luz branca havia despertado algo adormecido no interior da casa.
Já não sentia medo. O ar de decadência me fascinava, me atraia e me fazia desejar ver mais.  
Forcei algumas das janelas francesas que se espalhavam por toda a lateral da casa até que uma delas cedeu abrindo passagem para o interior da casa.
A penumbra me convidou a entrar e eu aceitei o convite. Estava ávido por mais daquilo tudo. Ali dentro, tateei a parede áspera e empoeirada até encontrar um interruptor imaginando se a casa ainda dispunha de energia elétrica.
Um som de estática cortou o ar que cheirava a queimado e, por uma fração de segundo quase imperceptível, a lâmpada acendeu para, com um estalo, apagar-se em seguida, após iluminar o ambiente por tempo suficiente para que eu pudesse ver um par de olhos brilhando.
Caminhei naquela direção com a certeza de que um gato tinha encontrado refúgio em meio àqueles sofás antigos e mofados e crendo que isso me daria uma boa fotografia.
Lembrei-me da pequena lanterna que estava no meu bolso. Um forte facho de luz surgiu revelando um par de olhos estáticos. Dei alguns passos para traz assustado. Algo em que bati caiu quebrando-se em milhares de pequenos cacos de porcelana.
Virei-me devagar iluminando tudo à minha volta e, para meu espanto, percebi que estava sendo observado por dezenas de outros olhos iguais àqueles.
Eram olhos de vidro. Olhos sem vida. Olhos de bonecas.
Aquilo era realmente sinistro e eu precisava fotografar tudo ou ninguém acreditaria em mim. Disparei o flash da câmera que explodia na escuridão revelando aqueles rostos perfeitos de fisionomias indecifráveis, seus pequenos corpos vestidos com esmero e posicionados como se fossem moradores da casa.
Algumas estavam reunidas em volta de uma mesa arrumada para o chá, outras estavam sentadas nos sofás e otomanas distribuídos pela sala, tinham consigo livros e trabalhos manuais, como se se dedicassem a cozer, tricotar e ler. Havia, ainda, algumas sentadas à mesa de jantar e, por fim, avistei outra ao piano, a cabeça inclinada em direção às teclas de marfim amarelado como se se preparasse para tocar.
Estava tão absorto na tarefa de fotografar aquele show de horrores que só percebi o som do riso distante e artificial quando cheguei à escada que levava ao primeiro andar.
Hoje me pergunto como aquele som terrível não me fez sair dali, mas havia algo naquele lugar de sombras e esquecimento que me atraia e, em vez de voltar para casa, subi por aqueles degraus apodrecidos que rangiam a cada passo que eu dava.
Chamei perguntando estupidamente se havia alguém lá em cima, sem receber qualquer resposta. O silêncio absoluto tornava aquela exploração ainda mais convidativa.
A escada terminava em um corredor longo, com portas dos dois lados que, provavelmente, levavam aos cômodos que um dia serviram de quartos para a família, então, me lembrei da história do lavabo português e percebi que fotografar aquela peça seria a chave de ouro que fecharia minha grande aventura.
Não fazia a menor ideia se aquela história era real, se o lavabo ainda estava lá ou qual daquelas portas levava à suíte principal, portanto, decidi começar pela primeira à direita e, para minha decepção, por mais que eu a forçasse, ela não cedeu um milímetro sequer.
Temi que todas as demais estivessem trancadas e que minha grande aventura terminasse. Testei mais quatro ou cinco portas sem sucesso até chegar à última, que aceitou meu pedido e se abriu para que eu entrasse.
O ar ali dentro tinha um cheiro adocicado de podridão o que me fez imaginar que devia haver algum animal morto por perto. Assim que passei pela porta percebi que havia algo diferente naquele cômodo. O quarto estava mobilhado com os mesmos móveis antigos e deteriorados que se espalhavam por toda a casa, mas o lugar estava limpo. No centro havia um berço de madeira lustrada sobre o qual pendia um móbile com pequenas bonecas de pano.
Aquela cena era ainda mais bizarra do que tudo o que eu tinha visto até então. A curiosidade fez com que eu me aproximasse.
Pude ver que, sobre os lençóis de linho branco, havia uma boneca muito maior do que todas as outras que habitavam àquela casa. Parecia-se com uma criança de oito ou nove anos, estava vestida com uma camisola de renda clara, os cabelos ruivos estavam trançados e seus olhos estavam fechados. A pele era ressequida e muito amarelada, como pergaminho e o cheiro de podridão vinha daquele leito imaculado.
Não resisti à tentação e estendi minhas mãos para tocá-la, mas fui atraído pelo som das molas de uma cadeira de balanço se movendo num dos cantos escuros do quarto seguido por um movimento súbito. Não tive chances de me defender. Uma pancada forte atingiu minha cabeça e a última coisa que ouvi antes de perder os sentidos foi à voz medonha dizendo “Ela é linda, não é?”.
*
Quando despertei, levei alguns minutos para entender que não estava em minha cama. Aos poucos, fui me lembrando do que havia acontecido: o casarão, as bonecas, a criança no berço, a pancada.
Tentei me levantar, mas não consegui me mover, não sentia minhas pernas.
Apalpei os bolsos e o chão ao redor em busca da lanterna sem encontrá-la. Forcei meus olhos na escuridão e percebi que ainda estava no cômodo onde havia sido agredido.
Gritei pateticamente por socorro, mas ninguém veio me salvar. Com muito esforço, me arrastei em direção à porta que se abria para o corredor que me levará até aquele pesadelo, meus olhos estavam embaçados pelas lágrimas de dor e medo.
Estava há um ou dois metros da porta quando senti unhas afiadas agarrando meus cabelos e sacudiu minha cabeça com violência. “Você entrou aqui sem ser convidado, agora não vai mais sair garoto estupido!” aquela voz rouca e velha destruiu o que restava da minha coragem e sugou minhas forças.
Deixei-me ser arrastado escada abaixo e ser jogado ao chão. Apesar do calor sufocante, a lareira estava acessa e a luz que emanava dela iluminou o rosto daquela mulher franzina e estranhamente forte.
Era um rosto enrugado, velho e mau.
Seus olhos fundos e revoltos denunciavam a loucura de sua mente.
Ela me deixou ali e sentou-se à mesa da sala de jantar. Havia mais alguém com ela. Estavam sentadas de costas para mim e pareciam conversar, mas eu não pude distinguir sobre o que sussurravam.
Logo, a conversa se tornou discussão e após algumas palavras ditas com mais entusiasmo, a velha voltou para perto de mim.
“Nunca vou entender sua atração por essa gente, Sofia” disse enquanto vinha em minha direção “Meu pai sempre tratou a gentinha dessa laia com severidade, um bando de vagabundos se quer saber... Sente-se garoto” ordenou enquanto me puxava pelo cabelo e me lançava sobre um daqueles sofás mofados me olhando com nojo. “Vou trazer Sofia até aqui, ela quer te conhecer, então se comporte.”
O pavor me obrigou a engolir o uivo de dor, vi que minhas pernas estavam muito feridas, mas simplesmente não conseguia me lembrava de quando ou como aquilo tinha acontecido. A dor era lancinante.
Olhei para a velha que voltava para onde eu estava empurrando uma cadeira de rodas. Havia uma criança sentada nela e senti uma tola esperança de que ela me ajudaria a sair dali.
A velha carregou a criança com cuidado e colocou-a sentada no sofá à minha frente, a luz da lareira iluminou seu rosto. As orbitas vazias e sem vida me fizeram acreditar que se tratava de mais uma daquelas malditas bonecas que povoavam a casa.
A velha afastou-se e eu pude ver que aquela era a criança que estava deitada no berço lá em cima e, agora que estávamos muito próximos, eu compreendi, para meu total desalento, que aquela não era uma criança ou outra boneca. Aquilo era um corpo infantil embalsamado.
Naquele momento me esqueci da dor e do medo e tudo que consegui sentir foi uma onda de náusea, estremeci e coloquei para fora o que restava do meu jantar.
Ao ver aquilo, a velha veio em minha direção com ódio em seus olhos loucos e eu não conseguir me esquivar do golpe que atingiu meu rosto fazendo meu sangue respingar na parede.
“Menino idiota, não sabe se comportar como gente? Seu verme nojento! Eu devia te fazer lamber essa sujeira toda!” gritava enquanto esmurrava meu rosto, minha cabeça, minhas costas e eu tentava debilmente me defender.
Comecei a chorar e a gritar tomado pelo pânico e, quanto mais eu gritava, mais ela me batia dizendo que eu estava assustando Sofia com toda aquela gritaria.
“Ela está morta!” gritei num impulso impensado e por um instante a mulher parou de me bater, um vislumbre de lucidez cruzou o seu olhar, ela virou-se em direção àquele corpo morto, olhou para mim e mais uma vez golpeou meu rosto com força me abandonando.
Eu chorava baixo, tentando não fazer barulho, na esperança de que se esquecesse de mim, então ela sentou-se ao lado da menina morta e começou a cantar uma cantiga infantil enquanto trançava seus cabelos.
Tive certeza de que morreria naquele chão sujo. Pensei em meus pais e me dei conta de que ninguém sabia que eu estava naquela casa. Contemplei todos aqueles olhos mortos que me observavam e senti as lágrimas escorrendo através dor meu rosto.
Desejei mais do que tudo poder ver minha mãe novamente e a visão do seu sorriso fez uma centelha de esperança nascer dentro de mim. Eu precisava ao menos tentar. Olhei ao redor em busca de algo que pudesse me servir como arma, mas vi apenas moveis velhos, o fogo da lareira e as bonecas.
Fechei os olhos tentando me concentrar e pensar em algo, e só conseguia ver o fogo que crepitava perto de mim. Estiquei meu corpo torturado e dormente até alcançar uma daquelas bonecas, a velha continuava de costas, cantando com sua voz grotesca.
Puxei o pequeno corpo estéril para junto de mim e me arrastei em silêncio até a lareira. A dor era tanta que tive certeza de que iria desmaiar. Parei por alguns segundos para descansar e reunir toda força que me restava, aquela seria minha única chance e se desse certo, tudo aconteceria rapidamente.
Quando me senti pronto, coloquei a cabeça da boneca no fogo, as chamas lamberam seus cabelos e logo se grudaram ao plástico que derreteu exalando um cheiro enjoativo, a cabeça da boneca começou a queimar, olhei para a velha que ainda estava compenetrada em sua tarefa e lancei a boneca em chamas sobre um dos sofás de pano e madeira que ocupava o centro da sala, o fogo espalhou-se em segundos engolindo tudo em seu caminho até alcançar algumas das bonecas que estavam por perto.
Quando a velha se deu conta do que estava acontecendo, o chão de madeira já queimava. Ela soltou um urro medonho e correu em direção às chamas tentando em vão apagá-las com tapas que fizeram as palmas de suas mãos se transformarem em enormes bolhas enchendo a casa com o cheiro de carne queimada.
Ela sequer se lembrou de que eu estava ali. Era minha oportunidade. Eu tinha que fugir daquele inferno de fogo que corria descontrolado por todos os lados devorando tudo. Vi quando a escada de madeira por onde eu havia subido começou a arder e se partiu e a visão daqueles rostos de plástico derretendo me obrigou a enfrentar a dor e a sair dali imediatamente.
Não havia tempo a perder, o fogo consumia tudo e não demoraria a que a casa toda viesse abaixo.
Me arrastei em direção à janela por onde eu havia entrado. A velha gritava como um animal alucinado, enquanto enfrentava o fogo, tomada pela loucura, tentando salvar aquelas bonecas como se fossem suas crias.
Então, as cortinas de brocado foram atingidas  pelo fogo levando até a sala de jantar as chamas que se agarraram às roupas de Sofia.
Ao amenina queimando, o rosto da velha se contorceu revelando um dor e desespero, ela abandono toda aquelas bonecas e correu até o corpo inerte que estava sendo consumido e agarrou-se a ele.
Vi aqueles dois corpos unidos em um abraço infernal serem engolidos sem piedade, os cabelos brancos da velha e os cabelos ruivos de Sofia se mesclando em um emaranhado de fios derretidos, a pele do rosto daquela mulher assustadora derretida se soltando da carne e revelando os ossos da face magra, enquanto o fogo exorcizava toda a loucura do seu olhar.
Em um último impulso, consegui sair pela janela que tinha me levado ao interior daquele lugar onde eu tinha conhecido a dor, a morte e a loucura, me arrastei até o jardim tentando correr para o mais longe que meu corpo dolorido conseguisse me levar.
Cai na grama atingindo o limite das minhas forças e, antes de fechar os olhos, vi que as labaredas dominavam toda a construção que ardia e estalava sob o céu negro, então, ouvi as sirenes se aproximando e me abandonei ao torpor.
Talvez eu estivesse a salvo.
*
A história daquela noite fez de mim o garoto mais popular da cidade por algum tempo. Todos queriam ouvir sobre as horas de terror que eu passara no casarão até que outros fatos foram sendo revelados e minha versão acabou dando lugar às novas especulações
O exame da arcada dentária de Sofia revelou que ela era, na realidade, Ana Beatriz, uma garota de oito anos  que vivia num dos prédios do conjunto habitacional e que estava desaparecida há mais de dez anos, tendo sido dada como morta desde então.
Eu ainda estava no hospital quando recebi a visita de seus pais, eles me trouxeram uma fotografia da menina e eu reconheci os longos cabelos ruivos, eles me agradeceram com lágrimas nos olhos por sua filhinha ter sido enfim encontrada e por a pessoa que lhe fizera mal ter pagado por isso.
Trataram-me como se eu fosse um herói e eu imaginei se eles pensariam o mesmo caso tivessem me visto chorando e tremendo enquanto apanhava.
Mas, o que mais causou especulações foi a descoberta de dezenas de restos mortais enterrados nos jardins dos fundos do casarão.
Coincidência ou não, o número de corpos encontrados correspondia exatamente ao número de restos de bonecas contabilizados pela perícia no interior da casa.
Todos aqueles pequenos corpos eram de bebês recém-nascidos e datavam de mais de quarenta anos, o que levou a crer as pessoas crer que eram todos frutos da relação ilícita entre o velho Sr. Andrade Dantas e sua própria filha, que acabara enlouquecendo, e que aquele cemitério garantia que a honra da família fosse preservada.
E assim, surgiu mais uma história envolvendo aquela família, que nunca seria comprovada, mas que seria contada de boca-em-boca por muito tempo.  
Eu sobrevivi e, apesar de ainda mancar um pouco, me recuperei de todos os ferimentos físicos que me foram causados naquela, porém, eu jamais consegui me libertar daquela imagem que me persegue desde então e, toda as noites, quando fecho os olhos esperando o sono chegar, sou assombrado pelos olhos da velha louca sendo devorados pelas chamas enquanto ela se agarra à sua pequena Sofia.
     
                                                   (...)



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