terça-feira, 1 de julho de 2014

Mil cairão ao teu lado – Susi Hasel Mundy

Não há maior elogio do que ganhar um livro de presente. E esse livro foi um presente da Raissa, uma nova amiga que compartilha comigo o gosto pela literatura e que, sabendo do meu amor por livros e meu interesse pela II Guerra, me fez esse imenso elogio.



Eu gosto de todo tipo de literatura sobre a guerra, mas gosto especialmente de histórias reais de pessoas que tiveram coragem suficiente para não concordar com o regime nazista, mesmo que isso significasse colocar sua própria vida, e muitas vezes a vida de sua família, em risco.

E esse livro conta a história de uma dessas pessoas, ou melhor, de uma família inteira que decidiu permanecer fiel a seus princípios. É um livro de cunho religioso, já que aponta de forma especial as lutas daquela família para viver sua fé em meio à guerra, mas, independentemente do posicionamento religioso de cada um, é uma história que nos ensina muito.

Essa é a historia da família Hasel, e de como eles enfrentaram aqueles dias tenebrosos. Os Hasel eram Adventistas do Sétimo Dia, isso significa que eles tinham muitos costumes parecidos com os dos judeus como a guarda do sábado e não comiam carne suína. Além desses costumes, eles eram cristãos de verdade, ou seja, seguiam todos os princípios de respeito e amor ao próximo pregados pelos evangelhos.

Franz Hasel, o pai da família foi convocado nos primeiro dias da Guerra para servir na Companhia 699. Conhecida como Pioneiros, eles eram a “equipe de frente” e chegavam aos territórios inimigos nos primeiros momentos, já que sua função era construir pontes onde fossem necessárias e reformar aquelas destruídas pelo inimigo em retirada.

Em meio a soldados que acreditavam completamente em Hitler e na superioridade e vitória alemã, Franz foi colocado diversas vezes em situações em que ele teve que optar entre seguir ordens ou seguir seus princípios, porém, sempre, de uma forma ou outra, ele conseguia se sair bem e se manteve fiel até o fim e, mesmo quando por algum momento ele se desviava desses princípios, por mínimo que fosse, ele tinha consciência de que não poderia deixar a situação determinar suas ações.

Quando o batalhão de Franz foi mandado para a Rússia, a situação ficou muito mais difícil. Seu batalhão começou a ser seguido pelos homens da SS, e foi então que Franz foi apresentado à realidade do extermínio de judeus. Franz percebeu que já não se tratava mais de manter seus princípios e rituais religiosos, mas de viver na prática aquilo em que ele acreditava, salvar vidas inocentes, encarando todas as conseqüências.

Enquanto a guerra se arrastava Helene, esposa de Franz, e seus três filhos permaneceram em Frankfurt, onde sofriam constantemente o assédio do partido nazista que exigia sua filiação, e da Liga das Mulheres que a importunava diariamente em razão da família não se envolver nas atividades do partido. Como Helene se recusava a se filiar, todo tipo de problemas acontecia com ela, atrasos no recebimento do soldo a que tinham direito, dificuldades para conseguir alimentos, roupas, tratamento médico e ainda a suspeita de que ela e sua família eram judeus disfarçados em razão da guarda do sábado.

Assim como aconteceu com Franz, em certo momento eles perceberam que seus princípios iam além da guarda dos costumes e rituais, e exigiam que eles se movessem em direção aos judeus enquanto sofriam os pesados bombardeios dos aliados.

Nessa história toda, me parece que quem mais sofreu com a guerra foi Helene e seus filhos, desamparados em uma cidade hostil, sem ter a quem recorrer, mas sempre mantendo a perseverança.

Como disse acima, independentemente do posicionamento religioso de cada um, é uma história que vale a pena ser lida, uma história que nos fala sobre caráter e honra e sobre a coragem de fazer o que é certo quando ninguém mais o faz.

Certa vez ouvi uma frase – atribuída a Martin L. King, mas eu nunca confirmei a autoria – e que se encaixa perfeitamente nessa história: “Se você não está pronto para morrer por algo, você não está pronto para viver”.

Beijos e boas leituras.

Fefa Rodrigues


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